Por Adelson Elias Vasconcellos
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Final de ano normalmente serve para, além das festas, das alegrias de confraternização com amigos e familiares, realizarmos um balanço de nossas vidas, de nosso trabalho, das empresas, do país, do bairro, da cidade. É aquele solene momento de revisar conceitos, desenhar novos planos, mudar estratégias para as coisas que deram errado, ou que não aconteceram, possam ser revertidas no ano seguinte.
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Acrescentamos neste balanço umas pitadas de sonhos, de metas que às vezes não passarão de boas intenções. Afinal, ninguém muda por decreto, podemos até desejá-las, mas as mudanças e os sonhos são frutos de uma brutal transformação interior, que nem sempre estamos dispostos a consentir. Mudar, muito e sempre, nos obrigará a abandonar velhos hábitos, costumes e vícios, os quais estão tão arraigados em nossa vida, em nossa personalidade que simplesmente os por de lado provocariam revoluções em atos, pensamentos e sentimentos tão nossos que a simples idéia de não conviver com eles todos nos assusta, nos amedronta, nos provoca calafrios, e assim, acabamos abandonando projetos e muitas vezes nos frustrando diante da impossibilidade de fazer acontecer nossa melhoria, ou capazes de provocar, quando muito, pequenas mudanças de atitude. Acabamos acomodados no lugar comum, na base do “sou assim mesmo, não tem jeito”. Jeito, na verdade, tem, nós é que não queremos renunciar, nos falta muitas vezes a força de vontade necessária para que as mudanças se processem e se concretizem. Isto, além de normal, é também humano.
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Neste dezembro de 2006, por exemplo, muitos analisam o ano que passou, as coisas boas e ruins que aconteceram com a nossa vida de brasileiros, tomando por base apenas o período dos últimos doze meses. De minha parte, prefiro olhar pela ótica dos últimos 48 meses, porque eles nos dão a pista do que poderemos esperar, ou não, nos próximos 48 meses, ou 4 anos. Parece muito? Não, por certo que não. O período entre 2003 e 2006 representou o primeiro mandato de Lula como presidente. “Noves fora” os discursos, as balelas, o papo furado, o que nos interessa avaliar é o quanto o país andou, em que condições esta caminhada aconteceu, porque isto é o prenúncio do que podemos ou não esperar do que virá pela frente.
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Então vejamos: Lula passou seu primeiro mandato todo comparando seu governo com o de FHC. É justa a comparação ? Não, não é. Primeiro, porque o país que FHC recebeu em 1994 é totalmente diferente do Brasil que Lula recebeu em 2003. Já analisamos isto inúmeras vezes mas vale a lembrança: o país vivia num atoleiro sem fim da inflação indomável, da vulnerabilidade das contas externas, do endividamento excessivo, do descontrole fiscal permissivo e histórico das finanças públicas, renda em queda, etc., etc., etc. Lula, assumiu um país com o Estado equilibrado, a estabilidade econômica conquistada, divida externa renegociada, indicadores sociais em elevação, qualidade de vida idem, e sem crises internacionais (com FHC aconteceram cinco Rússia, México, Turquia, Tigres Asiáticos e Argentina) . E, principalmente, com uma prosperidade econômica mundial como não se via há mais de trinta anos, antes da primeira crise do petróleo, ainda na década de 70. Dentre os emergentes, clube ao qual pertencemos, a média de crescimento anual tem sido superior a 5% anuais. Pois bem, no balanço que fazemos do governo Lula, a média dos quatro anos chega à impressionante cifra de... 2,6% ! Simplesmente, ridículo. E não se vá reclamar de herança maldita porque esta não houve. Até pelo contrário. Vá se reclamar isto sim da opção feita de se manter o mercado na situação atual, com o modelo atual porque isso era imperativo para garantir não o crescimento econômico necessário e possível, e sim uma certa estabilidade necessária para a reeleição. E isto. O mais que se diga é papo furado. Faltou ímpeto, vontade, criatividade e até um pouco de agressividade e coragem para correr-se os riscos necessários permitindo, em mudanças que não se fizeram, e que eram indispensáveis, que pudéssemos almejar algo melhor do que um crescimento haitiano. Que além da miséria histórica ainda vive uma conturbada e prolongada guerra civil ! A inépcia e a incompetência de se governar fica flagrante no dado concreto de que Lula, com tudo a favor cresceu quase o tanto que FHC, fosse no primeiro ou no segundo mandato.
