Lourival Sant'anna
O Estado de S. Paulo
Grupo palestino diz que Israel se recusou a acabar com bloqueio a Gaza e a libertar presos
O Hamas anunciou nesta quinta-feira que não prolongará a trégua com Israel na Faixa de Gaza. Segundo o grupo, os israelenses não estavam dispostos a cumprir suas exigências: acabar com o bloqueio a Gaza e libertar presos palestinos.
Israel se mostrava propenso a continuar a trégua e a um acordo de cessar-fogo permanente, mas o Hamas e seus aliados palestinos insistiram até o último momento no cumprimento de suas duas condições, durante as negociações realizadas no Cairo. No início da madrugada desta sexta-feira, dois foguetes foram lançados contra Israel, sem deixar feridos.
“Os objetivos do Egito são estabilizar e estender a trégua com a concordância de ambos os lados, começar negociações para cessar fogo e relaxar as restrições na fronteira”, enumerou um funcionário egípcio, citado pela agência Reuters.
Israel mantém o bloqueio aéreo, terrestre e marítimo da Faixa de Gaza desde 2007, quando o Hamas assumiu o poder, após expulsar a facção moderada Fatah. O Egito impôs um bloqueio em 2013, depois que os militares depuseram a Irmandade Muçulmana, aliada do Hamas.
Uma escalada de disparos de foguetes da Faixa de Gaza desencadeou a ofensiva israelense no dia 8. A trégua de 72 horas, a primeira que foi efetivamente observada, começou às 8 horas locais de terça-feira.
Cansados de ficar em casa ou nos abrigos da ONU após um mês de conflito, muitos moradores de Gaza saíram às ruas ontem, para trabalhar e fazer compras. A eletricidade – e, com ela, água, bombeada com energia elétrica – voltou parcialmente.
O Hamas e outras facções palestinas aproveitaram a trégua e promoveram um comício para celebrar e suposta vitória sobre Israel. Milhares de simpatizantes pediram ao Hamas que “bombardeie Tel-Aviv”.
Analistas dizem que a popularidade do Hamas, antes em queda, aumentou com a guerra. Não houve ainda uma pesquisa de opinião que mensurasse os ânimos dos moradores da Faixa de Gaza: do 1,8 milhão de habitantes do território, 500 mil estão refugiados em escolas da ONU. Segundo o Ministério de Obras Públicas e Habitação do Hamas, 5.510 moradias foram destruídas e 30.920, danificadas.
Segundo um oficial israelense ouvido pela Reuters, os cerca de 9 mil foguetes que o Hamas possuía antes do conflito foram reduzidos a “pouco mais” de 3 mil, a maioria de curto alcance – menos de 40 km. O Hamas afirma ter capacidade de fabricar localmente todos os seus foguetes, incluindo o mais sofisticado deles, o M75, com alcance de 75 km. Mas o oficial observou que o Hamas vai levar “meses” para repor os estoques. Israel afirma também ter destruído mais de 30 túneis na Faixa de Gaza. O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza afirma que 1.847 palestinos foram mortos, a maioria civis. Do lado israelense, morreram 64 militares, além de 3 civis.
Dois homens encapuzados invadiram após a meia-noite (18 horas de ontem em Brasília) o apartamento alugado pela reportagem do Estado na Cidade de Gaza e examinaram as imagens em sua câmera. Queriam saber se o repórter havia registrado algo que aparentemente não queriam que fosse divulgado. A sacada do apartamento dá para o Mar Mediterrâneo.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Não é possível que a comunidade internacional, em sua grande maioria, continue aceitando, passiva e silenciosa, a ação imprudente do Hamas, até aqui, único culpado pelas centenas de mortes de palestinos. É fácil acusar Israel por ter um exército mais bem aparelhado e treinado. Contudo, de todas as tentativas de se buscar um diálogo em busca da paz, de todas as ofertas de trégua, o Hamas se mostrou intransigente, inflexível. Prefere ver a morte de centenas de civis a se dobrar diante da evidencia de que não pode mais impor seu terror impunemente e continuar despejando bombas no país vizinho.
Agora, novamente, se nega em dialogar e até em estender uma trégua que é de cunho humanitário. Israel, num gesto elogiável, retirou inclusive suas tropas da Faixa de Gaza, acenando com tal gesto, sua disposição em buscar um acordo de paz.
Portanto, a comunidade internacional, e somente ela, deve pressionar os dirigentes do Hamas a por um basta neste derramamento de sangue sem sentido da população civil. E deve, também, deixar de considerar o Hamas o inocente coitadinho que está sendo destruído pelo inimigo cruel. Doravante, portanto, que o Hamas seja o único culpado e seja responsabilizado pelas mortes de palestinos que venham ocorrer neste confronto. Talvez, pressionado, e vendo ruir sua propaganda imbecil, os dirigentes do Hamas tomem consciência de sua estupidez.