Adelson Elias Vasconcellos
No caso do mensalão, Lula escapou do impeachment não porque fosse Lula, mas porque FHC trancou as tentativas que foram articuladas no Congresso. De certa forma, se Lula terminou o mandato e acabou se reelegendo, isto ele deve à Fernando Henrique. A declaração dada por Duda Mendonça na CPI, de que parte de seu pagamento pela marquetagem da campanha de Lula fora feita em conta no exterior seria o batom na cueca.
Lula, Dilma e PT, contudo, tratam os tucanos como bandidos, mas as digitais dos crimes cometidos contra a administração pública e contra as instituições nos últimos doze anos são todas petistas. Alegar, como fez de forma canalha a senhora Dilma em debate no SBT, sobre casos ocorridos no período FHC e que foram arquivados não como ato de impunidade mas por absoluta falta de provas, só revela o mau caráter e má fé desta gente. Até porque, tiveram doze anos para investigar e apresentar os casos à Justiça. Não o fizeram porque sabiam que boa parte dos tais casos não passavam de armações produzidas pelo próprio PT na tentativa de sabotar o governo FHC.
Dilma se apresenta ao país como a presidente intolerante com a corrupção e bate no peito para se isentar de nepotismo. Dois textos nesta edição provam o contrário. Um, seu irmão Igor, admitido na prefeitura de Belo Horizonte sob o comando do petista Fernando Pimentel e o que é pior: entrou sem concurso, recebia o salário, mas não comparecia ao trabalho. No segundo texto, vemos que a senhora Rousseff, ela própria também beneficiária do nepotismo do qual hoje tenta culpar Aécio Neves. Ela, graças ao marido, ingressou no serviço público, sem concurso por cinco vezes, não uma, ou duas, mas CINCO VEZES. E numa das vezes em que foi nomeada, acabou demitida por não conseguir nunca chegar no horário.
E, a exemplo de Lula na campanha de 2002, ao eleger-se em 2010, Dilma teve sua campanha financiada com dinheiro desviado e roubado da Petrobrás. Reportagem da revista Istoé nesta edição, conta todos os pormenores revelados pelo doleiro Alberto Yousseff.
Assim, fica a pergunta: que moral tem a senhora Dilma Yousseff para bater no peito e se declarar como isenta de culpa em casos de nepotismo e corrupção diante de três episódios que lhe dizem respeito diretamente?
Já não vou aqui alinhar as muitas mentiras, calúnias, difamações, mistificações, manipulações e baixarias que espalhou durante sua campanha porca e imoral. Temos diante de nós algo muito mais grave que vai além do nepotismo. Trata-se de eleição comprada com dinheiro do crime. E a ver: na época, Dilma era ministra chefe da Casa Civil e Presidente do Conselho de Administração da Petrobrás. Sua prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral não é responsabilidade do tesoureiro do partido tampouco do seu marqueteiro, o “Goebels” Santana. Era e ainda é responsabilidade exclusiva dela, Dilma Rousseff.
Os fatos estão todos dispostos e à disposição de quem desejar conhecer a verdade. E eles nos dizem que, uma provável reeleição de Dilma, não apenas o atoleiro econômico vai se intensificar com graves consequências para as políticas sociais, mas também vai nos empurrar para uma grave crise político-institucional de imprevisível resultado. Hoje, a própria base de apoio à Dilma no Congresso já está rachada. Vimos em texto do Estadão nesta semana, que até nos estados em que seu partido ou coligação disputa o segundo turno, os candidatos têm evitado aparecer ao lado da candidata ou exibi-la em suas campanhas eleitorais.
Ter uma presidente que, à luz da legislação em vigor, pode tornar-se ré em processo judicial, convenhamos, não é o melhor dos mundos, tampouco é que deseja a maior parte da sociedade brasileira. O caso do petrolão, ao trazer à tona que parte do butim financiou a campanha da própria Dilma, a coloca no olho do furacão tanto quanto os demais implicados. Há aí um claro benefício direto à Dilma da roubalheira praticada. E, neste caso, já começa ficar difícil de se engolir o “eu não sabia de nada”. Como fica claro, também, que esta papagaiada de que “eu mandei investigar”, não passa de retórica, de papo furado. Dilma foi pega de surpresa, sequer tinha conhecimento da investigação quando a Operação lava Jato foi deflagrada pela Polícia Federal. Até porque nem Ministério Público tampouco Polícia Federal precisam de permissão ou de “ordens imperiais” para cumprirem sua missão constitucional. São órgãos de Estado, não de governos ou partidos.
Diante disso, e apesar disso, é claro que Dilma pode ser reeleita. Quem decide é o eleitor, ele é soberano para tanto. Porém, antes de quem quer que seja digitar na urna eletrônica o número de Dilma seria bom pensar melhor. Na ilusão de que sua escolha é a mais indicada, está é condenando o país a mergulhar em crises sem fim. E aquilo que ele pensa proteger, que são os tais “programas sociais”, na verdade é com Dilma que eles correm perigo, não com Aécio, que os pretende transformar em política de Estado para que não sejam afetados pelos interesses eleitoreiros.
O pior para um político não é perder uma eleição, porque é da essência democracia. Hoje perde, amanhã ganha, depois pode perder de novo. O pior é ser alijado da vida pública com a desonra de ter sido eleito com dinheiro do crime. E este é o caso de Dilma Rousseff. Creio que agora sobram razões suficientes para esta senhora ser demitida em 31 de dezembro próximo, recebendo seu aviso prévio já no dia 26 de outubro.
Conclusão: Dilma só admite a campanha desonesta e de baixarias que vem fazendo, em razão do seu governo medíocre. É a tentativa de, no grito e na porrada,, abafar as críticas pelo seu mau desempenho.
Até tu, Gleisi!
Pois é, segundo Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás, e que trouxe à tona em sua delação inúmeros fatos desconhecidos sobre o esquema de roubalheira na Petrobrás, o petrolão, a senhora Gleisi Hoffmann teria recebido R$ 1 milhão do esquema sujo. E aí a coisa começa a enroscar ainda mais para o lado do governo Dilma. Gleisi era chefe da Casa Civil do governo até retirar-se para concorrer ao governo do Paraná, e é também esposa do ministro Paulo Bernardo, outro petista de carteirinha. Ou seja, o esquema do petrolão chegou às portas do Gabinete Presidencial. Imagina-se quais devam ser as outras autoridades do alto escalão federal e que, por lei, estão protegidos pelo foro privilegiado para serem julgadas apenas pelo STF, razão pela qual esta parte dos depoimentos de Paulo Roberto estão sob sigilo. A república petista, pouco a pouco, vai ruindo sob seu próprio mar de lama.