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Ah, sim, Lula apregoa que agora vamos em frente com 5% já 2.007 ? Babaquice. Ele mesmo já está revendo este índice para menos. É impossível sem reduzir o tamanho do Estado em termos de despesas e custo fazer este trem andar com mais velocidade. Para ir mais, precisa remover os bois da linha. Precisa recuperar a capacidade de investimento público. Precisa entender que o Estado, por não produzir nada, tem por obrigação ser indutor do crescimento. As políticas nacionalistas já ficaram no passado. Não mais são admissíveis no mundo e no tempo em que vivemos. Qual a marca deste mandato então ? Numa palavra, mediocridade ! E podendo acenar com a modernidade, tem gente preocupada em “democratizar” a imprensa, tem gente perdendo tempo em rever a lei de anistia, tem gente preocupada em projetos de infra-estrutura conjugados com a ... Venezuela ! Quando um país deseja amadurecer para poder crescer e oferecer melhor qualidade de vida aos seus cidadãos, não pode omitir-se à chacina que ocorre no Sudão, como o governo tem feito. Não pode andar abraçado a debilóides decadentes e deprimentes do tipo ditador Fidel Castro. Não pode dar abraços e afagos em índios malucos tipo Evo Morales, e não pode andar irmanado a moleques do tipo Hugo Chaves. Um país interessado em buscar crescimento sustentável tem que estar voltado a manutenção do estado de direito, e não do estado de caos. Tem que propor e buscar parcerias capazes de lhe proporcionar retornos em comércio e investimentos, tem que estar dedicado em fortalecer seu mercado interno e não destruí-lo por ser contrário a economia de mercado. Enquanto houver retrocesso ideológico misturando-se com os interesse de Estado, vamos manter a mediocridade pela qual o atual governo fez sua opção.
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No balanço que se faz neste dezembro de 2006 o que mais surpreende é que o governo que está aí já há quatro anos, ainda não tem traçado um projeto para os próximos quatro anos que nele deverá permanecer. Durante a campanha eleitoral Lula trouxe ao debate nacional uma tal reforma política. Perguntem-lhe o desenho desta reforma política, e não se ouvirá de Lula nada além de pequenos remendos que em nada mudarão ou aperfeiçoarão as instituições.
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Na primeira reunião que promoveu do tal Conselho Político, quarta-feira - 13, pediu propostas no prazo de 45 dias! Ele mesmo não trouxe sequer uma mísera sugestão ou um esboço ao menos para que todos se debruçassem sobre ele e a partir dele pudessem abrir caminho para uma reforma minimamente decente ou sequer digna do nome. Na economia, não se tem nada, além da mesmice. A Ministra Dilma canta aos quatros ventos que tem um programa para a infra-estrutura, hoje sucateada e abandonada, tendo como mérito o tal programa investimentos da ordem de 70 bi para os próximos anos. As tais Parceria Público Privadas, hoje louvadas com o apanágio de todos os nossos males (ao lado da tal reforma política) não passa de uma bela carta de intenções, sem nada concreto, e sem regras claras o suficientes, capazes de assegurarem à iniciativa privada um mínimo de retorno para investimentos vultuosos. Uma das grandes realizações do governo FHC foi a implantação de agências reguladoras, as quais o PT ora submete debaixo do poder político dos diferentes ministérios, roubando destas agências a independência indispensável para frutificar os investimentos cada vez mais minguados.
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E quais serão os ministros responsáveis para tocarem os tais planos e programas mirabolantes que ainda não se sabe quais são (sequer existem) ? Pois bem, se esperará até passarem as chuvas de março quando for terminando o verão ? Parece que sim, pois o presidente ainda aguardará as eleições das presidências da Câmara e do Senado para definição do seu ministério como um todo. E tais eleições acontecerão em fevereiro de 2007. Como os ministros serão escolhidos, discutirão planos, assumirão e demandarão um certo tempo para se situarem em seus cargos, anotem: o Brasil do Lula-II nascerá em abril do ano que vem. Convenhamos que é jogar muito tempo no lixo para um país que tem pressa em resolver suas principais questões.
