Queda da produção industrial surpreende
A queda de 1,4% da produção industrial brasileira em setembro foi bem maior que a esperada. Segundo analistas ouvidos pela agência Reuters, a notícia deve levar o mercado a reduzir a estimativa de crescimento da economia no terceiro trimestre.
Pelos cálculos dos analistas, a queda aguardada era de 0,54%. “A redução de 1,4% de agosto para setembro fez o nível de produção industrial retornar ao patamar de junho”, afirmou o IBGE em comunicado.
Das 23 atividades pesquisadas pelo instituto, 12 recuaram. Entre as indústrias que reduziram a produção, o movimento mais forte foi registrado no setor automotivo, com queda de 9,3%. As greves nas montadoras foram cruciais para a diminuição.
“A primeira impressão é de queda generalizada, mas o setor automobilístico pesou bastante por conta das greves em montadoras”, afirmou Giovanna Rocca, economista do Unibanco. “Precisamos analisar melhor os dados, mas a primeira conseqüência do desempenho tão negativo da indústria deve ser a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre para baixo. Isso não quer dizer que será negativo, mas menor.”
Na comparação com setembro do ano passado, a atividade das indústrias no país avançou 1,3%. De janeiro a setembro, a atividade industrial brasileira acumula avanço de 2,7 por cento. Nos últimos 12 meses, a evolução é de 2,3 por cento.
Apesar do indicador, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, acredita que a tendência da economia é de crescimento. “A produção varia dependendo de uma série muito grande de fatores. Portanto, não podemos nos prender em dados pontuais”, disse Meirelles a jornalistas após evento em São Paulo.
Meirelles minimiza queda da produção industrial
SÃO PAULO - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ao ser questionado sobre os dados da produção industrial de setembro divulgados ontem pelo IBGE (queda de 1,4% em relação a agosto), disse que "não se deve dar maior atenção a dados pontuais mensais". Segundo ele, o importante é observar a tendência, que, segundo ele, é de crescimento, como mostram por exemplo, os dados mais recentes de demanda agregada da economia.
"As condições estão dadas para um crescimento maior", sublinhou Meirelles. Assim como tem feito nas últimas palestras e entrevistas, o presidente do BC destacou que este maior crescimento esperado não virá através de mais inflação na economia. "É importante que possamos discutir o crescimento, sem que isso signifique comprometer conquistas que já fizemos, como a estabilidade. Não vamos inflacionar a economia", reiterou.
A queda de 1,4% da produção industrial brasileira em setembro foi bem maior que a esperada. Segundo analistas ouvidos pela agência Reuters, a notícia deve levar o mercado a reduzir a estimativa de crescimento da economia no terceiro trimestre.
Pelos cálculos dos analistas, a queda aguardada era de 0,54%. “A redução de 1,4% de agosto para setembro fez o nível de produção industrial retornar ao patamar de junho”, afirmou o IBGE em comunicado.
Das 23 atividades pesquisadas pelo instituto, 12 recuaram. Entre as indústrias que reduziram a produção, o movimento mais forte foi registrado no setor automotivo, com queda de 9,3%. As greves nas montadoras foram cruciais para a diminuição.
“A primeira impressão é de queda generalizada, mas o setor automobilístico pesou bastante por conta das greves em montadoras”, afirmou Giovanna Rocca, economista do Unibanco. “Precisamos analisar melhor os dados, mas a primeira conseqüência do desempenho tão negativo da indústria deve ser a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre para baixo. Isso não quer dizer que será negativo, mas menor.”
Na comparação com setembro do ano passado, a atividade das indústrias no país avançou 1,3%. De janeiro a setembro, a atividade industrial brasileira acumula avanço de 2,7 por cento. Nos últimos 12 meses, a evolução é de 2,3 por cento.
Apesar do indicador, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, acredita que a tendência da economia é de crescimento. “A produção varia dependendo de uma série muito grande de fatores. Portanto, não podemos nos prender em dados pontuais”, disse Meirelles a jornalistas após evento em São Paulo.
Meirelles minimiza queda da produção industrial
SÃO PAULO - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ao ser questionado sobre os dados da produção industrial de setembro divulgados ontem pelo IBGE (queda de 1,4% em relação a agosto), disse que "não se deve dar maior atenção a dados pontuais mensais". Segundo ele, o importante é observar a tendência, que, segundo ele, é de crescimento, como mostram por exemplo, os dados mais recentes de demanda agregada da economia.
"As condições estão dadas para um crescimento maior", sublinhou Meirelles. Assim como tem feito nas últimas palestras e entrevistas, o presidente do BC destacou que este maior crescimento esperado não virá através de mais inflação na economia. "É importante que possamos discutir o crescimento, sem que isso signifique comprometer conquistas que já fizemos, como a estabilidade. Não vamos inflacionar a economia", reiterou.
