Governo discute a formação de uma Rede Pública de Televisão
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por Paulo Moreira Leite,
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A discussão sobre a sucessão na presidência da Radiobrás, colocada em aberto quando o titular Eugênio Bucci decidiu entregar o cargo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é apenas o primeiro lance de uma operação maior. Sob coordenação da Casa Civil da Presidência da República, e apoio do Ministro da Cultura Gilberto Gil, o governo decidiu colocar, para o segundo mandato, a discussão sobre a formação de uma Rede Pública de TV, em moldes parecidos com aquelas existentes na França, na Inglaterra e outros países, inclusive Estados Unidos. A discussão está mais avançada do que parece e irá ganhar um novo formato em fevereiro, data prevista para o I Forum Nacional de Tvs Públicas.
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por Paulo Moreira Leite,
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A discussão sobre a sucessão na presidência da Radiobrás, colocada em aberto quando o titular Eugênio Bucci decidiu entregar o cargo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é apenas o primeiro lance de uma operação maior. Sob coordenação da Casa Civil da Presidência da República, e apoio do Ministro da Cultura Gilberto Gil, o governo decidiu colocar, para o segundo mandato, a discussão sobre a formação de uma Rede Pública de TV, em moldes parecidos com aquelas existentes na França, na Inglaterra e outros países, inclusive Estados Unidos. A discussão está mais avançada do que parece e irá ganhar um novo formato em fevereiro, data prevista para o I Forum Nacional de Tvs Públicas.
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A idéia de uma TV pública já frequentou os projetos de outros governos, mas foi abandonada por um fatores internos e externos. O principal problema interno consiste na existência de centenas de emissoras públicas espalhadas pelo país, que obedecem a lideranças e interesses diversos – onde o papel de governos de Estado, seus maiores financiadores, nunca é desprezível e a linha chapa branca é uma tradição. Nunca se encontrou uma fórmula capaz de superar impasses e rivalidades dessa natureza. O problema externo reside nas emissoras comerciais privadas, que enxergam nesse movimento uma anacrônica presença do Estado no negócio da comunicação.Na semana que vem ocorrem reuniões de grupos de trabalho com lideranças de televisões públicas de diversos locais.
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Jornalistas e executivos ouvidos pelo blogue estão convencidos de que a Rede Pública deve mesmo sair – o que ajuda a entender as críticas freqüentes do PT e do próprio presidente Lula à imprensa. Num texto sobre I Forum, o ministro Gilberto Gil escreve que “o pressuposto deste I Forum é a percepção – cada dia mais consensual – de que a realização plena e qualificada da televisão pública brasileira é uma das agendas estratégicas para o desenvolvimento cultural do Brasil e a consolidação de um país de um país socialmente justo e antenado nas forças criativas do povo brasileiro.” Orlando Senna, secretário do Audiovisual, escreve em outro texto: “do mesmo jeito que o cidadão percebe o poder público como um todo na cadeia articulada entre municípios, estados e a União, o telespectador deveria poder estabelecer a conexão entre as diversas TVs do campo público, num processo de formação de amplas bases de audiência de beneficiaria a todas.”
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Imagina-se que o primeiro passo para a TV pública seria um tele-jornal único, exibido em todo o país – estratégia semelhante a da construção da TV Globo, que se constituiu a partir do Jornal Nacional. O próprio Eugênio Bucci participa desses grupos de trabalho. Outra presença importante é Beth Carmona, uma das forças criativas da TV Cultura paulista em sua melhor fase, e que hoje é presidente da TVE Brasil.
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TV pública: os argumentos de Eugênio Bucci
Num texto destinado ao I Forum Nacional de Tvs Pública, que deve ocorrer em fevereiro, o presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci alinhavou um conjunto de idéias para fundamentar a formação de uma Rede Pública de TV no país. (Leia nota anterior). Em pouco mais de seis páginas, Bucci fala de diversos assuntos. Diz que uma TV pública precisa ser independente do governo e do mercado. Sustenta a visão de que a atual cobertura jornalística das emissoras comerciais foi dominada pelo showbusiness. Defende que a TV pública tenha uma postura de serviço ao cidadão e não faça coberturas chapa branca. Diz que não é papel da TV pública produzir entretenimento, que considera natural e legítimo em emissoras privadas. Bucci também diz que uma emissora pública não deveria ficar assustada com a falta de público (“essa é sua rotina,” explica). Alguns argumentos de Bucci:
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TV pública: os argumentos de Eugênio Bucci
Num texto destinado ao I Forum Nacional de Tvs Pública, que deve ocorrer em fevereiro, o presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci alinhavou um conjunto de idéias para fundamentar a formação de uma Rede Pública de TV no país. (Leia nota anterior). Em pouco mais de seis páginas, Bucci fala de diversos assuntos. Diz que uma TV pública precisa ser independente do governo e do mercado. Sustenta a visão de que a atual cobertura jornalística das emissoras comerciais foi dominada pelo showbusiness. Defende que a TV pública tenha uma postura de serviço ao cidadão e não faça coberturas chapa branca. Diz que não é papel da TV pública produzir entretenimento, que considera natural e legítimo em emissoras privadas. Bucci também diz que uma emissora pública não deveria ficar assustada com a falta de público (“essa é sua rotina,” explica). Alguns argumentos de Bucci:
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“Uma sociedade democrática precisa dos dois pratos da balança, a televisão comercial e a televisão pública. O que a televisão comercial faz a televisão pública não deve pretender fazer; o que a televisão pública faz, se estiver centrada em sua missão, a televisão privada não pode fazer.”
