Recuperação de rodovias exige investimentos de R$ 33 bilhões
Renée Pereira
.
As estradas federais vão exigir investimentos de R$ 33 bilhões nos próximos três anos para sair do atual estado de deterioração e colaborar com a aceleração do crescimento do País. Os cálculos, feitos pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), incluem a expansão, restauração e conservação de rodovias importantes no País, como BR-101, no Nordeste; BR-040, em Minas Gerais; e BR-163, no Centro-Oeste, entre outros corredores estratégicos.
Renée Pereira
.
As estradas federais vão exigir investimentos de R$ 33 bilhões nos próximos três anos para sair do atual estado de deterioração e colaborar com a aceleração do crescimento do País. Os cálculos, feitos pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), incluem a expansão, restauração e conservação de rodovias importantes no País, como BR-101, no Nordeste; BR-040, em Minas Gerais; e BR-163, no Centro-Oeste, entre outros corredores estratégicos.
.
O valor é grande o bastante para acender um sinal de alerta entre especialistas do setor de infra-estrutura, que questionam a decisão repentina do governo de suspender a concessão de sete lotes de rodovias federais na semana passada. Isso porque, apesar de astronômica, a cifra seria suficiente apenas para deixar as estradas em estado entre razoável e bom. 'Se quiser eliminar todos os gargalos do setor rodoviário, o governo teria de dobrar esse montante', afirma o presidente da entidade, Luiz Fernando Santos Reis.
.
.
A realidade, no entanto, está distante das necessidades do País. No ano passado, o orçamento aprovado para o Ministério dos Transportes foi de R$ 9,66 bilhões - valor considerado recorde. Isso, para atender aos setores rodoviário, ferroviário, portuário e hidroviário, além das agências reguladoras de cada área. Desse montante, no entanto, apenas R$ 7,83 bilhões foram empenhados pelo Executivo. Volume discreto, considerando o estado precário dos transportes no Brasil.
.
O problema é que o governo não tem capacidade para aumentar de forma significativa essas dotações. Até porque outros setores também precisam de recursos, como é o caso de ferrovias, portos e hidrovias. Juntas, essas áreas precisariam de investimentos de R$ 11,9 bilhões nos próximos três anos para não se tornarem um obstáculo ao crescimento econômico robusto, tão almejado pelo presidente Lula.
.
.
O problema é que o governo não tem capacidade para aumentar de forma significativa essas dotações. Até porque outros setores também precisam de recursos, como é o caso de ferrovias, portos e hidrovias. Juntas, essas áreas precisariam de investimentos de R$ 11,9 bilhões nos próximos três anos para não se tornarem um obstáculo ao crescimento econômico robusto, tão almejado pelo presidente Lula.
.
Sinal de alerta
A suspensão da concessão de sete lotes de rodovias federais na semana passada e o orçamento estreito do governo deixam uma dúvida no ar: de onde sairá o dinheiro necessário para evitar o colapso das estradas e de toda infra-estrutura? Na avaliação do diretor do Departamento de Infra-Estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Saturnino Sérgio da Silva, o governo não pode abrir mão da capacidade de investimentos da iniciativa privada, principalmente num momento de elevada liquidez no mercado internacional, em que os investidores estão ávidos por novos negócios..
A suspensão da concessão de sete lotes de rodovias federais na semana passada e o orçamento estreito do governo deixam uma dúvida no ar: de onde sairá o dinheiro necessário para evitar o colapso das estradas e de toda infra-estrutura? Na avaliação do diretor do Departamento de Infra-Estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Saturnino Sérgio da Silva, o governo não pode abrir mão da capacidade de investimentos da iniciativa privada, principalmente num momento de elevada liquidez no mercado internacional, em que os investidores estão ávidos por novos negócios..
.
Se continuar nesse ritmo e o País conseguir melhorar um pouco o desempenho econômico, não vai demorar muito para termos problemas graves, alerta Silva. 'Além das chuvas fortes deste início de ano, que tendem a deteriorar ainda mais as estradas, o agro-negócio já esboça reação. Isso significa que teremos mais cargas nas estradas.' Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra deste ano deve chegar a 123 milhões de toneladas, ante 116 milhões de toneladas do ano passado. 'Como escoar essa produção com as estradas estouradas da forma como estão?', questiona Silva.
.
.
As melhores do país
A última pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), divulgada em meados do ano passado, mostrou que 78,5% dos 84 mil km avaliados eram deficientes, ruins ou péssimos. Do total percorrido, apenas 6,4% foram considerados ótimos e 15,2%, bons. O levantamento mostrou que as dez melhores estradas do País estão no Estado de São Paulo e boa parte delas é administrada pela iniciativa privada. A campeã da pesquisa foi a rodovia estadual Bandeirantes, entre São Paulo e Limeira, que obteve nota 100. Em segundo lugar ficou a Dutra, entre São Paulo e Taubaté, com nota 98,2.
.
A última pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), divulgada em meados do ano passado, mostrou que 78,5% dos 84 mil km avaliados eram deficientes, ruins ou péssimos. Do total percorrido, apenas 6,4% foram considerados ótimos e 15,2%, bons. O levantamento mostrou que as dez melhores estradas do País estão no Estado de São Paulo e boa parte delas é administrada pela iniciativa privada. A campeã da pesquisa foi a rodovia estadual Bandeirantes, entre São Paulo e Limeira, que obteve nota 100. Em segundo lugar ficou a Dutra, entre São Paulo e Taubaté, com nota 98,2.
.
As estradas federais ficaram na lanterninha. 'É o resultado de anos de abandono, falta de manutenção ou serviço inadequado, como o tapa-buraco', afirma o professor do Centro de Logística da Coppead/UFRJ, Paulo Fleury. Segundo ele, o programa emergencial lançado no início de 2005 não mudou praticamente nada nas estradas brasileiras. Isso porque os remendos não suportam o efeito das chuvas e o excesso de carga. 'Ficou tudo como antes.'
.
.
O boom de construção das rodovias federais ocorreu principalmente a partir da década de 50, com o governo de Juscelino Kubitschek. Com seu espírito desenvolvimentista, ele conseguiu asfaltar em 4 anos, 15 mil km de estradas. Entre a década de 1969 e 1975, a rede federal aumentou 3 mil km por ano. Entre 1985 e 1990, 780 km por ano. O problema é que a manutenção das estradas abertas no País, construídas com investimentos elevados, foi esquecida.
.
Hoje o País tem 1,75 milhão de km de estradas, e apenas 196 mil pavimentadas. Se nas rodovias asfaltadas a situação é caótica, imagine a situação das estradas de terra, como é o caso da BR-163, no Pará. Em épocas de chuva, o trafego só funciona com a ajuda de tratores para desatolar os caminhões. Na BR-153, a Belém-Brasília, os buracos sinalizam que há anos não são destinados recursos para sua manutenção.
.
.
O resultado da falta de conservação é o número de mortes nas estradas brasileiras. Segundo estudo da Coppead/UFRJ, no Brasil ocorrem 19 mortes por 100 mil habitantes. No Chile, são 13; nos Estados Unidos, 14,5. O custo para o País ultrapassa R$ 7,35 bilhões.