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Este é o balanço neste dezembro de 2006: estamos nos encaminhando talvez até para crescer em menor velocidade e, assim, vermos aumentar a distância que nos separa do mundo civilizado do primeiro mundo. E o que é pior, conforme já dissemos e alertamos inúmeras vezes: estamos ficando distantes até de muitos emergentes, os quais com menos recursos e riquezas do que nós, mas que com competência, trabalho sério e honesto, e menos discurso pueril e vazio, estão nos empurrando cada vez mais para a rabeira do progresso. Num país em que o seu judiciário torna-se cada dia mais um confraria de privilegiados, em que o legislativo aliena-se cada vez mais do interesse que os deveria conduzir, comportando-se mais como um bando de moleques preocupados apenas em amealhar ganhos pessoais e vantagens irresponsáveis e indecorosas, e se tem à cabeceira do executivo um hipócrita, loquaz mentiroso, subserviente do que existe de pior e mais retrógrado no grupamento de nações do planeta, que povoou o Estado com desclassificados e delinqüentes de todos os gêneros e espécies, fica difícil sermos otimistas quanto aos próximos quatro anos. E para piorar o desastre, sequer resta-nos a esperança de uma oposição competente, disposta a oferecer alternativas diferentes das que estão aí. Querem um exemplo ? Analisem o comportamento dos políticos do PSDB e PFL no capítulo vergonhoso escrito pelo Congresso nesta semana com relação ao indecente, despropositado e imoral aumento de 91,0 % nos seus próprios salários.
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Santo Deus ! Este silêncio consentido é pior do que qualquer barulheira feita pelo PT quando na oposição. Quem perde é o país, as instituições, e a própria dinâmica democrática para um país que se quer livre e soberano. Ou retornamos ao bom senso da classe dirigente brasileira ou caminharemos rapidamente para a porta do atraso pelo qual já passaram tantas nações miseráveis do planeta. Como diz o jornalista Reinaldo Azevedo, o país vive um perigoso processo de “desinstitucionalização”. Analise-se as marcas da nossa violência urbana e rural. Reflita-se sobre os “grandes” projetos ausentes do poder público. Visualize-se a cada vez mais esquálida capacidade intelectual de nossos jovens estudantes. O abandono total dos serviços públicos naquilo que existe de mais essencial para uma vida por mínima que seja de dignidade para os seus cidadãos. Avalie-se a enxurrada de escândalos e mais escândalos e corrupção de que acha repleto os poderes da república, e em qualquer nível, e sem uma mísera punição que fosse. Impunidade total.
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E quando se vive neste perigoso limiar da faca e da navalha, acreditem, a degradação torna-se inevitável e traz de arrasto convulsão social e ruptura institucional. Ninguém torce ou deseja isto. Porém, mesmo que se evite o mal maior, não podemos também, por outro lado, nutrir esperanças de que sairemos do cadafalso, pelo menos no curto prazo. É perigoso sim o momento que a inércia governamental está nos conduzindo. Uma análise de comportamento da sociedade brasileira tem este cheiro. Estamos perdendo o senso de civilidade, de respeito e submissão à lei e à ordem, estamos nos distanciando dos elementos indispensáveis para o progresso de qualquer nação que são os instrumentos da educação básica deste povo. Ficamos arredios ao cumprimento de um mínimo de regras indispensáveis à harmonia social dentre as pessoas. Todos colocam-se acima do bem estar comum, cada qual querendo apenas manter seus privilégios ao custo da miséria coletiva. E os sinais vitais que este paciente quase na UTI da miséria moral tem apresentado, não são nada alentadores. Daí porque precisaríamos urgentemente encontrar outra via alternativa que parece que PSDB e PFL não estão querendo representar. E sem oposição, acreditem, a democracia simplesmente murcha, e em seu lugar o que sobrevive é o espetáculo da indigência e da delinqüência pelo qual Lula e seu petê parecem querer arrastar-nos com tanta volúpia e disposição.
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Portanto, este dezembro de 2006 precisa representar uma retomada de consciência capaz de alentar nossa capacidade de nos indignarmos e salvarmos um mínimo que seja nossos valores morais mais relevantes. Do contrário, o balanço apresentará um resultado tenebroso: a de que estamos finalmente atingindo a ponta da estrada que nos levará para a cubanização de um país que outrora jogou no lixo a chance de ser livre e próspero. Mais do que nunca, precisamos de vozes que despertem esta consciência adormecida em berço esplêndido. ACORDA BRASIL !
