Por José Paulo Kupfer, no Economínimo, NoMónimo
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Depois da compra da canadense Inco pela Vale do Rio Doce, por estonteantes US$ 18 bilhões, agora é a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) que parte firme para cima da anglo-holandesa Corus, com uma oferta de US$ 9,6 bilhões. Mas, se esses dois negócios são os mais faiscantes, isso não quer dizer que são os únicos na mesma direção. Ao contrário, o empuxo daqui para fora está fortíssimo.
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Ao longo deste ano, outros investimentos brasileiros tomaram o rumo do exterior, muitos em direção à China. Tudo somado, foram aplicados em atividades produtivas fora do País, apenas em 2006, mais de US$ 20 bilhões. É realmente um fenômeno que produzirá algo inédito: pela primeira vez na história, os investimentos diretos brasileiros no exterior serão maiores do que os investimentos estrangeiros no Brasil, que não devem passar de US$ 15 bilhões em 2006.
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Parte dos investimentos estrangeiros no Brasil também retomou o caminho de casa. Entre 2003 e outubro de 2006, deixaram o País algo perto de US$ 20 bilhões em investimentos produtivos, por força de encerramento de atividades ou, mais freqüentemente, venda de ativos para brasileiros. O desinvestimento estrangeiro no período, que se intensificou no ano passado e neste, representa mais do dobro do total que bateu asas entre 1999 e 2002.
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Também houve um forte incremento nas remessas de lucros e dividendos. As remessas, em 2006, serão recordes, alcançando US$ 15 bilhões. Culminarão uma escalada que começou em 2004, com o envio para o exterior de US$ 8,3 bilhões, como lucros e dividendos, e avançou para US$ 10,6 bilhões, em 2005.
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Dizem que esse movimento todo reflete dúvidas sobre o crescimento sustentável do mercado doméstico, a alta carga tributária, os riscos de apagões na infra-estrutura e as incertezas jurídicas que rondam os tribunais brasileiros. Dizem também que, no caso dos investimentos diretos brasileiros no exterior, a explicação está no fortalecimento de empresas nacionais, sobretudo as privatizadas.
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Pode ser e, certamente, em parte é mesmo. Só que, como os biquínis, este tipo de explicação mostra tudo menos o essencial: a taxa de câmbio valorizada. O fato é que estão todos – brasileiros e estrangeiros – correndo para levar reais para fora, ao mesmo tempo em que os interessados em aplicar recursos produtivos no Brasil preferem pensar duas vezes antes de trazer o dinheiro para cá.
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É fácil entender o cálculo dos investidores. Com o dólar, por exemplo, a R$ 2, R$ 100 milhões valem US$ 50 milhões. Com o câmbio a R$ 3, os mesmos R$ 100 milhões, valeriam US$ 33 milhões – 44% menos. Na outra mão de direção, ocorre o inverso. Com o dólar a R$ 2, US$ 100 milhões entrariam no País como R$ 200 milhões. Com o câmbio a R$ 3, os mesmos US$ 100 milhões, se transformariam em R$ 300 milhões – 50% a mais.
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Em resumo, o câmbio valorizado encarece os investimentos externos diretos no Brasil e barateia tanto os desinvestimentos e as remessas de lucros quanto os investimentos brasileiros no exterior. Mas, como somos um país muito rico e habitado por milionários, nada mais adequado como política econômica do que manter o câmbio valorizado, insistindo numa taxa de juros fora do bom senso. Afinal, agindo assim, garantimos uma inflação sempre no chão – o que é o mais importante de tudo.
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O professor Mário Henrique Simonsen, brilhante economista liberal e ex-ministro da Fazenda e do Planejamento, nos idos dos anos 70 e 80, do alto de sua visão monetarista da economia não se cansava de repetir: “a inflação aleija, mas o câmbio mata”. Eram tempos de teorias econômicas menos metidas a besta e, sobretudo, de economistas mais ajuizados, que não brincavam com o câmbio.
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Gente ingrata
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Deu no “O Globo” de domingo que o Bolsa Família está desestimulando as pessoas a trabalhar. As reclamações partem da agricultura, da construção civil e de contratadores de empregados domésticos. A reportagem informa que trabalhadores estão deixando de fazer bicos e de aceitar subemprego. Há até mesmo casos de rejeição de trabalho formal!
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O alerta, segundo o jornal, partiu de cafeicultores do Espírito Santo, mas situações semelhantes estão acontecendo em vários estados do Norte e do Nordeste. “Por causa desse programa social, a situação ficou complicada e está cada vez mais difícil ter mão-de-obra”, disse o presidente da cooperativa de cafeicultores do Espírito Santos, Antonio Joaquim. No Piauí também aumentam as reclamações contra beneficiários do Bolsa Família porque muitos não aceitam mais fazer limpeza de roça e serviços como lavagem de roupa.
