Adelson Elias Vasconcellos
Os governos Lula e Dilma foram, sem dúvida, muito hábeis na construção do imaginário popular de um Brasil altaneiro, livre de carências, onde tudo funciona às mil maravilhas, onde não há roubo, corrupção e violência, onde a saúde pública é perfeita, as estradas são de primeiro mundo, onde a miséria e a pobreza foram extintas, onde nossas crianças estudam em escolas estalando de novas, com todo o conforto e com o melhor padrão de qualidade.
Mas foram mais longe. Conseguiram incutir nos mais desinformados e mal formados a ideia de que quem quer que fosse que contrariasse esta visão surreal seria inimiga do país. Quem quer que fosse que se atrevesse em apontar que a realidade era muito diferente era uma elite rancorosa e preconceituosa contra os pobres, contra os nordestinos, que só sabiam explorar os menos favorecidos, que não queriam ver o Brasil altaneiro do imaginário voando céus de brigadeiro do progresso, do desenvolvimento.
Segundo o roteiro desenhado pelos mentores deste Brasil fantasia, o país só se tornou independente depois que o PT chegou ao poder. Antes dos pais da pátria da ilusão, só havia trevas. E ai de quem se atrevesse a criticar aquela maravilha: seria imediatamente levado à fogueira da inquisição por blasfêmia.
Tivessem um mínimo de formação ou conhecimento da história da humanidade, e este povo todo deitado no sono da ilusão facilmente identificaria ali o mesmo método empregado por tiranias como o comunismo na antiga ex-União Soviética, ou fascismo – que era um filhote piorado do socialismo -, de Mussolini, ou o mais cruel de todos os regimes tirânicos do século passado, o nazismo de Adolfo Hitler, responsável pelo massacre, extermínio e assassinatos de milhões. Não que Stálin tenha sido na extinta União Soviética menos tirânico. Pelo contrário. Ele matou muitos milhões a mais, e degredou outros tantos para “férias permanentes” na gélida Sibéria.
Na raiz da construção destes regimes está não apenas o fanatismo ideológico da conquista do poder pelo poder de seus condutores. Está, também, a imensa simpatia e apoio popular que receberam, num tempo em que a comunicação ainda não tão rápida, fácil e acessível quanto hoje. A probabilidade de uma informação oficial deturpada ser derrubada era muitíssimas vezes mais difícil. Talvez dentre todos os tiranos, Hitler foi o que melhor soube usar a máquina do Estado para irradiar uma propaganda de sustentação popular.
Atualizando-se os métodos para o nosso tempo, desde que chegou ao poder, o PT construiu uma imensa máquina de propaganda que, se de um lado servia para lhe dar sustentação popular, por outro, contribuía para a construção do sentimento de medo em relação aos adversários. E neste sentido, todas as estatais se tornarem meros aparelhos do partido, bilionárias verbas públicas foram despendidas para azeitar a máquina oficial de engrandecimento do Brasil fantasia e demonização de adversários e críticos.
Quando vejo o imenso apoio recebido por Lula em 2006 e Dilma em 2010, fica fácil perceber como é possível manipular a opinião pública com mentiras, com fantasias e mistificação. Daí porque, especialmente Lula mas, de modo geral, todos os petistas odeiam e abominam a liberdade de imprensa. Quanto mais uma imprensa que atua em todo o território nacional, e tão multifacetada como a brasileira. Fica quase impossível tentar comprar o silêncio e a cumplicidade de tantos , espalhados ao longo de um país com as nossas dimensões continentais. Se olharmos para vizinhos que se assemelham à ideologia petista, veremos o quanto a imprensa em países como Argentina, Equador, Venezuela atuam de maneira opressiva contra órgãos de imprensa e jornalistas que não se submetem ao tacão da tirania instalada. São perseguidos, presos sem motivo e sem julgamento, além das ações de sufoco financeiro por parte destes governos. Menos mal que as tentativas várias do PT em querer reinstalar o controle da imprensa entre nós foram em vão. Nossa democracia, nossas instituições e nosso amadurecimento como sociedade livre são coisas muito fortes e bem mais evoluídas do que Argentina, Venezuela e Equador.
A campanha eleitoral deste ano, cópia fiel e autêntica das campanhas de 2006 e 2010 e, sob o ponto de vista do terrorismo e mentira qualifica-se como superiores, atesta que ao PT não interessa governar um país de cidadãos livres e donos de seu destino. Pelo contrário. Quanto mais dependentes do Estado melhor. Quanto mais desinformados e mal formados, melhor. Quanto mais submissos ao Estado tirânico mais seu poder de mando aumenta.
