Valor
O Brasil tem hoje a maior dependência de capitais estrangeiros voláteis para fechar suas contas externas desde junho de 1998, quando o país sofria os efeitos da crise asiática. A proporção desses recursos, necessários para cobrir o déficit em conta corrente, chegou a 1,03% do Produto Interno Bruto (PIB) nos 12 meses encerrados em outubro.
As necessidades de financiamento externo, indicador calculado pelo Banco Central, representam a parte do déficit em conta corrente que não é financiada pelos investimentos estrangeiros diretos, um tipo de capital considerado de melhor qualidade porque está menos sujeito a fugas ou paradas súbitas durante crises internacionais.
Até fevereiro, o Brasil tinha posição bem mais confortável, com necessidade de financiamento negativa, que em alguns momentos superaram 4% do PIB. Os investimentos diretos, até então, eram maiores que o déficit em conta corrente. O Brasil sofreu rápida deterioração posteriormente. Nos 12 meses encerrados em outubro, a necessidade de financiamento aumentou em US$ 37 bilhões, ou 1,63% do PIB, comparado ao período equivalente encerrado em outubro de 2012 - saiu de uma taxa negativa de 0,6% do PIB para positiva de 1,03% do PIB. Dessa piora, 85% se devem ao aumento do déficit em conta corrente, de 2,28% para 3,67% do PIB, nos dados acumulados em 12 meses em outubro de 2012 e de 2013. O restante decorre da redução dos investimentos diretos, que caíram de 2,88% para 2,64% do PIB no período.
Em dólares, as necessidades de financiamento externo chegaram a US$ 23,123 bilhões nos 12 meses encerrados em outubro. Para fechar as contas, o Brasil teve que recorrer a capitais de menor qualidade. O principal deles foram os investimentos de estrangeiros em títulos do Tesouro no mercado doméstico. O fluxo foi positivo em US$ 28 bilhões no período. Ajudaram nessa tarefa os investimentos estrangeiros em ações, também voláteis. Liquidamente, ingressaram US$ 13 bilhões, considerando apenas os papéis negociados no país.
Na visão do BC, a dependência de capitais fugazes tende a se reduzir em 2014, já que a projeção é que o déficit externo fique igual ou menor que os US$ 75 bilhões esperados para 2013, enquanto os investimentos diretos devem permanecer na casa dos US$ 60 bilhões.