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Depois da compra da canadense Inco pela Vale do Rio Doce, por estonteantes US$ 18 bilhões, agora é a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) que parte firme para cima da anglo-holandesa Corus, com uma oferta de US$ 9,6 bilhões. Mas, se esses dois negócios são os mais faiscantes, isso não quer dizer que são os únicos na mesma direção. Ao contrário, o empuxo daqui para fora está fortíssimo.
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Ao longo deste ano, outros investimentos brasileiros tomaram o rumo do exterior, muitos em direção à China. Tudo somado, foram aplicados em atividades produtivas fora do País, apenas em 2006, mais de US$ 20 bilhões. É realmente um fenômeno que produzirá algo inédito: pela primeira vez na história, os investimentos diretos brasileiros no exterior serão maiores do que os investimentos estrangeiros no Brasil, que não devem passar de US$ 15 bilhões em 2006.
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Parte dos investimentos estrangeiros no Brasil também retomou o caminho de casa. Entre 2003 e outubro de 2006, deixaram o País algo perto de US$ 20 bilhões em investimentos produtivos, por força de encerramento de atividades ou, mais freqüentemente, venda de ativos para brasileiros. O desinvestimento estrangeiro no período, que se intensificou no ano passado e neste, representa mais do dobro do total que bateu asas entre 1999 e 2002.
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Também houve um forte incremento nas remessas de lucros e dividendos. As remessas, em 2006, serão recordes, alcançando US$ 15 bilhões. Culminarão uma escalada que começou em 2004, com o envio para o exterior de US$ 8,3 bilhões, como lucros e dividendos, e avançou para US$ 10,6 bilhões, em 2005.
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Dizem que esse movimento todo reflete dúvidas sobre o crescimento sustentável do mercado doméstico, a alta carga tributária, os riscos de apagões na infra-estrutura e as incertezas jurídicas que rondam os tribunais brasileiros. Dizem também que, no caso dos investimentos diretos brasileiros no exterior, a explicação está no fortalecimento de empresas nacionais, sobretudo as privatizadas.
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Pode ser e, certamente, em parte é mesmo. Só que, como os biquínis, este tipo de explicação mostra tudo menos o essencial: a taxa de câmbio valorizada. O fato é que estão todos – brasileiros e estrangeiros – correndo para levar reais para fora, ao mesmo tempo em que os interessados em aplicar recursos produtivos no Brasil preferem pensar duas vezes antes de trazer o dinheiro para cá.
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É fácil entender o cálculo dos investidores. Com o dólar, por exemplo, a R$ 2, R$ 100 milhões valem US$ 50 milhões. Com o câmbio a R$ 3, os mesmos R$ 100 milhões, valeriam US$ 33 milhões – 44% menos. Na outra mão de direção, ocorre o inverso. Com o dólar a R$ 2, US$ 100 milhões entrariam no País como R$ 200 milhões. Com o câmbio a R$ 3, os mesmos US$ 100 milhões, se transformariam em R$ 300 milhões – 50% a mais.
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Em resumo, o câmbio valorizado encarece os investimentos externos diretos no Brasil e barateia tanto os desinvestimentos e as remessas de lucros quanto os investimentos brasileiros no exterior. Mas, como somos um país muito rico e habitado por milionários, nada mais adequado como política econômica do que manter o câmbio valorizado, insistindo numa taxa de juros fora do bom senso. Afinal, agindo assim, garantimos uma inflação sempre no chão – o que é o mais importante de tudo.
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O professor Mário Henrique Simonsen, brilhante economista liberal e ex-ministro da Fazenda e do Planejamento, nos idos dos anos 70 e 80, do alto de sua visão monetarista da economia não se cansava de repetir: “a inflação aleija, mas o câmbio mata”. Eram tempos de teorias econômicas menos metidas a besta e, sobretudo, de economistas mais ajuizados, que não brincavam com o câmbio.
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Gente ingrata
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Deu no “O Globo” de domingo que o Bolsa Família está desestimulando as pessoas a trabalhar. As reclamações partem da agricultura, da construção civil e de contratadores de empregados domésticos. A reportagem informa que trabalhadores estão deixando de fazer bicos e de aceitar subemprego. Há até mesmo casos de rejeição de trabalho formal!
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O alerta, segundo o jornal, partiu de cafeicultores do Espírito Santo, mas situações semelhantes estão acontecendo em vários estados do Norte e do Nordeste. “Por causa desse programa social, a situação ficou complicada e está cada vez mais difícil ter mão-de-obra”, disse o presidente da cooperativa de cafeicultores do Espírito Santos, Antonio Joaquim. No Piauí também aumentam as reclamações contra beneficiários do Bolsa Família porque muitos não aceitam mais fazer limpeza de roça e serviços como lavagem de roupa.
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É mesmo de se perguntar onde vamos parar com essa gente indolente e ignorante agora esnobando ofertas de trabalho tão precário que, em certos casos, chega à semi-escravidão. Vejam só se é possível o governo gastar rios de dinheiro com um assistencialismo barato desse e não satisfeito ainda criar dificuldades para quem precisa contratar mão-de-obra.