terça-feira, novembro 07, 2006

Presidente eleito e reeeleito...

Por Helio Hernandes
Publicado na Tribuna da Imprensa

Lula deveria estudar os assuntos antes de dizer bobagens

Apesar de ter fingido uma "entrevista internacional" embora só favorecesse (?) três jornais (e não os mais representativos), o que Lula falou tem que ter destaque e exame em profundidade. Afinal é o presidente da República. E apesar da palavra chave do seu vocabulário ser OMISSÃO, é preciso mostrar que falou por falar, o que é o seu forte.
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Lula gastou horas, examinamos alguma coisa ontem, examinemos outras hoje. Todos os assuntos são importantes, mas nada vai acontecer. Só que é preciso ressalvar, registrar, ressaltar. Lula nem sabe que é preciso eliminar essa catastrófica COINCIDÊNCIA de mandatos, que não existe em nenhum país do mundo. Numa época em que tudo se copia, se a COINCIDÊNCIA fosse positiva, já existiria em muitos lugares ou países.
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Num país como o Brasil, onde um dos fatores mais importantes é a renovação, assistimos vários personagens ficarem 4 anos sem mandato. Os que não se elegeram deputados, senadores ou governadores terão que esperar. Só para comparar: no outro grande presidencialismo, os EUA, são 50 governadores, eleitos em 32 datas diferentes. Deputados estaduais outro dia, senadores também isolados. Sem falar no presidente da República, que tem uma data só para ele. (E até xerifes, promotores, juízes, são eleitos pelo povo, só que não quero tanta modificação).
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O exame do que disse Lula valeria pelo menos uns 10 dias. Afinal ele é a maior autoridade num presidencialismo no qual o presidente pode tudo. Mas destaquemos 3 pontos para encerrar.
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1 - Impensadamente Lula disse "que o Brasil precisaria com urgência de uma OPERAÇÃO MÃOS LIMPAS". Não havia uma bica dágua perto de onde Lula falou? O presidente deveria ter estudado o assunto, que na verdade REVOLUCIONOU e MODIFICOU inteiramente a Itália. (Deixo de examinar o assunto, que já foi esgotado no sábado na coluna "Fato do Dia").
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2 - O presidente voltou a dizer, não com as mesmas palavras da campanha de 2002, que chegou a hora do CRESCIMENTO MAIS VIGOROSO. Usou e abusou da inconsciência de dizer que no primeiro mandato "COLOCOU A CASA EM ORDEM". Não falou no cansado e inexistente ESPETÁCULO DO CRESCIMENTO, que foi a alavanca e o ponto de apoio do primeiro mandato.
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Lula, deslumbrado, não percebeu ou não sabe mesmo que a alavanca se perdeu com Arquimedes-Palocci, e o ponto de apoio nunca existiu, Meirelles não pode ser citado junto com o mesmo Arquimedes. E se Meirelles vai continuar (todos sabem) por que acreditar em alguma coisa?
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3 - O último ponto-declaração a ser examinado, insistência de Lula: "É imprescindível que as campanhas tenham financiamento PÚBLICO e não PRIVADO". E juntou como importantíssima a FIDELIDADE PARTIDÁRIA, que não terá a menor importância se os partidos forem fortalecidos. Nos EUA (a comparação sempre tem que ser feita), existem mais de 60 partidos registrados mas apenas 2 têm importância, Democratas e Republicanos.
(Em 1860, já indicado presidente pelo Partido Republicano, Lincoln escolheu como vice o Democrata Andrew Johnson, governador do Tenesse. Pretendiam formar um novo partido, que se chamaria Progressista. Mas como governaram 4 anos em guerra civil, e no primeiro mês do segundo mandato Lincoln foi assassinado, esse terceiro partido não surgiu).
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Num país difícil, sem cultura, sem tradição e sem credibilidade na política, o Brasil contaminaria o financiamento PÚBLICO da mesma forma como amaldiçoaram o financiamento PRIVADO. O que é necessário, obrigatório e indispensável é a FISCALIZAÇÃO. Num caso ou no outro, sem FISCALIZAÇÃO, tudo ficará igual.
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PS - Não esgotamos o assunto, Lula se atropela, não pára de falar. Mas o presidente reeeleito fez questão de mandar o recado: "Os INVESTIDORES ESTRANGEIROS PODEM FICAR TRANQÜILOS, SEMPRE HAVERÁ ESPAÇO PARA ELES".
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PS 2 - Lula finge não perceber que existe espaço para eles, o que não existe mesmo é INVESTIDOR. Quer dizer: eles INVESTEM no financeiro, são os inventores (e não investidores) do CAPITAL-MOTEL.