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Final de ano normalmente serve para, além das festas, das alegrias de confraternização com amigos e familiares, realizarmos um balanço de nossas vidas, de nosso trabalho, das empresas, do país, do bairro, da cidade. É aquele solene momento de revisar conceitos, desenhar novos planos, mudar estratégias para as coisas que deram errado, ou que não aconteceram, possam ser revertidas no ano seguinte.
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Acrescentamos neste balanço umas pitadas de sonhos, de metas que às vezes não passarão de boas intenções. Afinal, ninguém muda por decreto, podemos até desejá-las, mas as mudanças e os sonhos são frutos de uma brutal transformação interior, que nem sempre estamos dispostos a consentir. Mudar, muito e sempre, nos obrigará a abandonar velhos hábitos, costumes e vícios, os quais estão tão arraigados em nossa vida, em nossa personalidade que simplesmente os por de lado provocariam revoluções em atos, pensamentos e sentimentos tão nossos que a simples idéia de não conviver com eles todos nos assusta, nos amedronta, nos provoca calafrios, e assim, acabamos abandonando projetos e muitas vezes nos frustrando diante da impossibilidade de fazer acontecer nossa melhoria, ou capazes de provocar, quando muito, pequenas mudanças de atitude. Acabamos acomodados no lugar comum, na base do “sou assim mesmo, não tem jeito”. Jeito, na verdade, tem, nós é que não queremos renunciar, nos falta muitas vezes a força de vontade necessária para que as mudanças se processem e se concretizem. Isto, além de normal, é também humano.
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Neste dezembro de 2006, por exemplo, muitos analisam o ano que passou, as coisas boas e ruins que aconteceram com a nossa vida de brasileiros, tomando por base apenas o período dos últimos doze meses. De minha parte, prefiro olhar pela ótica dos últimos 48 meses, porque eles nos dão a pista do que poderemos esperar, ou não, nos próximos 48 meses, ou 4 anos. Parece muito? Não, por certo que não. O período entre 2003 e 2006 representou o primeiro mandato de Lula como presidente. “Noves fora” os discursos, as balelas, o papo furado, o que nos interessa avaliar é o quanto o país andou, em que condições esta caminhada aconteceu, porque isto é o prenúncio do que podemos ou não esperar do que virá pela frente.
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Então vejamos: Lula passou seu primeiro mandato todo comparando seu governo com o de FHC. É justa a comparação ? Não, não é. Primeiro, porque o país que FHC recebeu em 1994 é totalmente diferente do Brasil que Lula recebeu em 2003. Já analisamos isto inúmeras vezes mas vale a lembrança: o país vivia num atoleiro sem fim da inflação indomável, da vulnerabilidade das contas externas, do endividamento excessivo, do descontrole fiscal permissivo e histórico das finanças públicas, renda em queda, etc., etc., etc. Lula, assumiu um país com o Estado equilibrado, a estabilidade econômica conquistada, divida externa renegociada, indicadores sociais em elevação, qualidade de vida idem, e sem crises internacionais (com FHC aconteceram cinco Rússia, México, Turquia, Tigres Asiáticos e Argentina) . E, principalmente, com uma prosperidade econômica mundial como não se via há mais de trinta anos, antes da primeira crise do petróleo, ainda na década de 70. Dentre os emergentes, clube ao qual pertencemos, a média de crescimento anual tem sido superior a 5% anuais. Pois bem, no balanço que fazemos do governo Lula, a média dos quatro anos chega à impressionante cifra de... 2,6% ! Simplesmente, ridículo. E não se vá reclamar de herança maldita porque esta não houve. Até pelo contrário. Vá se reclamar isto sim da opção feita de se manter o mercado na situação atual, com o modelo atual porque isso era imperativo para garantir não o crescimento econômico necessário e possível, e sim uma certa estabilidade necessária para a reeleição. E isto. O mais que se diga é papo furado. Faltou ímpeto, vontade, criatividade e até um pouco de agressividade e coragem para correr-se os riscos necessários permitindo, em mudanças que não se fizeram, e que eram indispensáveis, que pudéssemos almejar algo melhor do que um crescimento haitiano. Que além da miséria histórica ainda vive uma conturbada e prolongada guerra civil ! A inépcia e a incompetência de se governar fica flagrante no dado concreto de que Lula, com tudo a favor cresceu quase o tanto que FHC, fosse no primeiro ou no segundo mandato.
