O Globo
Corte de voos e aumento de tarifas travam crescimento, dizem especialistas. Desde 2003, demanda triplicou
Simone Marinho / O Globo/Simone Marinho
Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Embarque do Terminal 2
O corte da oferta de voos e a alta nos preços das passagens aéreas farão com que a demanda por voos domésticos fique estagnada este ano, algo que não ocorre desde 2003. Daquele ano até 2012, o mercado doméstico triplicou, impulsionado pelo aumento da massa salarial, facilidade de crédito, valorização do real e queda nas tarifas. Hoje, o cenário é exatamente o oposto, com economia fraca, juros em ascensão e dólar alto, que têm pressionado os custos das aéreas.
O indicador oficial da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para medir a demanda do setor, o mais usado na indústria mundial da aviação, é o chamado RPK, que multiplica o número de passageiros pelos quilômetros voados. Ele é melhor que a simples conta de passageiros embarcados e desembarcados porque leva em consideração a distância do voo. Assim, há um equilíbrio na comparação entre empresas que operam voos curtos e as que operam voos mais longos.
Por esse indicador, o Brasil fechou 2012 com 87 bilhões de passageiros-quilômetros voados, um aumento de 234% em relação a 2003. Em 2013, o número deve se repetir, nas projeções da consultoria Bain & Company. A principal razão para a estagnação é a redução da oferta de voos. Nos primeiros sete meses do ano, a oferta caiu 5,11% em relação a igual período do ano passado.
A queda reflete a política de TAM e Gol, que detêm 75% do mercado. As duas estão cortando voos menos rentáveis, para elevar sua taxa de ocupação. A ideia é que os aviões voem menos e mais cheios, reduzindo o consumo de combustível e elevando a receita por voo.
— Com a redução da oferta, é surpreendente que a demanda se mantenha constante este ano — diz André Castellini, sócio da Bain & Company.
