domingo, outubro 19, 2014

Leilão pode ter oferta de energia insuficiente

Machado Da Costa
Folha de São Paulo

Geradores de energia estão reticentes sobre entrar no leilão A-1, marcado para 5 dezembro. Segundo eles, apesar da medida do governo que deve derrubar os preços da eletricidade no mercado de curto prazo -o que incentivaria a venda de energia no pleito-, o medo de que as chuvas possam não voltar com força pode prevalecer.

A expectativa é que, novamente, as estatais Eletrobras e Petrobras liderem as ofertas de energia no leilão, tal qual aconteceu em pleito semelhante realizado em abril, e que o volume oferecido pode não ser suficiente.

Esse leilão é a única oportunidade que as distribuidoras têm de comprar energia suficiente para suprir a demanda dos consumidores em 2015. Segundo a associação das distribuidoras, será necessário contratar cerca de 4.000 megawatts, cerca de 7% do consumo total do país.

Consultados, geradores dizem que ainda estão avaliando o impacto financeiro causado pela proposta da Aneel de alterar os limites do preço do mercado de curto prazo (chamado de Preço de Liquidação das Diferenças -PLD).

Silva Junior - 9.set.14/Folhapress
Nível de reservatório baixo em hidrelétrica no interior de SP
Atualmente, esses valores variam de R$ 15,62 a R$ 822,83. Pela proposta da agência, eles ficariam entre R$ 30,26 e R$ 388. A redução do teto seria de 53%.

Além disso, eles entendem que precisam reservar um volume maior de energia livre de contratos para enfrentar uma possível nova estiagem.

Em média, eles mantiveram descontratados cerca de 5% da energia em 2014. Para o próximo ano, esse percentual pode subir para algo entre 8% e 10%, de acordo com o que alguns geradores disseram à Folha.

Neste ano, os geradores hidrelétricos sofreram com a baixa produção elétrica por causa da falta de chuvas. A diferença entre o que era necessário gerar e o que não foi gerado precisou ser comprada no mercado de curto prazo, criando prejuízo.

Ao pedirem ajuda ao governo, os geradores ouviram que o fator hidrológico é o risco que o mercado corre.

"A experiência do último ano deve levar as empresas a ficar mais conservadoras", afirma Luiz Fernando Vianna, da Apine, associação de geradores não controlados pelo governo federal.