por Glauco Fonseca
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A resposta é única, inabalável e lúcida: o governo Lula sobreviveu até agora porque, ao se preocupar com tapar os furos das dezenas de escândalos de corrupção envolvendo a companheirada aloprada, deixou de meter o bedelho no mercado financeiro, nas taxas de dólar e euro, no mercado de capitais e nos demais artifícios que os governos sempre lançam mão para controlar um país.
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A resposta é única, inabalável e lúcida: o governo Lula sobreviveu até agora porque, ao se preocupar com tapar os furos das dezenas de escândalos de corrupção envolvendo a companheirada aloprada, deixou de meter o bedelho no mercado financeiro, nas taxas de dólar e euro, no mercado de capitais e nos demais artifícios que os governos sempre lançam mão para controlar um país.
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Esse descuido tem sido, paradoxalmente, a nossa salvação, via saldo da balança comercial e reservas cambiais momentaneamente saudáveis. Ao se despreocupar com o comando da economia (e, de resto, com o comando de tudo que não fosse emendar-se e tentar esconder as mentiras e sacanagens de sua equipe de meninos grosseiros e serelepes), o governo Lula tem sido, até agora, o mais neoliberal de todos os governos. Mas não por outro motivo senão por enorme irresponsabilidade e incompetência.
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A receita deu tão certo, tão certo, que o Planalto já deve estar elucubrando mais um escândalo para manter a si próprio e a imprensa ocupados. Bem, isto é, criar mais um escândalo é uma barbada quase inevitável, mas, assim mesmo, do jeito como as coisas ficaram depois de tanta denúncia e corrupção, o próprio governo já descobriu que, para controlar a mídia, não é preciso grandes artifícios autoritários. Basta enfileirar ou renovar os escândalos que dois fenômenos favoráveis a Lula e sua turma entram em ação. O primeiro é que, haja o que houver, ninguém será preso, ninguém será descoberto, nenhum tostão será devolvido. O segundo, e politicamente brilhante, é ter a certeza de que, mantendo mídia, formadores de opinião e burguesia correndo atrás do próprio rabo é a melhor e mais criativa modalidade de neoliberalismo, a lá Lula da Silva.
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Aí está, portanto, a estratégia.
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De onde veio o dinheiro? Quem pagou o mensalão? Será que o PT pagou as dívidas junto aos Bancos BMG e Rural? E o Okamotto, pagou ou não pagou a dívida do presidente da República? Duda recebeu dólares no exterior como pagamento de campanha do PT? Dirceu voltará? E qual foi mesmo o motivo da morte dos prefeitos Toninho e Celso Daniel? Expedito, Valdebran, Gedimar, Freud, Gilberto Carvalho, Lacerda, Marco Aurélio Garcia e Tarso Genro existem mesmo ou são apenas uma pérfida criação de nossa imaginação?
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Agora tenho certeza de que me fiz entender melhor. Enquanto as perguntas acima ficarem sem respostas, a única garantia que temos é que Lula continuará sem saber de nada, que a economia irá se manter por suas próprias pernas e que o neoliberalismo lulista triunfará.
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Poderia ser pior. Já pensou no Mantega realmente gerenciando a economia? O que aconteceria se Waldir Pires realmente decidisse tomar conta do espaço aéreo nacional? Alguém tem idéia de como ficariam nossas cidades na permanência de um Olívio Dutra num ministério como o das cidades?Aliás, tudo poderia ser mesmo muito, muito pior se Lula realmente acordasse um dia e decidisse:
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A partir de hoje, vou começar a governar este país.
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Deus nos livre!