Ao longo destes 12 anos, o PT construiu uma história de fraudes. Fraudou a história, desqualificando o governo de Fernando Henrique, quando deveria era agradecer-lhe todos os dias pelo serviço que prestou ao país e, em última instância ao próprio PT. Primeiro, ao colocar ordem no caos das contas públicas que havia, ao inaugurar uma rede proteção social que, ao lado do controle da inflação, reinseriu milhões de brasileiro tanto no mercado de trabalho quanto no de consumo, além de haver contribuído diretamente para que os indicadores ruins da nossa desigualdade social, pela primeira vez na história, começassem a declinar.
Fernando Henrique entregou a Lula um Brasil governável e ajustado. E Lula só se elegeu em 2002, e conseguiu espaço para governar a partir de sua Carta aos Brasileiros em que renunciava toda a pregação patética que seu partido fez enquanto esteve na oposição, jurando dar continuidade aos primados econômicos que haviam conquistado e sustentavam nossa estabilidade. Porém, os mil demônios que povoam seu pensamento, acabaram envenenando seu tirocínio.
O Brasil organizado e preparado para crescer fora, ainda, aquinhoado pelos bons ventos da economia mundial. E Lula achou que os efeitos deste bom momento lá fora era fruto de seu governo. E, ignorando tudo o que fizera em seu primeiro mandato, achou que era o momento oportuno para retornar às velhas teorias do populismo anárquico. Já tendo montado uma organização criminosa em várias áreas da esfera federal, inclusive estatais e fundos de pensão, quis estender seus tentáculos sobre a vida nacional. Impedido de buscar um terceiro mandato, achou que Dilma que seria o exemplar perfeito para cumprir um tempo de estágio como seu clone, preparando assim sua volta em triunfo. Tudo seria perfeito se...
... Se tivesse combinado com o velho mundinho lá fora. A crise financeira de 2009 arruinou o crescimento da economia mundial. Como o Brasil, da economia estabilizada, não fora obra do petista, Lula não soube ler na mudança dos ventos que o país precisava reformar-se estruturalmente. Não tendo o livro de receitas na mão, entendeu que o modelo consumista seria apropriado para embalar seus sonhos de grande estadista. Dilma, que o sucedeu em seguida, vendo que o modelo produzira efeitos positivos até na sua eleição, quis ir mais além. Quis mudar os conceitos que nos garantiram o fim da inflação e aberto os caminhos para o desenvolvimento, implementando a tal “nova matriz macroeconômica”, sem contudo mexer nos fundamentos do próprio estatismo de que era defensora.
Deu tudo errado. A começar pelo voo de galinha que o modelo consumista representa num país de renda baixa, impostos altos que retira da produção interna capacidade de competição e, no berro, sem a devida adequação do ambiente interno, tratou de intervir na economia da maneira mais estabanada possível. Primeiro, obrigou o Banco Central a baixar os juros na marra. Depois, numa medida populista, eleitoreira e demagógica interviu no mercado elétrico, escolhendo o pior momento para fazê-lo. Depois, com o retorno da inflação em níveis preocupantes, tratou de represar os preços dos combustíveis, provocando quebradeira geral no ramo sucroalcooleiro e um desastre monstruoso nas finanças da Petrobrás. A estas medidas, e vendo-se compelida a abrir os investimentos em infraestrutura ao investidor privado – já que o setor público esgotara sua capacidade de investimentos nesta área – editou para tanto marcos regulatórios que mais serviram para espantar do que para atrair o capital privado, porque num surto de asneira, pretendeu tabelar o lucro das empresas.
Com menor tato político do que Lula, mas sentindo-se a poderosa rainha da fortuna e da felicidade, Dilma achou que poderia permanecer no poder, cujos feitiços lhe alimentaram ainda mais o ego exacerbado, e não quis ceder a vaga pra Lula, apesar dos apelos do partido.
Dilma, ao contrário de todo o discurso de Lula e do PT, passou a ser a própria ruína do projeto de poder petista. Seu governo medíocre, praticamente, desconstruiu todos os castelos de areia que foram sendo criados cuidadosamente desde 2003. O povo, vendo seu poder de compra cada vez menor, percebeu a degradação cada dia maior dos serviços básicos. Aquele torpor que cegava a todos foi perdendo seu efeito e as pessoas começaram a perceber que o mundo real diferia muito do imaginado pela propaganda. Vendo-se ameaçado em perder o poder, o petismo adotou com maior ênfase as mesmas táticas de campanhas passadas, numa tentativa desesperada de ressuscitar o velho encantamento.