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Ah, sim, Lula apregoa que agora vamos em frente com 5% já 2.007 ? Babaquice. Ele mesmo já está revendo este índice para menos. É impossível sem reduzir o tamanho do Estado em termos de despesas e custo fazer este trem andar com mais velocidade. Para ir mais, precisa remover os bois da linha. Precisa recuperar a capacidade de investimento público. Precisa entender que o Estado, por não produzir nada, tem por obrigação ser indutor do crescimento. As políticas nacionalistas já ficaram no passado. Não mais são admissíveis no mundo e no tempo em que vivemos. Qual a marca deste mandato então ? Numa palavra, mediocridade ! E podendo acenar com a modernidade, tem gente preocupada em “democratizar” a imprensa, tem gente perdendo tempo em rever a lei de anistia, tem gente preocupada em projetos de infra-estrutura conjugados com a ... Venezuela ! Quando um país deseja amadurecer para poder crescer e oferecer melhor qualidade de vida aos seus cidadãos, não pode omitir-se à chacina que ocorre no Sudão, como o governo tem feito. Não pode andar abraçado a debilóides decadentes e deprimentes do tipo ditador Fidel Castro. Não pode dar abraços e afagos em índios malucos tipo Evo Morales, e não pode andar irmanado a moleques do tipo Hugo Chaves. Um país interessado em buscar crescimento sustentável tem que estar voltado a manutenção do estado de direito, e não do estado de caos. Tem que propor e buscar parcerias capazes de lhe proporcionar retornos em comércio e investimentos, tem que estar dedicado em fortalecer seu mercado interno e não destruí-lo por ser contrário a economia de mercado. Enquanto houver retrocesso ideológico misturando-se com os interesse de Estado, vamos manter a mediocridade pela qual o atual governo fez sua opção.
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No balanço que se faz neste dezembro de 2006 o que mais surpreende é que o governo que está aí já há quatro anos, ainda não tem traçado um projeto para os próximos quatro anos que nele deverá permanecer. Durante a campanha eleitoral Lula trouxe ao debate nacional uma tal reforma política. Perguntem-lhe o desenho desta reforma política, e não se ouvirá de Lula nada além de pequenos remendos que em nada mudarão ou aperfeiçoarão as instituições.
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Na primeira reunião que promoveu do tal Conselho Político, quarta-feira - 13, pediu propostas no prazo de 45 dias! Ele mesmo não trouxe sequer uma mísera sugestão ou um esboço ao menos para que todos se debruçassem sobre ele e a partir dele pudessem abrir caminho para uma reforma minimamente decente ou sequer digna do nome. Na economia, não se tem nada, além da mesmice. A Ministra Dilma canta aos quatros ventos que tem um programa para a infra-estrutura, hoje sucateada e abandonada, tendo como mérito o tal programa investimentos da ordem de 70 bi para os próximos anos. As tais Parceria Público Privadas, hoje louvadas com o apanágio de todos os nossos males (ao lado da tal reforma política) não passa de uma bela carta de intenções, sem nada concreto, e sem regras claras o suficientes, capazes de assegurarem à iniciativa privada um mínimo de retorno para investimentos vultuosos. Uma das grandes realizações do governo FHC foi a implantação de agências reguladoras, as quais o PT ora submete debaixo do poder político dos diferentes ministérios, roubando destas agências a independência indispensável para frutificar os investimentos cada vez mais minguados.
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E quais serão os ministros responsáveis para tocarem os tais planos e programas mirabolantes que ainda não se sabe quais são (sequer existem) ? Pois bem, se esperará até passarem as chuvas de março quando for terminando o verão ? Parece que sim, pois o presidente ainda aguardará as eleições das presidências da Câmara e do Senado para definição do seu ministério como um todo. E tais eleições acontecerão em fevereiro de 2007. Como os ministros serão escolhidos, discutirão planos, assumirão e demandarão um certo tempo para se situarem em seus cargos, anotem: o Brasil do Lula-II nascerá em abril do ano que vem. Convenhamos que é jogar muito tempo no lixo para um país que tem pressa em resolver suas principais questões.
