O Globo
Com informações Agência Reuters
Medicamento a base de tabaco levou a melhoras no quadro de cidadãos dos EUA
ZOOM DOSSO / AFP
Grupo de mulheres em Monróvia, capital da Libéria,
reza pelo fim da epidemia de ebola no país
GENEBRA - A droga experimental ZMapp, produzida pela empresa de biotecnologia Mapp, usada para tratar um médico e uma missionária americanos infectados com o vírus ebola, na Libéria, levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a considerar tornar este tratamento disponível em larga escala. Nesta quarta-feira a OMS sedia uma reunião de emergência de dois dias para decidir a reação internacional á doença que já matou quase mil pessoas na África ocidental.
“Estamos em uma situação incomum diante deste surto. Temos uma doença de alto índice de letalidade, sem nenhum medicamento ou vacina para combatê-la. Precisamos perguntar aos especialistas em ética médica o que é a coisa mais responsável a fazer”, disse em nota a diretora adjunta da OMS, Marie-Paule Kieny.
A declaração da OMS ressalta que o padrão ouro para a aprovação e uso de novos medicamentos envolve uma série de testes em humanos, para garantir a segurança do medicamento. Não há remédio ou vacina registrados contra o vírus, mas há diversos em desenvolvimento.
O ZMapp ainda não foi aprovado para uso em humanos nem passou pelo processo de testes clínicos com padrões de segurança e eficácia. Com a recente experiência no médico e na missionária o medicamento pode cair em "uso compassivo" na regulação do FDA, agência que regulamenta medicamentos e alimentos nos EUA, o que significa que seu uso pode ser permitido ainda na fase de investigação. O tratamento administrado nos americanos consiste em anticorpos monoclonais que impedem o vírus de entrar e infectar novas células, mas só tinha sido testado em animais até agora.
A OMS tem sido criticada pela resposta lenta ao surto, o mais letal e disseminado em quatro décadas na história da doença. Na terça-feira, três dos maiores especialistas em ebola pediram que a droga experimental fosse dada a outros pacientes e disseram ser necessária uma resposta mais forte. Eles disseram que a OMS “era a única instância com autoridade internacional” para permitir o uso de tratamentos experimentais.
