Adelson Elias Vasconcellos
Saiu o índice de crescimento de agosto e, como já se esperava, ele indica que o Brasil crescerá perto do zero em 2014. Isto é ruim, ruim sob qualquer ponto de vista.
Creio que, desde 2006, o que não faltaram foram avisos de que chegaríamos a tal situação. E, especificamente, em relação ao governo Dilma, antes mesmo dela sentar na cadeira presidencial com a faixa no peito, em 2010, alertamos que suas ideias e o tamanho inviável das promessas que fez eram insustentáveis e inapropriadas para o momento.
Mesmo que ela venha a ser reeleita, não tornará seu governo melhor nem pior. Os resultados aí estão para quem quiser conferir. São medíocres. O tamanho do déficit orçamentário para 2015 é de cerca de R$ 40 bilhões, segundo análise do jornal Valor Econômicos. Há, ainda, um déficit em conta corrente insustentável de US$ 80 bilhões por ano (3,5% do PIB), devido ao uso da taxa de câmbio para controlar a inflação, segundo afirma Delfim Neto em artigo publicado pela Folha de São Paulo. E não termina aí : há um papagaio do BNDES pendurado no Tesouro de cerca de R$ 465 bilhões, que o governo já se articula para aplicar uma espécie de REFIS para espichar o pagamento. De um superávit comercial de R$ 26 bi, o Brasil vai fechar o ano quase no zero. Há uma dívida pública crescente, hoje já na casa de R$ 2,5 trilhões, já que o governo Dilma não consegue alcançar a meta de superávit primário, em razão do que não conseguirá pagar na íntegra os juros que serão capitalizados ao principal. E a este respeito, conforme já demonstramos aqui, mais de 50% do orçamento da União está sendo usado para cobrir os juros da dívida pública.
Como desgraça pouca é bobagem, há ainda um rombo no setor elétrico, em torno de R$ 66 bilhões, que serão pagos pelos consumidores. Os investimentos, que já estiveram próximo dos 20% (ainda assim pouco para as nossas necessidades), caíram para algo próximo a 15%. Como o PIB não cresce, com a economia estagnada, a tendência é queda na arrecadação e, em consequência, mais queda nos investimentos. Enquanto a receita crescia em torno de 4 a 6% ao ano, as despesas saltavam acima de 10%, já descontada a inflação.
Diante deste quadro é certo afirmar que os quatros anos de Dilma no governo, comprometeram pelos menos metade do próximo mandato. E se ela, para azar do país, for reeleita, vai comprometer o crescimento brasileiro em 5, 8 ou 10 anos, tempo necessário para por a casa em ordem.
O Brasil, sob o comando petista, cansou de perder oportunidades, e disto falamos aqui inúmeras vezes. E este momento rico passou, restando-nos apenas lamentar e tentar reverter o quadro de desajustes provocados pela incompetência, improviso, falta de projetos e de prioridades.
Independente de ideologias, o que no dia 26 de outubro se decidirá é a opção do retrocesso, quando não da recessão representado por Dilma Rousseff, ou a retomada do crescimento com ajuste das contas públicas, zerando os muitos déficits e esqueletos que estão sendo pendurados.
O Brasil já atravessou momento semelhante e precisou decretar moratória no governo Sarney por ter esgotado sua capacidade de endividamento, com inflação perto de 1.000%, juros estratosféricos, queda na produção e no emprego. Naquela época, o país teve a inteligência de adotar as reformas em torno do Plano Real que abririam novos horizontes, permitindo estabilidade e a partir dela, condições de planejar ações em favor da queda na desigualdade – até isto com Dilma estagnou – e permitindo que se adotassem políticas de distribuição de renda e redução da miséria.
Lula foi mero seguidor deste tempo, muito embora tenha se negado a implementar outras reformas e atrasado a recuperação da infraestrutura em pelo menos 10 anos.
Por tudo que já passamos, a tolerância para errar deve ser próxima de zero. O modelo adotado por Lula em seu segundo mandato e que foi aprofundado por Dilma Rousseff, zerou nossas possibilidades de crescimento sustentável no curto e médio prazos. Para recuperar o tempo e as oportunidades perdidas, além de um aperto inicial indispensável para qualquer um que for eleito, precisaremos nos próximos cinco ou seis anos crescer alguma coisa próxima de 6% ao ano. Dilma vai fechar seu ciclo com média entre 1,5% e 1,7%, mesmo tendo diante de si todas as facilidades e oportunidades para chegar a média de 4,5%. E até mais se não fosse tão incompetente.
Portanto, o Brasil não pode continuar teimando em querer ser pequeno, em querer nivelar-se com países como Argentina e Venezuela mergulhados em profunda crise econômica fruto do mesmo receituário adotado pelo governo da senhora Dilma. Esta senhora precisa ser impedida no dia 26 de outubro de continuar atrasando o Brasil. Que dê lugar a quem possa fazer mais e melhor e, s e possível, com menos . Merecemos e precisamos de mudanças a começar pelo governo organizado para o crime.
Um dia, quem sabe, o PT aprenda que ser eficiente é fazer mais com menos, e não fazer menos com mais. Por não ter aprendido esta lição básica de gestão, é que levou o país para o atoleiro em que se acha mergulhado e que, para sair, cobrará um ônus bastante alto de toda a sociedade.
Admissão de culpa
Admissão de culpa
A propósito, para quem duvida que Dilma pode sofrer processo de impeachment, recomendamos a leitura do artigo de Jorge Béja, para a Tribuna da Internet, reproduzido aqui no blog domingo passado, Usar recursos ilícitos em campanha é motivo para anular vitória em eleição?
Aliás, somente neste sábado é que Dilma admitiu ter havido desvios na Petrobrás. Neste caso, é de se colocar duas questões: a primeira, admite que seu partido participou ativamente do saque ao caixa da estatal? E, por fim, admite que sua campanha foi irrigada, em 2010, com parte dos recursos desviados? A simples admissão, da forma como fez, não significa coisa alguma. É puro trololó vazio. Dilma tem que dar respostas às questões acima, muito embora, se o fizer afirmativamente, será uma admissão de culpa clara e que a tornará ré em qualquer processo. Correrá tal risco em troca de sua sinceridade?
Aliás, somente neste sábado é que Dilma admitiu ter havido desvios na Petrobrás. Neste caso, é de se colocar duas questões: a primeira, admite que seu partido participou ativamente do saque ao caixa da estatal? E, por fim, admite que sua campanha foi irrigada, em 2010, com parte dos recursos desviados? A simples admissão, da forma como fez, não significa coisa alguma. É puro trololó vazio. Dilma tem que dar respostas às questões acima, muito embora, se o fizer afirmativamente, será uma admissão de culpa clara e que a tornará ré em qualquer processo. Correrá tal risco em troca de sua sinceridade?
Veneno eleitoral
De o Blog do Moreno:
Sobe e desce
O candidato derrotado ao Senado Geddel Vieira Lima entrou numa confusão nas redes sociais ao questionar o mal súbito da presidente. Dizia que, se o caso tivesse sido queda de pressão, ela teria desabado:
— O que Dilma teve, na verdade, foi um aumento de pressão. Subiu de 13 para 45.