Ramona Ordoñez
O Globo
Até outubro, déficit na balança com petróleo já chega a US$ 12,7 bilhões
RIO - Com a perspectiva de crescimento no consumo de combustíveis no país, a Petrobras terá que manter fortes os gastos com importações, sobretudo de gasolina e diesel. Como os preços no mercado doméstico continuam defasados em relação aos preços internacionais, a situação do caixa da estatal tende a se agravar no ano que vem. De acordo com relatório do BTG Pactual, se o barril do petróleo cair para US$ 95, a Petrobras vai “queimar” US$ 10 bilhões do caixa com a defasagem dos preços em 2014. Se ficar no patamar de US$ 110, a perda será de US$ 15,4 bilhões.
- O problema é que a Petrobras vem gastando seu caixa, sem recompor. No fim de setembro estava em US$ 26 bilhões, contra US$ 32 bilhões no trimestre anterior - destacou um analista que não quis se identificar.
Segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a gasolina está com uma defasagem de 11,5% e o diesel, de 13,9% em relação aos preços internacionais.
Endividamento maior
Conforme dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) entre janeiro e outubro, o déficit da balança comercial de petróleo e derivados foi de US$ 12,7 bilhões, resultado de uma receita de US$ 17,99 bilhões com exportações e de gastos de US$ 30,7 bilhões com importações.
Segundo o balanço da Petrobras, de janeiro a setembro foram importados 798 mil barris de petróleo e derivados por dia, 4% acima dos 770 mil barris em igual período de 2012. Já as exportações caíram 36%, de 606 mil para 390 mil barris por dia em igual período neste ano.
A falta de uma política de reajuste dos combustíveis e a perspectiva de que o governo continuará controlando os preços para segurar a inflação podem por em risco a capacidade de investimentos da Petrobras. Entre 2013 e 2017, o plano de investimentos prevê US$ 236 bilhões. Segundo analistas da Ativa Corretora, tudo indica que a Petrobras terá que elevar seu nível de endividamento em 2014.
Para Pedro Galdi, da SLW Corretora, além de a alta de 4% para a gasolina e 9% para o diesel ter ficado abaixo do esperado, o preocupante é a falta de uma política de reajuste que garanta a recuperação gradual da defasagem:
- A proposta da diretoria da Petrobras de adotar uma metodologia foi rejeitada pelo governo. Significa que a Petrobras continuará a ter prejuízos por causa da ingerência do governo.