quarta-feira, maio 21, 2014

CADA VEZ PIOR: Hospitais de Caracas suspendem cirurgias por falta d’água

Veja online
Com informações Agência EFE

Cidade enfrenta racionamento de água há quase um mês. Médicos relatam péssimas condições de trabalho e alto risco de infecções por falta de higiene

(AFP) 
Maduro durante entrevista coletiva  

A crônica falta de água que atinge Caracas está prejudicando o funcionamento dos hospitais da cidade, reporta o jornal El Universal nesta terça-feira. No último sábado, uma série de intervenções cirúrgicas na Maternidade Concepción Palacios foram suspensas pela falta de água, disse Moraima Hernández, médica da instituição. Na Clínica da Universidade, o médico José Manuel Olivares disse que entre terça e quinta-feira da semana passada o funcionamento normal do centro de saúde foi afetado e muitos procedimentos foram suspensos.

No Hospital Vargas, durante a semana passada, enfermeiras tiveram de lavar as mãos com soro para atender os pacientes. Os parentes dos pacientes passaram a comprar garrafões de cinco litros de água para levar para os enfermos e para a equipe médica. Funcionários do hospital encheram toneis para garantir os serviços de limpeza, mas indicaram que há risco para a saúde quando o serviço de limpeza é interrompido pelo desabastecimento de água. A enfermeira Karina Berroteran enfatiza que o risco de infecção é latente. “Para tomar banho, esperamos a retomada do serviço”, disse o paciente Eunises Mijares.

Giovanni Provence, especialista em traumatologia da instituição, disse ter limitações para colocar gesso e avaliar lesões dos pacientes por meio do raio-X. Ele explicou que as máquinas necessitam de água para fazer as imagens. “Há um desperdício de insumos, porque estamos usando soro para as medidas de assepsia", lamentou. O médico advertiu que três pacientes foram hospitalizados com suspeita de osteomielite, uma infecção grave causada por má higiene na hora de esterilizar materiais como pregos e parafusos que são usados nos procedimentos cirúrgicos ortopédicos. Num hospital no bairro de Lídice, na zona norte de Caracas, até ontem os pacientes foram afetados pela falta de água.  A médica Rosa Torrealba disse que a água voltou, mas tem baixa pressão e os andares superiores do hospital são servidos de forma irregular.

O governo da Venezuela anunciou no início de maio um plano de racionamento em Caracas que deixa parte das seis milhões de pessoas sem acesso à água por até três dias por semana. O plano de emergência é necessário para contornar a severa seca que o país enfrenta, disseram as autoridades. Carlos Ocariz, prefeito do distrito de Sucre, reclamou que nenhum reservatório foi construído durante os 15 anos de governo do partido do presidente Maduro. Ele também alertou que um plano de economia de água devia ter sido anunciado meses atrás. "Nós não precisávamos esperar as coisas chegarem a esse ponto para começar a agir", escreveu, em comunicado.

Diálogo 'quente' – Enquanto a população de Caracas padece com a falta de água, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse não acreditar que o diálogo com a oposição esteja “congelado”, como disseram seus adversários, e que, pelo contrário, está mais “quente” do que nunca e a prova disso é a reunião que manteve nesta segunda-feira com prefeitos e governadores de todas as tendências.

Carlos Garcia Rawlins/Reuters 
O acampamento de manifestantes anti-governo foi desmantelado pela 
Guarda Nacional Venezuelana em frente à sede da ONU, em Caracas  

Maduro também agradeceu o “tremendo papel” da missão de chanceleres da União das Nações Sul-americanas (Unasul) no acompanhamento do diálogo político, assim como o do Vaticano e a participação do núncio apostólico. Os ministros das Relações Exteriores de Brasil, Luiz Alberto Figueiredo; Colômbia, María Ángela Holguín, e Equador, Ricardo Patiño, e o núncio Aldo Giordano se reuniram ontem com a oposição e o governo para tentar reativar o diálogo. As negociações entre os diplomatas e os venezuelanos prosseguem nesta terça. No encontro de ontem, a aliança de oposição entregou um resumo com “todos os detalhes” que a levaram a paralisar o diálogo.

A Venezuela vive desde 12 de fevereiro uma onda de protestos contra o governo que, em algumas ocasiões, terminaram com incidentes de violência e deixaram até o momento 42 mortos, cerca de 800 feridos e centenas de detidos. Os manifestantes protestam contra a alta violência, a inflação, o desabastecimento de produtos básicos e por liberdade de expressão.