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Este é o balanço neste dezembro de 2006: estamos nos encaminhando talvez até para crescer em menor velocidade e, assim, vermos aumentar a distância que nos separa do mundo civilizado do primeiro mundo. E o que é pior, conforme já dissemos e alertamos inúmeras vezes: estamos ficando distantes até de muitos emergentes, os quais com menos recursos e riquezas do que nós, mas que com competência, trabalho sério e honesto, e menos discurso pueril e vazio, estão nos empurrando cada vez mais para a rabeira do progresso. Num país em que o seu judiciário torna-se cada dia mais um confraria de privilegiados, em que o legislativo aliena-se cada vez mais do interesse que os deveria conduzir, comportando-se mais como um bando de moleques preocupados apenas em amealhar ganhos pessoais e vantagens irresponsáveis e indecorosas, e se tem à cabeceira do executivo um hipócrita, loquaz mentiroso, subserviente do que existe de pior e mais retrógrado no grupamento de nações do planeta, que povoou o Estado com desclassificados e delinqüentes de todos os gêneros e espécies, fica difícil sermos otimistas quanto aos próximos quatro anos. E para piorar o desastre, sequer resta-nos a esperança de uma oposição competente, disposta a oferecer alternativas diferentes das que estão aí. Querem um exemplo ? Analisem o comportamento dos políticos do PSDB e PFL no capítulo vergonhoso escrito pelo Congresso nesta semana com relação ao indecente, despropositado e imoral aumento de 91,0 % nos seus próprios salários.
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Santo Deus ! Este silêncio consentido é pior do que qualquer barulheira feita pelo PT quando na oposição. Quem perde é o país, as instituições, e a própria dinâmica democrática para um país que se quer livre e soberano. Ou retornamos ao bom senso da classe dirigente brasileira ou caminharemos rapidamente para a porta do atraso pelo qual já passaram tantas nações miseráveis do planeta. Como diz o jornalista Reinaldo Azevedo, o país vive um perigoso processo de “desinstitucionalização”. Analise-se as marcas da nossa violência urbana e rural. Reflita-se sobre os “grandes” projetos ausentes do poder público. Visualize-se a cada vez mais esquálida capacidade intelectual de nossos jovens estudantes. O abandono total dos serviços públicos naquilo que existe de mais essencial para uma vida por mínima que seja de dignidade para os seus cidadãos. Avalie-se a enxurrada de escândalos e mais escândalos e corrupção de que acha repleto os poderes da república, e em qualquer nível, e sem uma mísera punição que fosse. Impunidade total.
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E quando se vive neste perigoso limiar da faca e da navalha, acreditem, a degradação torna-se inevitável e traz de arrasto convulsão social e ruptura institucional. Ninguém torce ou deseja isto. Porém, mesmo que se evite o mal maior, não podemos também, por outro lado, nutrir esperanças de que sairemos do cadafalso, pelo menos no curto prazo. É perigoso sim o momento que a inércia governamental está nos conduzindo. Uma análise de comportamento da sociedade brasileira tem este cheiro. Estamos perdendo o senso de civilidade, de respeito e submissão à lei e à ordem, estamos nos distanciando dos elementos indispensáveis para o progresso de qualquer nação que são os instrumentos da educação básica deste povo. Ficamos arredios ao cumprimento de um mínimo de regras indispensáveis à harmonia social dentre as pessoas. Todos colocam-se acima do bem estar comum, cada qual querendo apenas manter seus privilégios ao custo da miséria coletiva. E os sinais vitais que este paciente quase na UTI da miséria moral tem apresentado, não são nada alentadores. Daí porque precisaríamos urgentemente encontrar outra via alternativa que parece que PSDB e PFL não estão querendo representar. E sem oposição, acreditem, a democracia simplesmente murcha, e em seu lugar o que sobrevive é o espetáculo da indigência e da delinqüência pelo qual Lula e seu petê parecem querer arrastar-nos com tanta volúpia e disposição.
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Portanto, este dezembro de 2006 precisa representar uma retomada de consciência capaz de alentar nossa capacidade de nos indignarmos e salvarmos um mínimo que seja nossos valores morais mais relevantes. Do contrário, o balanço apresentará um resultado tenebroso: a de que estamos finalmente atingindo a ponta da estrada que nos levará para a cubanização de um país que outrora jogou no lixo a chance de ser livre e próspero. Mais do que nunca, precisamos de vozes que despertem esta consciência adormecida em berço esplêndido. ACORDA BRASIL !