quarta-feira, maio 21, 2014

Ministro do STF diz que mudou de opinião após alerta de juiz sobre risco de fuga dos presos.

Cleide Carvalho e Carolina Brígido
O Globo

Apenas Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, foi solto
Também foi mantido preso Renê Pereira, acusado de tráfico de drogas

Givaldo Barbosa / O Globo - 27/02/2014 
O ministro Teori Zavascki 

SÃO PAULO e BRASÍLIA - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, reconsiderou nesta terça-feira parcialmente a decisão tomada ontem, de libertar todos os presos da Operação Lava-Jato, e manteve a prisão os doleiros Alberto Youssef, Raul Henrique Srour, Nelma Mitsue Penasso Kodama e Carlos Habib Chater, além de Renê Luiz Pereira, acusado pelo Ministério Público Federal de movimentar recursos do tráfico de drogas. No total, agora, 11 pessoas estão presas - 10 no Brasil e uma na Espanha. Há ainda um foragido. Teori disse no início da tarde que mudou sua decisão por temer risco de fuga dos presos, como alertou o juiz do Paraná, Sergio Moro.

- O juiz disse que tinha (risco). Sem conhecer, não quero tomar decisões precipitadas - alegou Teori.

Teori explicou que por enquanto apenas o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa pode ficar solto.

- Por ora esses que o juiz informou que têm envolvimento com o trafico de drogas vão ficar presos. Esses que estão presos por causa das quatro ações e o que esta solto continua solto.

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa deixou na segunda-feira a sede da Polícia Federal em Curitiba. Apesar de ter saído da cadeia, Costa está proibido de deixar a região onde reside. O passaporte do ex-diretor da estatal foi entregue hoje à Justiça pelo advogado. Ele informou que Costa tem duas casas, uma na Barra da Tijuca, no Rio, e outra em Itaipava, região serrana do estado.

Teori afirmou ainda que ainda analisará se vai levar o tema da operação Lava-Jato ao plenário do STF.

- Depois que eu receber (os processos) eu vou ver. Tem que ouvir o Ministério Público, que tem que participar disso.

Segundo Teori, a Justiça Federal do Paraná apresentou informações complementares sobre os processos e decretos de prisão e, por isso, decidiu manter as decisões tomadas pela 13ª Vara Federal cautelarmente. Manteve, porém, a decisão de que todos os processos sejam encaminhados ao STF, apesar de nem todos envolverem autoridades com direito a foro privilegiado.

Permanecem também presos Carlos Alexandre de Souza Rocha, André Catão de Miranda, André Luis Paula dos Santos, Ediel Viana da Silva e Mária de Fátima Stocker, esta última na Espanha. É considerado foragido Sleiman Nassim el Kobrossy.

O ministro do STF havia mandado suspender todos os processos da Operação Lava-Jato, da PF, e mandou soltar 12 reús, incluindo o doleiro Alberto Youssef, além de Costa. Segundo a argumentação do juiz, o caso deveria ter sido enviado ao Supremo quando as investigações atingiram deputados federais, que têm foro privilegiado, como o deputado André Vargas (sem partido-PR), que era vice-presidente da Câmara pelo PT.

Na segunda-feira, o juiz da 13ª Vara de Curitiba, Sérgio Moro, que estava à frente dos processos, alertou para o risco de fuga dos réus.