sexta-feira, agosto 08, 2014

ERA SÓ O QUE FALTAVA: Cristina Kirchner culpa Brasil por queda de PIB argentino

Felipe Gutierrez
Folha de São Paulo

A presidente Cristina Kirchner disse que a recessão pela qual a Argentina passa não é isolada de outras nações e citou o baixo crescimento do Brasil como uma das razões pelas quais seu país teve dois trimestres seguidos de recuo econômico.

"O Brasil tem crescimento previsto de 1,3% em 2014 e é o nosso principal sócio comercial", afirmou em discurso, aludindo à projeção do FMI. Ela citou um desempenho ruim da indústria automotiva brasileira e disse que isso tem efeitos nas exportações argentinas de autopeças.

Cristina afirmou que estava respondendo a críticos que dizem que o impasse da dívida e o calote técnico vão ter efeitos na economia do país.

O que está acontecendo na Argentina?

Zoraida Diaz - 14.mai.1995/Reuter
A Argentina começou a década de 1990 com hiperinflação. 
Durante o governo Menem, para conter a inflação alta, lançou o
 Plano de Conversibilidade: um peso valia US$ 1. Para crescer, se endividou...

Sobre esse tema, a presidente afirmou que seu colega americano, Barack Obama, poderia interceder pela Argentina, pois teria a prerrogativa de intervir em decisões de juízes americanos.

O juiz Thomas Griesa, de Nova York, congelou os pagamentos argentinos a parte dos credores enquanto o país não fechar acordo com todos que têm títulos de sua dívida.

Segundo Cristina, há um precedente do próprio fundo NML, que derrotou a Argentina na Justiça dos EUA: "Quando o mesmo fundo 'abutre' quis embargar os fundos do Congo, um deputado republicano interveio". 
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..durante crise econômica, em 2001, o país vizinho acabou parando 
de pagar suas dívidas. Parte dessas dívidas era na forma de títulos
 - papéis que o governo oferece a investidores para se financiar...


RECURSO
Mais cedo, o governo argentino informou que o país havia entrado com umaação na Corte Internacional de Justiça, em Haia, contra os EUA.

A professora de direito internacional da Universidade de Buenos Aires Sandra Negro explica que o ato é uma instância preliminar. Os EUA não aceitam a jurisdição da corte internacional, que não dispõe de meio coercitivos para aplicar suas decisões.

Nesta sexta (8), haverá audiência convocada pelo juiz Griesa, às 16h (hora de Brasília) em Nova York, para tratar das "recentes declarações" do governo argentino. 

...em 2005 e 2010, país procurou credores e ofereceu valores menores. 
Os que não aceitaram renegociar, e detinham 8% dos papéis,venderam  
os títulos a "abutres" --que compram dívidas por preços baixos..


...só que a decisão da Justiça pode se estender a outros credores que também
 não aceitaram renegociar, o que elevaria a dívida a US$ 15 bilhões, mas o 
governo só tem cerca de US$ 30 bilhões de reservas...