quinta-feira, setembro 19, 2013

Mau sinal: Graduação em química, física e matemática tem queda em 2012.

Exame.com
Mariana Tokarnia, Agência Brasil

Segundo Censo da Educação Superior 2012, além de apresentar queda, o número total de matrículas nesses cursos é inferior ao de outros cursos de ensino superior

Divulgação 
Sala de aula: química, física e matemática são alvo
 do Programa Quero Ser Cientista, Quero Ser Professor

Brasília - Física, matemática e ciências biológicas tiveram queda no número de matrículas na graduação de 2011 para 2012, segundo dados do Censo da Educação Superior 2012. Química, matemática e ciências biológicas tiveram queda no número de concluintes. As quatro áreas são alvo do Programa Quero Ser Cientista, Quero Ser Professor, lançado hoje (18) pelo Ministério da Educação (MEC).

Além de apresentar queda, o número total de matrículas nesses cursos é inferior ao de outros cursos de ensino superior. Enquanto física era cursada por 30,9 mil estudantes, química por 53,1 mil, matemática por 85,5 mil e ciências biológicas por 123,3 mil, administração tinha 833 mil estudantes, direito, 737,3 mil e pedagogia, 603 mil.

Entre os quatro cursos, o que apresentou a maior queda foi ciências biológicas, que passou de 126,9 mil para 123,3 mil, uma diminuição de 2,8% nas matrículas. A queda vem desde 2011, quando 128 mil faziam a graduação.

A graduação em física vinha aumentando em número de matrículas desde 2009, quando tinha 29,4 mil estudantes. No ano passado a queda foi 2,5%. Matemática teve a menor queda, 0,7% de 2011 para 2012. Química foi a única das quatro graduações que teve um aumento, de 1,6%, no número de matrículas.

O número daqueles que entram nos cursos é superior aos que se formam, considerando também o aumento de vagas. No ano passado, física tinha 11,8 mil calouros e 2,6 mil formados. O curso foi o único que apresentou um aumento no número de formados, de 1,75%. O curso de química recebeu 18,2 mil novas matrículas e formou 6,4 mil estudantes - o que representou uma queda de 1,4% no número de formados.

Em matemática, 33,2 mil entraram no curso e 20 mil se formaram. O número de formados teve a maior queda entre os cursos, 14,5%. O número vem caindo desde 2009, quando 23,3 mil se formaram. Já ciências biológicas teve o maior número de calouros, 41,6 mil. O curso formou 20 mil estudantes, uma queda de 3,5% em relação a 2011.

Com poucos universitários, o déficit de profissionais chega às salas de aulas do ensino básico. Segundo o MEC, faltam 170 mil docentes na rede pública nessas áreas.

O censo mostrou também um baixo crescimento nas matrículas de licenciatura, que formam professores da educação básica, o aumento foi 0,8%, enquanto o aumento daqueles que fazem algum bacharelado foi 4,6% e cursos tecnológicos, 8,5%. Entre os cursos presenciais, as licenciaturas representam 19,5% do total de matrículas. Nos cursos de educação a distância, no entanto, representam 40,4% dos estudantes.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Há estatísticas e estatísticas. Há poucos dias, o senhor Mercadante anunciou, com toda a pompa, o crescimento no números de matrículas no ensino superior. Aumento superior a 4,0%. Quando li a notícia, a primeira coisa que me ocorreu foi “em quais cursos este aumento se verificou?” E, depois, fiquei a matutar se este aumento estaria atendendo às necessidades do mercado de trabalho do país.

A verdade é que, já de há algum tempo, temos uma enorme carência de profissionais formados em engenharia e medicina. Já nem falo de professores, em todos os seus níveis, porque isto é fenômeno histórico.

Acima, o leitor tem a prova provada de que o Brasil precisa, de fato, e com urgência, fazer uma verdadeira revolução no seu ensino básico. Química, física e matemática são formações a revelar o mau ou bom estado em que se encontram os níveis iniciais de formação de nossos estudantes. Quanto maior o número de formandos nestas áreas, menor a carência naquelas profissões mais técnicas. Redução nestas áreas revela a má qualidade destes níveis iniciais e acaba resultando naquilo que hoje o Brasil está a padecer: engenheiros e médicos. Assim, antes de comemorar um número vazio que nada representa, deveria o ministro da Educação informar-se melhor, saber se os profissionais que estamos formando atende às necessidades básicas do país. Mas não, claro, Mercadante quer apenas um número vazio, que não acrescenta nada, para esconder que, em mais de dez anos no poder, o PT simplesmente levou a educação brasileira ao seu nível mais medíocre. No palanque, talvez aqueles 4,0% soem bonitinhos, mas diante da realidade daquilo que o país precisa para desenvolver-se são apenas números.   

Depois, o resultado é  precisarmos importar profissionais sem lhes avaliar a formação, e em condições de semi-escravidão como se faz com os médicos cubanos. Nada contra os profissionais, mas sim contra a forma como tal importação está sendo feita, numa completa afronta às nossas leis trabalhistas. E, senhores, num país com 200 milhões de habitantes, não deixa de ser um atestado de falência do seu sistema de ensino precisar importar formandos em medicina e engenharia.