Porém, como em qualquer regime totalitário, cedo ou tarde, o povo percebe que, ao ceder aos encantos dos manipuladores de sua vontade, caíra numa armadilha dolorosa e que a vida colorida de antes é muito mais cinzenta do que poderiam supor. Pode até ser que a mandracaria velha de guerra, com muita baixaria, mentiras e terrorismo, ainda consiga reverter as ondas que minam o castelo de areia, erguido em solo frágil. Mas parece irreversível que o encanto se desfez e que insuflar o medo sobre os adversários não será suficiente para reverter os ventos da mudança que a sociedade está exigindo. Esta mudança passa pela irrevogável devolução do Brasil aos brasileiros, hoje dominado e teleguiado pelo petismo anárquico e reacionário.
Mas, mesmo que consiga o intento de reeleger Dilma, levará para os próximos quatros anos uma situação inóspita com a qual jamais conviveu. A começar pela debilidade das contas públicas ameaçando a própria estabilidade econômica. Como consequência, tal prejuízo colocará a perder todas as enormes conquistas e avanços sociais e econômicos dos últimos vinte anos. De sobrepeso, mas não menos importante, Dilma precisará administrar a fragilidade e fragmentação de sua base de sustentação política. Se as investigações da operação Lava Jato da Polícia Federal trouxerem para dentro do próprio governo ligações com a roubalheira praticada na Petrobrás, Dilma ficará na alça de mira de profunda crise institucional. Como ela não tem a menor habilidade política para conviver com crises, seu governo hoje com credibilidade mínima junto aos mercados e investidores, será naufragado pela mediocridade com que governou nos últimos quatro anos. Será a colheita de uma semeadura de incompetência e tolerância com a corrupção herdada de seu antecessor.
Contudo, o Brasil não merece passar por todo esse tormento, repeteco de outras tantas situações críticas vividas ao longo da história. Creio que chegou a hora do PT deixar de atrapalhar o país para que todos sigamos em frente, retomando o desenvolvimento, a qualificação dos serviços públicos e menor peso opressor do Estado sobre a sociedade, apenas para saciar os apetites do crime organizado no poder.
No fundo de sua alma, Lula ainda sonha em retornar fortalecido em 2018. Imagina que, a exemplo do que fez aos governos Sarney, Collor, Itamar e Fernando Henrique, conseguirá sabotá-los e envenená-los. Porém, é bom ele refletir melhor. Os esquemas criminosos construídos no seio do poder, já não conseguem o apoio dos companheiros para esconder a sujeirada toda, e podem colocar sob seus pés o mar de lama sobre o qual ele conseguiu navegar sem ser atingido. Seria bom reconhecer agora que, no seu luxuoso castelo de areia, bateu uma forte onda de indignação que o fez ruir. Ainda dá tempo para retirar-se com honra e dignidade. Se insistir em voltar com a mesma artilharia do passado, vai constatar que o povo brasileiro já não mais aceita a tutela e a submissão. E talvez tenha sido esta a grande mudança que a sociedade imaginava para si, mesmo que não tivesse consciência plena do que estava em curso.
Quer saber sobre a verdade do Bolsa Família?
Dilma consegue mentir em tempo integral sobre tudo. Sobre o bolsa família, então é um espanto. Talvez por isso ela tenha recusados debates em que jornalistas possam lhe fazer perguntar e até contraditá-la, como aconteceu com Miriam Leitão. Ou seja, quer mentir à vontade sem receio de que alguém possa confrontá-la com a verdade.
Sobre o bolsa família, o leitor pode acessar os links abaixo, que são textos publicados pelo blog contando como nasceu o programa. Aliás, Dilma deveria providenciar uma correção em seu discurso terrorista: os programas sociais criados pelo Comunidade Solidária no governo FHC, atendiam não 5 milhões de pessoas, e sim CINCO MILHÕES DE FAMÍLIAS.
E para não ficar dúvida, aqui a integra da Lei n° 10.836, de 9 de janeiro de 2004, que criou o Bolsa Família a partir dos programas existentes e criados no governo FHC, incluindo o Cadastro Único que os petistas mentem roubando a obra alheia afirmando ser sua..Agora, e doravante, não se deixem mais enganar.