sexta-feira, agosto 08, 2014

Toda entrevista de Dilma Rousseff virou uma espécie de comédia stand up, em versão política. Divirtam-se.

Carlos Newton
Tribuna da Internet


Com toda certeza, a presidente Dilma Rousseff é uma espécie de Seinfeld de saias, especialista em stand up comedy, fazendo graça o tempo todo. Cada vez que ela fica em pé diante de um microfone, podemos contar com um show imperdível, em que a governante brasileira sempre se enrola toda, começa as frases e não as termina, num espetáculo verdadeiramente hilariante e sensacional.

Ontem, após participar de sabatina organizada pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, a candidata do PT tentou desqualificar a denúncia da revista Veja de que parlamentares da base aliada repassaram perguntas da CPI aos dirigentes  da Petrobras,  para que treinassem as respostas que dariam à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de corrupção na estatal.

O Palácio do Planalto não é expert em petróleo e gás. O expert em petróleo e gás é a Petrobras. Queria que você [jornalista] me dissesse quem elabora perguntas de petróleo e gás para a oposição. Perguntas sobre petróleo e gás, só um lugar ou em vários lugares no Brasil: na Petrobras e em todas as empresas de petróleo e gás. Eu acho estarrecedor que seja necessário alguém de fora da Petrobras formular perguntas para eles [diretores]”.

Ele tentou defender a presidente da Petrobras, Graça Foster, e sua diretoria, mas ficou parecendo uma crítica aos diretores da estatal, por precisarem de ajuda dos parlamentares da base aliada para deporem na CPI.

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Outro raciocínio dela, sobre comércio exterior: “Precisamos cada vez mais cooptar e captar novas fronteiras tanto na Ásia quanto no Oriente Médio“.

Mas o que significa “cooptar e captar novas fronteiras?

Ainda sobre comércio exterior. “É importante vocês saberem que há uma restrição na União Europeia em receber propostas de acordos comerciais, pois esses países atribuem acordos a crises. Apesar disso, estamos prontos para apresentar nossa proposta conjunta com Argentina, Paraguai e Uruguai.

Será que ela não estava querendo dizer o contrário: que os europeus atribuem crises de sua produção agrícola a acordos comerciais firmados pela União Europeia?

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Depois, falou sobre a proteção ao setor agropecuário nacional. “Não é um processo em que a gente apenas asssegure a qualidade da produção, é um instrumento fundamental de comércio agropecuário. Eu assumo aqui o compromisso de reforçar nossa defesa agropecuária, ela está hoje aquém do nosso País.

Mas o que significa reforçar nossa defesa agropecuária?

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O etanol de cana terá que ser competitivo com o etanol de milho [dos Estados Unidos]. A política do governo é ajudar nessa competitividade. Junto com Anfavea [Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores] estamos estudando a possibilidade de ampliar de 25% para 27,5% a mistura do etanol na gasolina. O setor passou por uma crise de sobreprodução no início da crise financeira. Esse processo de crise sistematicamente será absorvido. Estruturas de financiamento mais favoráveis vão garantir ampliação da nossa produtividade”, argumentou Dilma.

Crise de sobreprodução no início da crise financeira? Mas o que será isso? E ninguém riu da piada?

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Sobre a possibilidade de o Tribunal de Contas da União (TCU) rever a decisão sobre o caso da compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e pedir o bloqueio dos bens da presidenta da Petrobras, Graça Foster.

Você [jornalista] já julgou? Acho que, se não houve julgamento, não há constrangimento nenhum. Peço para não me fazer uma pergunta sobre julgamento que não aconteceu”, respondeu.

Mas o que será que Dilma Rousseff tentou dizer ao afirmar que sem julgamento, não há constrangimento? É por isso que la nave va, sempre fellinianamente.