quinta-feira, setembro 19, 2013

Graça Foster: "Se eles conseguiram grampear alguma informação, nós não sabemos"

Marcela Mattos
Veja online

Em CPI, presidente da Petrobras minimizou denúncias de que a estatal foi alvo de espionagem da Agência de Segurança Nacional dos EUA

( Antonio Scorza/AFP) 
Graças Foster foi ouvida nesta quarta na CPI da Espionagem do Senado 

Em depoimento à CPI da Espionagem, nesta manhã, no Senado, a presidente da Petrobras, Graça Foster, negou ter conhecimento de qualquer invasão ou acesso aos dados do sistema da companhia. Ela foi falar aos parlamentares sobre as denúncias de que a Petrobras também teria sido alvo de espionagem do governo americano por meio da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês).

“Nós não sabemos se houve ataque ou tentativa de acesso. E, se eles conseguiram grampear alguma informação, nós não sabemos o quê”, disse Graça Foster. A presidente da Petrobras ressaltou que o sistema de segurança da empresa conta com diversas camadas de proteção e que há um monitoramento constante de ameaças de invasões. “A tecnologia que temos não identificou e não tem registro de ataques.”
Foster minimizou o impacto de uma possível espionagem. “Para capturar aquilo que a Petrobras tem de mais vantajoso frente a qualquer concorrente, que é a gestão desse processo de ‘a até z’, com uma produção de 326 000 barris de petróleo por dia no pré-sal, eu diria que teria de ser capturada toda a Petrobras”, afirmou. 

Apesar de mostrar confiança na preservação dos dados estratégicos, a presidente da estatal classificou a situação como “embaraçosa” e “desconfortável”.

Segurança – 
Sem citar o caso americano, a presidente explicou, no entanto, que a companhia convive com ameaças de invasões, mas há um sistema de proteção contínua feito com “tecnologia de ponta”. “Os ataques existem e nós temos de investir e trabalhar 24 horas por dia.” Somente em 2013, a Petrobras investiu 4 bilhões de reais no setor de segurança empresarial. Até 2017, a estimativa é que o valor ultrapasse 21 bilhões de reais.
As informações estratégicas da empresa são armazenadas e criptografadas no Centro Integrado de Processamento de Dados da empresa, localizado no Rio de Janeiro. A gestão do local é feita pela própria companhia, que imputa uma série de mecanismos de restrição ao acesso, como identificação biométrica dos usuários e o controle do peso do funcionário, aferido tanto na entrada quanto na saída.

Foster afirmou ainda que dados de maior importância, como aqueles que tratam da conclusão sobre os poços controlados pela companhia, não transitam pela internet – são entregues em mãos a seus responsáveis.

Foster admitiu, no entanto, que conta com o suporte de 36 empresas em atividades específicas no centro de processamento de dados, das quais dezesseis são brasileiras e catorze americanas. As demais são da Alemanha, Israel, Japão e China. Três das empresas americanas são responsáveis pela criptografia dos dados. Foster, porém, não relacionou as companhias a uma suposta espionagem. “São empresas com grande reputação no mercado e que certamente trabalham para manter essa reputação”, apontou. A falta de empresas brasileiras especializadas no ramo foi usada como justificativa para a importação do serviço.

Marcado para 21 de outubro, o leilão do petróleo do Campo de Libra, cuja disputa será a primeira do pré-sal sob o sistema de partilha, não será afetado por conta das supostas invasões. Foster alegou falta de elementos que justifiquem a não-realização do leilão e reforçou que o pacote de dados para Libra é público e está à venda.