Segundo Meirelles, é necessário que se faça uma distinção da função de cada órgão governamental nesse processo de crescimento mais acelerado. "A função do BC é a de manter a inflação na meta, levando a uma queda dos prêmios de risco e a uma redução dos juros de longo prazo no mercado. É preciso que saiamos de vez do dilema do passado entre inflação e crescimento", afirmou.
Questionado sobre as demais medidas que estão sendo analisadas no Executivo para que a economia cresça mais, Henrique Meirelles disse apenas que existe uma "série importante de medidas" que excedem o Poder Executivo. Ele enfatizou, no entanto, que não cabe ao BC comentar o assunto.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, classificou ontem como "especulações naturais" as notícias publicadas na imprensa sobre a suposta troca de diretores do BC para a próxima gestão de governo. "Não há nada nesse sentido", enfatizou Meirelles, acrescentando que, no momento em que houver definições do presidente da República sobre a composição do governo, "veremos com os diretores quais são os planos de cada um".
A queda
A produção industrial caiu 1,4% em setembro ante agosto na série com ajuste sazonal, segundo o IBGE. O resultado veio abaixo das estimativas dos analistas consultados, que iam de menos 1,2% a menos 0,2%. Em relação a setembro de 2005, a produção cresceu 1,3% e acumula alta de 2,7% neste ano e de 2,3% no período de 12 meses (outubro de 2005 a setembro de 2006).
No terceiro trimestre deste ano (julho a setembro), a produção industrial registrou crescimento de 0,4% se comparada ao segundo trimestre deste ano. Houve expansão de 2,7% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Já o índice de média móvel trimestral não teve variação no trimestre encerrado em setembro, o que levou os técnicos do IBGE a concluírem que "em setembro houve estabilidade no ritmo da atividade da indústria".
A produção de bens de capital reverteu, em setembro, a seqüência de dois resultados positivos e recuou 2,1% ante agosto. Houve queda na produção desta categoria também na comparação com setembro de 2005 (menos 0,4%). Entre as outras categorias pesquisadas, na comparação com agosto, caiu a produção de bens de consumo duráveis (menos 4,4%), de bens intermediários (menos 2,1%) e de bens de consumo não duráveis (menos 0,2%). Na comparação com setembro de 2005, além de bens de capital, os demais resultados foram positivos: bens intermediários (0,8%), bens de consumo duráveis (5,4%) e bens de consumo não duráveis (1,8%).
Mesmo com a introdução de novos dados na série com ajuste sazonal, o IBGE não revisou o dado da produção industrial de agosto ante julho, que se manteve em 0,7%. Normalmente, a série é automaticamente revisada quando entram novos dados da produção. O dado mais recente revisado pelo instituto foi o da produção industrial de junho ante maio, que passou de menos 1,1%, divulgado anteriormente, para menos 1,3%, segundo os números apresentados ontem.
Diferenças sérias
Diferenças na metodologia de cálculo podem explicar porque o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apurou queda na produção industrial no terceiro trimestre do ano, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) registrou crescimento. Ainda assim, a CNI está fazendo uma análise mais aprofundada sobre os resultados discrepantes.
Segundo o economista Paulo Mol, da CNI, uma diferença é que a pesquisa do IBGE utiliza uma amostragem maior, pois as indústrias são obrigadas a responder ao questionário da instituição. Já os dados coletados pela CNI têm como base respostas voluntárias por parte das empresas. Outra possível causa da divergência de números é que o IBGE mede a produção física das indústrias enquanto a CNI verifica vendas e horas trabalhadas.
O economista destacou ainda que o IBGE não considera "o efeito calendário". A CNI, explicou, leva em conta a diferença de dias úteis de um mês para o outro. Por exemplo: agosto deste ano teve 23 dias úteis enquanto setembro teve apenas 20 dias úteis, o que, por si só, já sinalizaria para um resultado menos favorável em setembro. Apesar das diferenças, disse Mol, os dados da CNI e do IBGE tendem a caminhar juntos no longo prazo.
Ele afirmou que os dados do terceiro trimestre divulgados pelo IBGE causaram surpresa porque a diferença de números entre as duas instituições "nunca foi tão séria como agora". "Os dados causaram surpresa porque estão indo contra a tendência apontada nas nossas pesquisas", comentou. Os levantamentos da CNI apontam para um terceiro trimestre bom e indicam uma tendência de melhora nos indicadores industriais para o último trimestre do ano.
Na avaliação de Mol, os dados do IBGE podem afetar negativamente as projeções de crescimento econômico feitas por bancos e consultorias econômicas. "Com esse resultado que foi divulgado ontem, o PIB deve ser afetado para baixo", afirmou. "Esse dado também cria um desdobramento nebuloso para o quarto trimestre."