Adelson Elias Vasconcellos
Nestes tempos bicudos pelos quais passa o Brasil sob o comando de governos petistas, nem sempre o óbvio é o caminho mais curto para a racionalidade.
Qualquer governante, por exemplo, deve priorizar, acima de qualquer outra questão, os interesses do país que governa. Não é isso que pensam os governos petistas. Eles entendem, por exemplo, que o interesse do Brasil deve ficar subalterno aos governos de Cuba, Bolívia, Argentina, Venezuela, ditaduras africanas. Afinal, ideologicamente, eles se alinham com estes exemplos de democracia.
Não por outra razão, o interesse do Brasil foi colocado no chão quando a Bolívia resolveu tomar na mão grande duas usinas da Petrobrás, com o uso de força militar. E, de quebra, conseguiu rasgar o contrato que mantinha com o nosso país quanto ao fornecimento do gás, cujo gasoduto, é imperioso registrar, foi bancado inteiramente pelo Brasil. Do mesmo modo, nosso interesse fica em segundo plano quando o assunto é a relação bilateral no plano de comércio, com a vizinha Argentina. Para aquele país, o Mercosul não vale nada, acordos firmados podem ser rasgados de acordo com as circunstâncias e seus próprios interesses. Ao Brasil é imposta a regra de obedecer e se submeter, mesmo que tal submissão fira interesses brasileiros.
Também vemos a mesma coisa com a ilha dos irmãos Castro. Apesar dos conflagrados portos brasileiros, clamando por urgentes investimentos para tornar nossos produtos mais competitivos no comércio internacional, os petistas não se vexaram em conceder mais de R$ 1,0 bilhão de crédito, via BNDES, para Cuba construir um moderno terminal.
Ou, ainda, nosso Ministro de Defesa ser humilhado em recente viagem à Bolívia, quando inclusive teve seu avião vistoriado por cães farejadores. Temia-se que Amorin pudesse abrigar naquele voo o senador Molina, asilado na embaixada brasileira há mais de um ano. E o que dizer da revisão do contrato com o Paraguai sobre Itaipu, obra totalmente bancada com o dinheiro do contribuinte brasileiro?
Poderíamos alinhar muitas outras questões como o perdão de dívidas de países estrangeiros, em sua maioria verdadeiras ditaduras, fosse no governo Lula ou, recentemente, no governo Dilma. Ou, ainda, o esdrúxulo alinhamento de Lula com o ex-presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.
Ações humanitárias como as empreendidas no Haiti, após o terremoto que praticamente destruiu aquele país, é uma coisa completamente distinta das tais alianças de cunho puramente ideológico, onde a soberania do Brasil é posta de lado, em favor dos “companheiros aliados”
Diante deste incrível histórico, fica difícil para o governo petista ao menos compreender que outro governo, zele, com primazia e máxima prioridade, pelo interesse de si mesmo. É o caso, por exemplo, dos Estados Unidos. E me refiro especificamente a questão da espionagem americana.
Espionagem, é bom reconhecer, existe no mundo desde a pré-história, inclusive, espionagem feita sobre outros governos, outros governantes. A espionagem americana feita sobre Dilma Rousseff, merece repúdio, porém, Obama nada mais fez do que qualquer outro presidente ou governante de país estrangeiro. Existe espionagem patrocinada pela Inglaterra, França, Itália, China, etc. Esta bisbilhotagem está na raiz do interesse de cada nação em preservar seu interesse e até sua própria soberania. Ou o governo Dilma vai dizer que não recebe “informações privadas” dos embaixadores brasileiros, lotados pelo resto do mundo? O que vem a ser tais informações privadas? Elas tratam de temas que nos interessam, para que aumentemos nosso poder de negociação nos diferentes foros mundiais. E, isto, mesmo que receba a chancela de “informações diplomáticas”, não deixa de ser uma espécie de espionagem.
Assim, querer exigir explicações “por escrito” e em sete dias, é desconhecer como tais situações são e devem ser tratadas.
É claro que o país deve emitir notas de indignação, chamar o embaixador americano para prestar esclarecimentos, porém, é no ambiente diplomático que a questão deve ser tratada e resolvida.
Digamos que os Estados Unidos se negue a prestar os tais “esclarecimentos por escrito em sete dias”, o governo Dilma vai fazer o quê, invadir o gigante do norte? Cortar relações em definitivo? Ignorar a história que conta os bilhões de dólares de investimentos feitos pelos norte-americanos por aqui? Ou vai, em represália, estatizar as sucursais das empresas daquele país instaladas no Brasil?
E que se note: quem deu margem a um acompanhamento mais de perto, pelos Estados Unidos, sobre as ações do governo petista foram os governos petistas. De um lado, esta ideologia bestialógica de antiamericanismo tão latente nas esquerdas latinas. E segundo, em razão de algumas alianças injustificáveis com países comandados pela narcoguerrilha.
Assim, fica claro que, se a ação de espionagem deve ser condenada, por outro lado, não se imagine que ela deixará de existir, enquanto países comandados por gente como Lula e Dilma, com suas ideologias fascitoides, seus preconceitos contra países civilizados, de primeiro mundo, com suas alianças estúpidas com nação totalitárias, nas quais o interesse do próprio Brasil se coloca subalterno, deixará de dar motivos para nações como a norteamericana de acompanharem de perto por quais caminhos o Brasil está sendo conduzido.
O Brasil, dada sua natureza rica, sua importância econômica no continente, é um gigante visto pelo resto mundo com muita atenção. De certa forma, Lula e Dilma, teleguiados pela ditadura cubana, comanda no continente sulamericano um processo à esquerda, em que a democracia vai sendo torpedeada em nome de um projeto de poder continental.
Assim, em razão destes desvios institucionais, nada mais compreensível que Estados Unidos, bem como as demais nações, voltem seus olhos para cá, uma vez que as grandes democracias do planeta guardam imenso interesse econômico, e são parceiros históricos na construção de um Brasil livre, democrático e desenvolvido.
Nosso país deve sim demonstrar sua indignação quando a espionagem vem a público e é descoberta. Porém, tal manifestação de repúdio não terá o dom de acabar com a bisbilhotagem. Ela continuará existindo, porém de forma velada. Até porque, convenhamos, desde quando os petistas podem se indignar por atos dos quais são contumazes protagonistas, internamente, contra seus adversários políticos? Quantos bunkers produtores de dossiês são construídos através da ação de estado policial comandado por petistas?
Deste modo, é bom que o governo Dilma aprenda uma lição que, ao que parece, ela está há muito necessitada: um governante deve, prioritariamente, defender acima de qualquer de coisa o interesse de seu país, de seu povo. Nesta linha, não se inclui o interesse dos “aliados ideológicos”, quando então a tal proclamada “soberania nacional” fica a reboque de Argentina, Bolívia, Venezuela, Cuba e ditaduras africanas. Barack Obama faz aquilo para o qual o povo americano o elegeu: defende sempre, acima da ideologia, o interesse dos Estados Unidos. E, convenhamos, o Brasil, desde 2003, anda precisando muito de um governo devotado ao interesse brasileiro acima de quaisquer outros.
Pergunto para encerrar: afinal, para que serve mesmo a ABIN?