terça-feira, novembro 07, 2006

Meta de felicidade

Por Guilherme Fiúza
Publicado em Política & Cia
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Com o Bolsa Família e a condução competente da política econômica, Lula deixou sua marca como governante no primeiro mandato. Foi uma virada, considerando-se que o presidente iniciara seu governo, em 2003, com dois mandamentos: Fome Zero e idéia zero.
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O primeiro, o tempo mostrou que era só um slogan; o segundo vingou, com a clonagem da política econômica de Fernando Henrique tornando-se a principal obra do governo petista.
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O resto do filme é conhecido. Lula, o homem que copiava, vendeu ao povo a idéia de que o governo FH foi um fiasco e que ele foi quem resolveu tudo. Mas fez algo que os tucanos gostariam de ter feito e nunca souberam fazer: jogar dinheiro grosso no Bolsa Família – o que, polêmicas à parte, tem de ser reconhecido como uma iniciativa social importante.
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E qual é a proposta para o segundo mandato? Pelo visto, idéia zero de novo. Em meio a esse noticiário pueril sobre crescimento (“agora vamos crescer: um, dois, três e já!”), surge o plano genial, encarnado pelo ministro “desenvolvimentista” Luiz Fernando Furlan, ícone da modernidade com seus óculos raibam estilo anos 70 e sua fábrica de frangos.
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A tropa de vanguarda se completa com a companheira de armas Dilma Roussef (“gasto corrente é vida”) e o clown Guido Mantega, o primeiro homem forte anêmico da economia. Eles têm um presente para o Brasil: a criação da meta de crescimento.
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Não vamos cansar o leitor com explicações técnicas. Se a meta de crescimento for 5% e o país estiver embicando para 3%, e nenhuma medida de aquecimento econômico estiver surtindo efeito (OBS: algum dia algum governo governou sem buscar o aquecimento da economia?), o jeito será acionar algum gatilho para alcançar a meta. Uma idéia infalível seria fabricar reais na Casa da Moeda e derramá-los no mercado.
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Aí, não tem erro. O PIB vai crescer maravilhosamente. É claro que a dívida e a inflação também vão crescer maravilhosamente. Mas aí é problema deles (ou nosso…). O importante será ver as gotas do champanhe respingando no raibam do Furlan.
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Uma sugestão humilde: depois da meta de crescimento, o governo poderia instituir a meta de felicidade per capita. Chega de ortodoxia. É hora de sensibilidade social.