domingo, setembro 08, 2013

“Mais Médicos” ou menos governo?

Adelson Elias Vasconcellos

Não pretendia me manifestar  sobre o programa Mais Médicos, não por enquanto, por preferir aguardar o andamento do programa e seus efeitos bons ou ruins para, diante dos resultados, poder formar melhor juízo.
Porém, fatos novos impõem uma análise rigorosa do programa. A começar pela  confirmação dos  próprios médicos cubanos, de que eles estavam sendo preparados há mais de um ano, para vir prestar seus serviços no Brasil.  Ora, o governo apresentou o programa neste ano, mais especificamente, a partir das manifestações populares de junho.  Passadas algumas semanas, e após o discurso de Dilma em cadeia de rádio e televisão com a apresentação de seus cinco pactos, é que o governo veio a público apresentar o “Mais Médicos”. 

Diante de várias questões apresentadas pelo programa, o governo foi e voltou, modificando aqui e ali, inclusive com Padilha afirmando categoricamente que o governo desistira de contratar os médicos cubanos. Tal desistência se devia a reação forte por parte do país e o fato de que, o regime de contratação, já ocorrido em outros países, contrariava frontalmente a legislação trabalhista brasileira. 

Ora, se a decisão de importar profissionais já vinha sendo urdida há mais de um ano e, em julho, o próprio Padilha afirmou que o governo não mais importaria médicos cubanos,  para depois anunciar a sua vinda, como se deve entender esta trama toda? 

Mas não quero me fixar nesta questão. Creio ser importante a gente destacar que, durante este período de preparação para a contratação dos médicos e na forma como ela se deu, o governo Dilma não apresentou um único e miserável programa de interiorização de médicos brasileiros. Sequer ofereceu-lhes uma carreira federal.   Mais: a situação miserável da estrutura física das unidades de saúde  em verdadeiro descalabro, fruto do descaso e da incompetência, continuou sendo degradada sem que o governo Dilma tenha demonstrado, neste tempo, um mínimo de interesse  ou de preocupação em destacar do orçamento, recursos para um plano de recuperação.

Ora, não se trata de opinião: é um fato, constado por toda a população brasileira, principalmente a faixa mais pobre, que as unidades de saúde da rede pública não apresentam a menor condição de atendimento, quanto mais para o exercício digno das atividades profissionais de médicos, enfermeiros, atendentes. 

Assim, fica claro que o “Mais Médicos”  era um plano que vinha sendo construído nos bastidores com dois propósitos: um, de ser apresentado em ano eleitoral, com propósitos unicamente eleitoreiros, e dois,  de desviar dinheiro público brasileiro para sustentar o regime da ditadura cubana, já que a fonte venezuelana de Hugo Chavez secara.

Em momento algum, e os fatos atestam tal assertiva, esteve nos planos do governo Dilma em dotar o sistema de saúde de condições para o atendimento,  com dignidade,  da população brasileira. E, foi  em razão das manifestações que o programa precisou ser finalizado às pressas, como forma de conter a indignação popular. 

Pois bem: quando se disse que a falta de interesse dos médicos no Brasil  em clinicar no interior não era a causa primeira para a situação da saúde pública, mas a degradação física das unidades de saúde, o senhor Padilha se apressou em demonizar  toda a classe médica (tentativa canalha de transferir a indignação contra o governo para os “inimigos do povo”), afirmando ainda que o Mais Médicos previa investimentos vultosos na recuperação, reforma e ampliação destas unidades. Contudo, e isto comentou-se  aqui, não se apresentou um plano de ação mínimo, um esboço de como estes investimentos seriam realizados, em que tempo eles seriam efetivados, quais as metas e prioridades, quais municípios seriam privilegiados. Nada vezes nada, a não ser, como é praxe  na demagogia governista, um pomposo número de bilhões de reais em investimentos, porém sem  detalhamento algum. Ou seja, a promessa, como sempre vazia, era muito mais uma carta de intenções do que um programa com começo, meio e fim propriamente dito. 

E isto, senhores, fica evidente,  dado que a importação, como agora sabemos, se vinha sendo construída há mais de um ano, por que o governo não promoveu, neste tempo, a reforma, recuperação e ampliação das rede pública, capacitando-a  a oferecer atendimento  decente e condições melhores de trabalho para os profissionais que o programa tinha a intenção de contratar?

Infelizmente, o governo Dilma não é apenas ruim e medíocre: é fantasioso, mentiroso e farsante. Mistifica suas ações com  uma  propaganda cretina que, apesar de bilionária, não consegue mascarar a realidade catastrófica em que se encontram os serviços públicos, abandonados, desprezados e deixados ao Deus-dará.

Querer,  como se tenta agora, transferir sua culpa para uma categoria profissional que jamais recebeu do governo a atenção, respeito e consideração que sua atividade merece, não é apenas uma ação sórdida. É a prova eloquente de um governo  sem projeto, sem competência  e completamente dissociado do  interesse público. Um governo devotado a cumprir tabela para consumar seu projeto de poder. Que se preocupa muito mais em atender ao interesse de outros povos, do que dedicar-se  de corpo e alma em atender o interesse e as necessidades do povo que governa.  Aliás,  este tema merecerá um outro post, para destacar a dissociação de Dilma e sua equipe com os primados que o povo do nosso país espera receber de seu governo. 

O Programa Mais Médicos, estivesse cumprindo aquilo que na propaganda ele se propõe, poderia representar um  novo momento  na saúde pública brasileira. Infelizmente, pelos testemunhos dos médicos que estão desistindo de suas admissões em menos de uma semana de trabalho, comprova que Dilma e Padilha estão muito mais devotados em espetacularizar ações ineptas, como se fossem maravilhas, com o propósito exclusivo de se mostrarem ao eleitorado muito mais do que são e que têm sido. 

Adoraria que o povo brasileiro não se deixasse enganar pela mistificação. Para este governo  a única coisa que interessa é continuar enganando que fazem bem o que sempre fazem mal e até o que deixam de fazer.