Guilherme Dearo
Exame.com
É da longínqua província de Punjab, no Paquistão, que as Brazucas estão vindo direto para a Copa do Mundo - mulheres vestindo niqabs trabalham na produção
REUTERS/Sara Farid
Mulher paquistanesa produz bola da Copa do Mundo
São Paulo - O Paquistão não está - nem nunca esteve - em uma Copa do Mundo. Está na 159ª posição no ranking da Fifa.
Mas o sonho da Copa depende - e muito - dos paquistaneses.
O motivo? As bolas que Neymar e Messidesejam empurrar para o fundo das redes daqui a algumas semanas vêm de lá.
A Adidas têm uma fábrica na Alemanha produzindo bolas oficiais, mas também produz componentes da bola e também bolas inteiras na China e no Oriente Médio.
A atual grande fornecedora da Brazuca para a Adidas é uma fábrica em Sialkot, na província de Punjab, quase fronteira com a Caxemira.
É uma cidade grande, de 450 mil habitantes, com forte centro industrial - se destacando, justamente, na produção de bicicletas e materiais esportivos.
É histórico por lá, também, as manufaturas de couro. Na época do domínio britânico, já era tradição local consertar as bolas de futebol furadas dos soldados ingleses.
Brazuca made in Paquistão
Mulheres trabalham no Paquistão em fábrica de bolas da Copa do Mundo
A Reuters visitou a fábrica, chamada Forward Sports.
O dono, Khawaja Akhtar, conta que decidiu entrar no negócio após ver a multidão da Copa de 2006, na Alemanha.
"As pessoas cantavam ao meu redor. Eu só pensei 'Essa coisa é real, eu quero fazer parte dessa multidão'. Nunca tinha sentido aquilo antes", disse Akhtar à Reuters.
A fábrica também produz as bolas da Bundesliga, da Champions League e da liga francesa.
Somente no ano passado ele conseguiu fechar o contrato para produzir as bolas. A oportunidade veio depois que a fornecedora chinesa disse à Adidas que não conseguiria entregar o pedido.
A primeira visita da Adidas à manufatura foi um desastre. Eles disseram que Akhtar tinha equipamentos "da Idade da Pedra".
Foi o filho dele, Hassan Massod Khawaja, quem topou o desafio de construir novas máquinas em pouco tempo e satisfazer as exigências da Adidas.
O empreendimento de Ahktar, agora, tem 1400 funcionários.
Mulheres de véu
Cerca de 25% da força de trabalho da fábrica é composta por mulheres.
Elas usam niqab, um tipo de véu islâmico. Apenas os olhos estão descobertos.
Muitas delas disseram à Reuters que são as primeiras mulheres de suas famílias a trabalhar.
As condições de trabalho no local não são péssimas. Os trabalhadores recebem cerca de 100 dólares por mês, um salário mínimo local.
Eles também têm seguro social, seguro de vida e vale-transporte.
Shakila Ashrafi, de 38 anos, já sabe exatamente o que fazer com seu salário: comprar uma televisão e tentar assistir à Copa do Mundo, em 12 de junho.
Apesar da paixão nacional ser o críquete, agora todos querem ver futebol, segundo Shakila.
"Vou juntar todo mundo para ver o jogo. Eu quero ver o que fizemos, quero ver onde foi parar as bolas que fiz", disse.
Homem trabalha na fábrica de bolas da Copa no Paquistão

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