quarta-feira, janeiro 17, 2007

Aldo e Chávez são 'abacaxis' de Lula

Kennedy Alencar, Folha Online
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Dois políticos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverão trazer alguma emoção ao começo do segundo mandato do petista.
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Aldo Rebelo (PC do B-SP) tem demonstrado uma agressividade inusual e uma vontade de criar laços políticos com a oposição mais radical que poderão atrapalhar o sono de Lula se o comunista se reeleger presidente da Câmara.
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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, resolveu rasgar a fantasia. É sério candidato a ditador do Mercosul, bloco econômico e político do subcontinente que precisará se posicionar claramente a respeito da autocracia em construção na Venezuela.
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Aldo era o preferido de Lula. Lula não acreditou no sucesso da candidatura do líder do governo, Arlindo Chinaglia, a presidente da Câmara. O líder petista na Câmara surpreendeu. Tem maioria entre os partidos da base de apoio lulista no Congresso. Fechou até com setores da oposição.
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Aldo se chateou. E agora bate duro em Lula em conversas reservadas. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso virou seu grande cabo eleitoral. A eventual vitória de Aldo, que parece improvável hoje, se dará à revelia de Lula. Significará um presidente da Câmara menos comprometido com o governo que ora começa.
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Não há espaço para Lula levar Chinaglia a recuar. Os últimos movimentos de Aldo parecem ter afetado a relação de confiança entre o presidente e ele, levando em conta relatos de quem conversou com o petista na última semana.
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Na política externa, Chávez era uma espécie de amigo levado que Lula precisava tutelar, apontando-lhe o bom caminho. Como o venezuelano foi vítima de tentativa de golpe, Lula contemporizava. O presidente brasileiro também achava que os EUA exageravam ao ver em Chávez traços ditatoriais. Chávez virou o herói do Fórum Social Mundial, um ídolo da esquerda mundial. Roubou a cena de Lula.
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Como o petista se comportará a partir de agora? No terceiro mandato, Chávez anuncia a estatização de empresas de energia e telecomunicações. Quer poderes para governar por decreto. Pediu a um Legislativo emasculado que aprove a possibilidade de reeleições indefinidas. Promete submeter a decisão a um plebiscito popular para lhe dar legitimidade.
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Os países do Mercosul se reunirão no Rio de Janeiro nesta semana. Será que fingirão que os passos largos que Chávez dá rumo a uma ditadura são assuntos internos da Venezuela?
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Lula volta do Guarujá com dois abacaxis daqueles para descascar.
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Jogo de empurra
Reunidos recentemente para tratar do combate à violência, os quatro governadores do Sudeste redigiram uma carta cobrando verbas do governo federal e tentando dividir responsabilidades. O governo federal as tem. É inegável.
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No entanto, vale lembrar que segurança pública é constitucionalmente uma atribuição dos Estados. Mais importante: o Estado de São Paulo, governador por José Serra (PSDB), é dirigido por tucanos desde 1995. Aécio Neves (PSDB) e Paulo Hartung (PMDB) governam, respectivamente, Minas e o Espírito Santo desde 2003. E o peemedebista Sérgio Cabral assumiu um Estado que era comandado pelo casal Garotinho _Anthony e Rosinha são seus correligionários e patrocinaram sua candidatura.