domingo, outubro 19, 2014

Ipea diz que país tem um nó na questão de investimento

Exame.com
Idiana Tomazelli, do Estadão Conteúdo

Germano Luders 
Dinheiro: presidente do Ipea destacou necessidade de atrair 
capital privado para investimento de empresas

Rio - Confrontado com questionamentos sobre o nível de investimentos no Brasil, Sergei Soares, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) disse haver "um nó" e que, sem solução, o país não voltará a crescer.

"É institucional, é orçamentário, é um nó muito difícil de a gente resolver. E mais uma vez, independentemente de quem ganhar o próximo governo, a gente tem de rever isso, porque com taxa de investimento a 17% a gente não vai crescer a 5%. A gente precisa aumentar isso, é uma das nossas grandes preocupações", disse o presidente do órgão, que é ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República.

Soares ainda destacou a necessidade de avaliar as limitações institucionais ao investimento, diante de leis "bem intencionadas", mas restritivas no que se refere aos gastos do governo.

Além disso, ele destacou a necessidade de atrair capital privado para o investimento das empresas, hoje financiadas basicamente por instituições públicas como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"O próprio BNDES acha que esse é um arranjo que não se sustenta desse jeito. A gente precisa ter mais participações de ações, debêntures, se possível os bancos privados", disse Soares a uma plateia de representantes de think tanks de todo o mundo, durante evento na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio.

Segundo ele, o instituto tem trabalhado em linhas de pesquisa para tentar desatar esses nós.

O presidente do Ipea também classificou como um "desafio urgente do próximo governo" a tarefa de clarificar o arranjo institucional de água e saneamento.

Principalmente em São Paulo, o abastecimento de água tem preocupado, já que os reservatórios têm batido recordes mínimos históricos.

O instituto também tem trabalhado em linhas de pesquisa sobre reforma política, disse Soares.

"A gente espera participar do debate sobre reforma política se e quando vier. Todo mundo diz que tem de fazer reforma política. Agora, na hora de fazer, acontece muito pouco."

Orçamento
Soares, porém, destacou que a estrutura do Ipea tem sido limitada pelas restrições na arrecadação do governo federal.

"Não que o Ipea não seja a prioridade do governo, mas estamos vivendo um ano com dificuldades fiscais consideráveis, e ano que vem vai ser considerável também. Não está fácil", afirmou.

Segundo o presidente do Ipea, o órgão perdeu 30% do orçamento discricionário nos últimos três anos.
Em entrevista após a palestra, contudo, ele esclareceu que não houve cancelamento de pesquisas ou redução de pessoal.

"Estamos fazendo o mesmo com menos", disse.

Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou o adiamento de duas pesquisas (Censo Agropecuário e Contagem da População) em função de um corte no orçamento referente a 2015.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

O papo furado do presidente do IPEA toca apenas na periferia do problema, sem focar a questão central para o baixo nível de investimentos no Brasil.

A primeira questão é a incapacidade crescente do governo petista em inverter suas prioridades.  O investimento vem caindo anualmente porque o governo gasta demais, e gasta mal. São despesas perfeitamente dispensáveis, que não fariam falta alguma para a eficiência da gestão. Diante da estagnação econômica atual, a arrecadação federal vem caindo mês a mês, ao contrário da despesa que cresce o dobro. isto, evidente, produz déficits orçamentários.

A segunda questão, os petistas, e as esquerdas em geral, carregam um preconceito congênito contra o capital privado, como se o Estado não dependesse unicamente dele. Deste modo, erguem barreiras, constroem dificuldades de toda a ordem para que este capital se incorpore ao desenvolvimento do país. Exemplo claro disto foram os recentes marcos regulatórios para rodovias, ferrovias, portos e aeroportos editados por Dilma Rousseff com tentativa esdrúxula de pretender tabelar o lucro do investidor. Assim, ao invés de atrair, o governo atual agiu para espantar o capital privado.

E, uma terceira questão, é a tremenda insegurança jurídica praticada no Brasil. Não há firmeza nas regras, que mudam ao sabor dos ventos.  

Um país que cria tal ambiente nocivo de negócios não pode ter a pretensão de atrair investimentos e, muito menos, por consequência, desejar crescimentos mais virtuosos. Em tais circunstâncias, faço minhas as palavras recentes de Benjamin Steinbruch: só louco investe no Brasil.