Tribuna da Internet
José Roberto Gomes, Estadão
Dilma Rousseff parece ser do tipo Ofélia, a mulher do Fernandinho da TV: “Só abro boca quando tenho certeza“
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A presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Elizabeth Farina, rebateu uma declaração da presidente Dilma Rousseff, que em entrevista após sabatina na Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) disse que o etanol de cana do País precisa competir com o combustível feito a partir do milho nos Estados Unidos.
“Mais de 90% do hidratado produzido no Brasil é destinado ao mercado interno. É a desoneração da gasolina, e não o etanol de milho, que afeta a competitividade do hidratado”, afirmou. Para a executiva, Dilma se mostrou “desinformada” sobre a questão.
OUTRA MANCADA
Ainda na coletiva de imprensa, Dilma disse que “aumentar a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) para qualquer setor impacta no que se chama arrecadação de tributos”. Farina voltou a defender a volta do imposto sobre o combustível fóssil. “Por que achamos que a Cide é importante? Porque há uma externalidade negativa no mercado de gasolina. Temos de tributar aquilo que gera um custo estendido”, como emissões de gases que causam o efeito estufa, explicou.
A Cide, que incidia até 2012 sobre a importação e a comercialização de petróleo e derivados, gás natural e álcool etílico combustível, foi zerada pelo governo federal como forma de compensar o reajuste nos preços da gasolina e do diesel e evitar que a alta fosse sentida pelo consumidor. A Cide zerada, contudo, é uma das principais críticas do setor sucroalcooleiro, que alega que isso tira a competitividade do etanol.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É estranho ver uma empresária defender impostos, mas no caso da CIDE, sem a cobrança dessa taxa a gasolina fica equiparada ao álcool,que é um combustível renovável, legitimamente nacional e mesmo agressivo ao meio ambiente. Quanto à presidente Dilma, ela já mostrou que é como a Ofélia, mulher do Fernandinho, nos programas humorísticos, aquela que diz: “Só abro a boca quando eu tenho certeza”.(C.N.)
