João Pedro Caleiro
Exame.com
IBGE mostrou que 9,6 milhões de pessoas, ou em cada cinco jovens do país, não estudam nem trabalham
Sanja Gjenero / Stock Xchng
Mulher andando sozinha na praia:
70% dos "nem-nems" são mulheres
São Paulo - Com desemprego baixo e escolaridade média em alta, o que leva um jovem brasileiro a optar por não trabalhar nem estudar? Maternidade é uma das principais respostas.
De acordo com os últimos dados do IBGE, o Brasil tem hoje 9,6 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos que não estão nem no mercado de trabalho, nem no sistema de ensino.
É o equivalente a 19,6% do total desta faixa etária - ou cerca de um a cada cinco jovens. A proporção vai de 15% no Sul a 23,9% no Nordeste.
Mulheres
7 a cada 10 dos chamados "nem-nems" são mulheres, e a maternidade parece ser o principal fator que explica a discrepância: 58,4% das mulheres neste grupo tinham pelo menos um filho.
Das "nem-nem" mais velhas, de 25 a 29 anos, 74% já são mães.
A opção delas de ficar em casa com os filhos reflete um custo de oportunidade, já que as vagas de creche são insuficientes para atender a demanda. Atualmente, apenas 2 em cada 10 crianças de até 3 anos frequentam creche.
Aparece aí também uma diferença de renda relevante: no caso das famílias mais pobres, a vaga na creche particular pode sair mais cara do que o eventual salário que aquela mãe poderia ganhar se voltasse ao mercado de trabalho.
A proporção de crianças com idade entre 2 e 3 anos que frequentavam creche era quase o triplo para o quinto da população mais rica (63%) em relação ao quinto mais pobre (21,9%).
Educação
Os dados também mostram que a maternidade precoce pode ter efeito sobre a educação: quanto antes chega o filho, maior a chance de uma mulher deixar os estudos.
Na faixa dos jovens entre 15 e 17 anos, por exemplo, 88,1% das mulheres sem filhos estudavam. Entre as que tinham um filho ou mais, só 28,5% continuavam na escola.
Como mais anos na escola geralmente significam uma maior renda no futuro, de acordo com vários estudos, as consequências podem ser ainda piores no longo prazo.
Escolaridade
O perfil educacional dos "nem-nems" acompanhou a melhora da escolaridade geral do brasileiro. Em 2002, praticamente metade dos "nem-nems" tinha fundamental incompleto, índice que caiu para 32,4% em 2012.
Já a proporção de nem-nems com ensino médio completo foi de 25,5% em 2002 para 38,6% no ano passado. Apenas 5,6% dos nem-nems tem ensino superior completo ou incompleto.
Mercado de trabalho
No curto prazo, o número pode refletir também a situação do mercado de trabalho. Se as empresas sinalizam que não estão contratando, isso também desestimula as pessoas a procurarem emprego.
Os dados do IBGE de outubro mostraram que a população não-economicamente ativa, que não está empregada nem procurando emprego, cresceu 3% em um ano, primeiro aumento desde o início de 2010.