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“Há uma bandeira ética que a televisão pública do Brasil precisa empunhar agora: a bandeira da independência frente aos governos e frente ao mercado.”
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“A cobertura jornalística (das emissoras privadas) de episódios como o massacre de Eldorado de Carajás, a morte de Ayrton Senna ou mesmo o 11 de Setembro denota uma propensão acentuada à finalidade de chocar, de emocionar, de proteger o que há de sensacional no fato em detrimento do sentido do próprio fato. O telejornalismo se abastece do showbusiness, em sua dimensão estética, pois foi engolido por essa industria que lhe é superior.”
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“Ao declarar que não faz entretenimento e que não tem compromisso com o entretenimento a televisão pública já acende uma pequena lanterna para sinalizar que a cultura, o conhecimento e a comunicação tem fôlego para alcançar outras altitudes.”
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“O entretenimento não é natural nesse aparelho de imagem eletrônica que as pessoas têm em casa. Vejamos o teatro, o cinema, o slivros, o rádio: a quantos fins, a quantos objetivos, tudo isso não serviu? Só ao entretenimento? Não é da natureza da televisão o entretenimento – este é que é da natureza de um certo mercado da cultura, mas não da natureza das válvulas, eletrotodos, do controle remoto, da internet, de nada disso.”
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“É preciso (na Tv pública) sair da postura de ser bajulador de platéias, que é uma atitude definidora da industria do entretenimento.”
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“A chatice é um tabu do entretenimento mas não é exatamente uma barreira ao pensamento”
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“A Tv pública não quer o público cativo como quer a televisão comercial. Ela não funcionará como cativeiro, mas como emancipadora e encubadora. O sentido da TV pública é tornar o sujeito suficientemente autônomo para, no limite, poder prescindir da televisão. O sentido da televisão comercial é aprisionar o sujeito na sua forma retangular.”
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“Há uma bandeira ética que a televisão pública do Brasil precisa empunhar agora: a bandeira da independência frente aos governos e frente ao mercado.”
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“A cobertura jornalística (das emissoras privadas) de episódios como o massacre de Eldorado de Carajás, a morte de Ayrton Senna ou mesmo o 11 de Setembro denota uma propensão acentuada à finalidade de chocar, de emocionar, de proteger o que há de sensacional no fato em detrimento do sentido do próprio fato. O telejornalismo se abastece do showbusiness, em sua dimensão estética, pois foi engolido por essa industria que lhe é superior.”
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“Ao declarar que não faz entretenimento e que não tem compromisso com o entretenimento a televisão pública já acende uma pequena lanterna para sinalizar que a cultura, o conhecimento e a comunicação tem fôlego para alcançar outras altitudes.”
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“O entretenimento não é natural nesse aparelho de imagem eletrônica que as pessoas têm em casa. Vejamos o teatro, o cinema, o slivros, o rádio: a quantos fins, a quantos objetivos, tudo isso não serviu? Só ao entretenimento? Não é da natureza da televisão o entretenimento – este é que é da natureza de um certo mercado da cultura, mas não da natureza das válvulas, eletrotodos, do controle remoto, da internet, de nada disso.”
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“É preciso (na Tv pública) sair da postura de ser bajulador de platéias, que é uma atitude definidora da industria do entretenimento.”
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“A chatice é um tabu do entretenimento mas não é exatamente uma barreira ao pensamento”
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“A Tv pública não quer o público cativo como quer a televisão comercial. Ela não funcionará como cativeiro, mas como emancipadora e encubadora. O sentido da TV pública é tornar o sujeito suficientemente autônomo para, no limite, poder prescindir da televisão. O sentido da televisão comercial é aprisionar o sujeito na sua forma retangular.”