O Globo
Pedido foi encaminhado ao procurador-geral da República, Augusto Aras, à direção da PF e ao Ministério da Justiça
Foto: JSouza / Agência O Globo-09-09-2021
Anvisa interditou lotes de 12 milhões de doses da vacina Coronavac,
fabricadas pelo Instituto Butantan, envasadas em laboratório não autorizado
BRASÍLIA — A direção da Anvisa enviou neste domingo ao procurador-geral da República, Augusto Aras, um pedido para investigar novas ameaças a dirigentes e servidores da agência. O pedido, também enviado à direção da Polícia Federal e ao Ministério da Justiça, relata que as ameaças foram feitas por redes sociais depois que a Anvisa autorizou a vacinação de crianças.
No ofício enviado a Aras, a direção da Anvisa cita que já havia pedido investigação de ameaças feitas anteriormente. Dessa vez, a agência cita que o presidente Jair Bolsonaro declarou publicamente que queria os nomes dos responsáveis pela autorização. Após a Anvisa divulgar nota pública rebatendo as declarações de Bolsonaro e não aceitando pressões às suas decisões técnicas, os diretores que assinaram a manifestação começaram a receber ameaças.
A direção da Anvisa pede medidas urgentes para não só investigar as ameaças, como também para garantir a proteção dos servidores e dirigentes da agência.
"Solicita-se de V. Sa. a adoção das medidas necessárias para apuração criminal dos referidos atos praticados e conhecidos ontem, sábado, dia 18/12/2021, contra os diretores e servidores da ANVISA e, além disso, reitera-se com urgência o pedido de proteção policial aos citados agentes públicos e suas famílias a fim de salvaguardar a sua integridade física e psicológica diante da gravidade da situação enfrentada", diz o ofício enviado a Aras.
No Twitter, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu investigação: "A perseguição aos técnicos da Anvisa é uma vergonha nacional. Mostra como o discurso do ódio chegou a níveis alarmantes no país. Aos servidores da agência, expresso minha solidariedade. Conclamo que as autoridades policiais investiguem e garantam a segurança das famílias."
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Desde o momento em que nascem, TODAS as crianças tem um calendário extenso de vacinação a cumprir. Não é preciso “análise preliminar” do Ministro da Saúde, tampouco audiências públicas para discutir da conveniência ou não do calendário. Abaixo, temos o calendário oficial fornecido pelo Ministério da Saúde.
Deste modo, é impressionante a capacidade negativista, de pura ignorância e atraso mental em que se revela a posição do governo Bolsonaro, contrário à vacinação da Pfizer, recém aprovada pela ANVISA, para crianças de 5 a 11 anos contra a covid-19. Inclusive, vale lembrar que o programa Bolsa Família exigia, além da frequência escolar também a caderneta de vacinação atualizada.
Depois, quando é chamado de genocida, Bolsonaro se indispõe. Não há evidência científica nenhuma que vede a aplicação de vacinas em crianças. Pelo contrário. Até seria interessante saber se os filhos de Bolsonaro, quando crianças, não foram vacinados. Se não foram, o senhor Messias além de ignorante e imbecil, foi um pai muito relapso, irresponsável e negligente com a saúde de seus filhos.
Considerando os efeitos danosos que o vírus causa à saúde humana, independente da faixa etária (o vírus já matou centenas de crianças no mundo todo), é direito do cidadão e dever do Estado que se dispense cuidado extremo à saúde pública. E, infelizmente, neste quesito, o governo Bolsonaro além de incompetente é omisso total.