Editorial Jornal do Brasil
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Com um extenso leque de provocações a Israel e ao Ocidente, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ampliou nos últimos dias sua galeria de proezas ameaçadoras. Ao reunir, em Teerã, mais de 100 estudiosos destinados a negarem o genocídio de milhões de judeus pelas mãos dos nazistas, Ahmadinejad voltou a afrontar a civilização, a história e a sensatez humanas. Quis pintar, com cores pretensamente científicas, a agenda de extremismo já revelada no ano passado, quando chegou a classificar de "mito" o Holocausto.
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Um dos líderes islâmicos que têm perturbado o mundo com freqüência e desembaraço, o discurso soa a tímpanos normais como um dos arquétipos do fundamentalismo radical. Agarrados à lira do delírio, Ahmadinejad e os acadêmicos negacionistas insultam os judeus brutalmente exterminados e os que sobreviveram para contar o que acontecera. Ao Holocausto dos judeus, convém lembrar que os nazistas somaram o extermínio de ciganos e poloneses.
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Provocações odiosas como essas sugerem que o presidente do Irã nunca foi apresentado à farta documentação dos tempos de horror, reunida em documentários, fotografias, depois escritos e relatos orais. Deveria ser imediatamente confrontado com a montanha de evidências, ou submetido a teses de sanidade mental. Como o JB escreveu nesta página, diante da promessa de Ahmadinejad de varrer Israel do mapa, a negação do Holocausto é algo tão demencial quanto o grande projeto do iraniano: prover o seu país de arsenal atômico.
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Ninguém pode dizer desta vez que Ahmadinejad e seus seguidores reclamam, na verdade, de Israel e do sionismo, e não dos judeus. A conferência simboliza, no fundo, a propaganda neonazista que visa negar aos judeus sua história e seu sofrimento. É como negar que os afro-americanos tenham sido escravos, que não houve massacre de russos e poloneses, ou que a Segunda Guerra Mundial não passou de uma invenção ocidental.
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Está-se diante de um chefe de governo e líder de uma nação de 70 milhões de pessoas - um país que aspira a liderar o mundo muçulmano e tem ambições nucleares. Logo, está longe de ser paranóica a preocupação com um presidente que tem sonhos de aniquilação.
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Trata-se de uma evidente ameaça aos judeus, mas também se revela uma tragédia para os muçulmanos - seguidores de uma tradição histórica de valorização do conhecimento, do saber e da ciência, que hoje estão à mercê de um ignorante como Ahmadinejad.
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Desses equívocos se aproveitarão os neonazistas. Que fique bem entendido: velhos e novos hitleristas, fascistas maduros ou imaturos, todos totalitários, defendem as mesmas causas e perseguem os mesmos objetivos. Não há diferença entre os anti-semitas do passado e os anti-semitas do presente - seja lá quais forem os disfarces utilizados. O anti-semitismo é um racismo milenar que encontrou sua expressão política no pangermanismo, no fascismo, no nazismo e, agora, no terrorismo islâmico. Para que não produza um banho de sangue igual ao dos anos 30 e 40, convém mantê-lo isolado, como patologia política, psíquica e moral.
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Surpreende, ademais, a timidez de certas respostas oficiais à afronta de Ahmadinejad. Países europeus, Alemanha à frente, têm sido especialmente enfáticos. Mas enquanto o coronel Hugo Chávez transforma o presidente-bomba iraniano em companheiro antiimperialista, o governo brasileiro limita-se a notas quase burocráticas. Ahmadinejad e Chávez integram a mesma espécie. São demagogos dispostos a inspirarem o ódio em relação aos outros e de permanecem indefinidamente no poder.
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Os dias de negação têm de acabar. Hitler não triunfará.
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Com um extenso leque de provocações a Israel e ao Ocidente, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ampliou nos últimos dias sua galeria de proezas ameaçadoras. Ao reunir, em Teerã, mais de 100 estudiosos destinados a negarem o genocídio de milhões de judeus pelas mãos dos nazistas, Ahmadinejad voltou a afrontar a civilização, a história e a sensatez humanas. Quis pintar, com cores pretensamente científicas, a agenda de extremismo já revelada no ano passado, quando chegou a classificar de "mito" o Holocausto.
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Um dos líderes islâmicos que têm perturbado o mundo com freqüência e desembaraço, o discurso soa a tímpanos normais como um dos arquétipos do fundamentalismo radical. Agarrados à lira do delírio, Ahmadinejad e os acadêmicos negacionistas insultam os judeus brutalmente exterminados e os que sobreviveram para contar o que acontecera. Ao Holocausto dos judeus, convém lembrar que os nazistas somaram o extermínio de ciganos e poloneses.
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Provocações odiosas como essas sugerem que o presidente do Irã nunca foi apresentado à farta documentação dos tempos de horror, reunida em documentários, fotografias, depois escritos e relatos orais. Deveria ser imediatamente confrontado com a montanha de evidências, ou submetido a teses de sanidade mental. Como o JB escreveu nesta página, diante da promessa de Ahmadinejad de varrer Israel do mapa, a negação do Holocausto é algo tão demencial quanto o grande projeto do iraniano: prover o seu país de arsenal atômico.
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Ninguém pode dizer desta vez que Ahmadinejad e seus seguidores reclamam, na verdade, de Israel e do sionismo, e não dos judeus. A conferência simboliza, no fundo, a propaganda neonazista que visa negar aos judeus sua história e seu sofrimento. É como negar que os afro-americanos tenham sido escravos, que não houve massacre de russos e poloneses, ou que a Segunda Guerra Mundial não passou de uma invenção ocidental.
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Está-se diante de um chefe de governo e líder de uma nação de 70 milhões de pessoas - um país que aspira a liderar o mundo muçulmano e tem ambições nucleares. Logo, está longe de ser paranóica a preocupação com um presidente que tem sonhos de aniquilação.
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Trata-se de uma evidente ameaça aos judeus, mas também se revela uma tragédia para os muçulmanos - seguidores de uma tradição histórica de valorização do conhecimento, do saber e da ciência, que hoje estão à mercê de um ignorante como Ahmadinejad.
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Desses equívocos se aproveitarão os neonazistas. Que fique bem entendido: velhos e novos hitleristas, fascistas maduros ou imaturos, todos totalitários, defendem as mesmas causas e perseguem os mesmos objetivos. Não há diferença entre os anti-semitas do passado e os anti-semitas do presente - seja lá quais forem os disfarces utilizados. O anti-semitismo é um racismo milenar que encontrou sua expressão política no pangermanismo, no fascismo, no nazismo e, agora, no terrorismo islâmico. Para que não produza um banho de sangue igual ao dos anos 30 e 40, convém mantê-lo isolado, como patologia política, psíquica e moral.
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Surpreende, ademais, a timidez de certas respostas oficiais à afronta de Ahmadinejad. Países europeus, Alemanha à frente, têm sido especialmente enfáticos. Mas enquanto o coronel Hugo Chávez transforma o presidente-bomba iraniano em companheiro antiimperialista, o governo brasileiro limita-se a notas quase burocráticas. Ahmadinejad e Chávez integram a mesma espécie. São demagogos dispostos a inspirarem o ódio em relação aos outros e de permanecem indefinidamente no poder.
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Os dias de negação têm de acabar. Hitler não triunfará.