Will Hutton
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Mencione a palavra globalização e uma estranha névoa que impede o raciocínio lógico desce sobre o pensamento. Agora é uma certeza por parte da direita e da esquerda que bilhões de trabalhadores mal pagos vão levar embora os empregos ocidentais e transformar em luxos inacessíveis os níveis de bem-estar social e de tributação europeus. As únicas opções são a proteção ao comércio ou uma luta Darwiniana de baixa tributação e baixo bem-estar social para o extermínio - equipados com seja qual for a educação e o treinamento que possamos obter. Todos nós temos de aceitar nosso destino.
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Mencione a palavra globalização e uma estranha névoa que impede o raciocínio lógico desce sobre o pensamento. Agora é uma certeza por parte da direita e da esquerda que bilhões de trabalhadores mal pagos vão levar embora os empregos ocidentais e transformar em luxos inacessíveis os níveis de bem-estar social e de tributação europeus. As únicas opções são a proteção ao comércio ou uma luta Darwiniana de baixa tributação e baixo bem-estar social para o extermínio - equipados com seja qual for a educação e o treinamento que possamos obter. Todos nós temos de aceitar nosso destino.
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O problema é que este nexo de certezas está errado. A globalização e comércio têm aumentado em muito o bolo econômico do mundo e nossas opções econômicas em vez de estreitá-las. O problema é que uma parte muito grande do mundo é um espectador excluído, porque as regras do jogo tendem maciçamente em favor do Ocidente. É um equívoco alarmista e totalmente contraproducente culpar os estrangeiros pelos nossos problemas.
O problema é que este nexo de certezas está errado. A globalização e comércio têm aumentado em muito o bolo econômico do mundo e nossas opções econômicas em vez de estreitá-las. O problema é que uma parte muito grande do mundo é um espectador excluído, porque as regras do jogo tendem maciçamente em favor do Ocidente. É um equívoco alarmista e totalmente contraproducente culpar os estrangeiros pelos nossos problemas.
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Mesmo a China, retratada como a Nova Grande Coisa Ameaçadora, não tem conseguido mudar as regras. Cerca de 60% de suas exportações, quase todas suas exportações de alta tecnologia e mais da metade de suas patentes vêm de empresas estrangeiras. Em essência, é uma sub-prestadora de serviços para o Ocidente, elevando os lucros de nossas multinacionais e o rendimento real de nossos consumidores.
Mesmo a China, retratada como a Nova Grande Coisa Ameaçadora, não tem conseguido mudar as regras. Cerca de 60% de suas exportações, quase todas suas exportações de alta tecnologia e mais da metade de suas patentes vêm de empresas estrangeiras. Em essência, é uma sub-prestadora de serviços para o Ocidente, elevando os lucros de nossas multinacionais e o rendimento real de nossos consumidores.
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A China não tem uma única marca entre as 100 maiores do mundo, apesar da previsão de que vai se tornar a maior exportadora mundial em 2008. A compra do Rover e a expedição de parte da fábrica de volta à China foram encaradas como um ato de força, mas, na verdade, foi um ato de desespero econômico. Por emprestar US$ 200 bilhões ao ano para financiar o déficit comercial dos EUA, a China sustenta o domínio internacional do dólar. Nos escalões superiores do partido comunista e no conselho estatal há um debate atormentado sobre por que tantas mercadorias são feitas 'na China' e não 'pela China' e por que a inovação autóctone é tão desastrosa. Em 1995, a China estabeleceu como objetivo ter 50 empresas entre as 500 principais multinacionais do mundo em 2010. Terá sorte se tiver alguma.
A China não tem uma única marca entre as 100 maiores do mundo, apesar da previsão de que vai se tornar a maior exportadora mundial em 2008. A compra do Rover e a expedição de parte da fábrica de volta à China foram encaradas como um ato de força, mas, na verdade, foi um ato de desespero econômico. Por emprestar US$ 200 bilhões ao ano para financiar o déficit comercial dos EUA, a China sustenta o domínio internacional do dólar. Nos escalões superiores do partido comunista e no conselho estatal há um debate atormentado sobre por que tantas mercadorias são feitas 'na China' e não 'pela China' e por que a inovação autóctone é tão desastrosa. Em 1995, a China estabeleceu como objetivo ter 50 empresas entre as 500 principais multinacionais do mundo em 2010. Terá sorte se tiver alguma.
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Os sub-prestadores de serviços tendem a ter um impacto limitado sobre o emprego de prestadores de serviços. A China é uma prova disso. O instituto de consultoria e pesquisa mais linha dura e protecionista dos Estados Unidos é o Economic Policy Institute. A entidade acredita que as importações chinesas custaram os 2,24 milhões de empregos dos EUA entre 1989 e 2005, mas que produziram um total de empregos no decorrer do mesmo período superior a 400 milhões.
Os sub-prestadores de serviços tendem a ter um impacto limitado sobre o emprego de prestadores de serviços. A China é uma prova disso. O instituto de consultoria e pesquisa mais linha dura e protecionista dos Estados Unidos é o Economic Policy Institute. A entidade acredita que as importações chinesas custaram os 2,24 milhões de empregos dos EUA entre 1989 e 2005, mas que produziram um total de empregos no decorrer do mesmo período superior a 400 milhões.
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O impacto da transferência de empresas para outros países, que provoca tanta virulência por parte da esquerda americana, é ainda menor. O levantamento realizado pelo Departamento de Mão-de-Obra dos Estados Unidos sobre demissões em massa identificou a perda de 884 mil empregos em 2005, dos quais 12.030 foram para o exterior - dois terços deles para China e México. Na Grã-Bretanha, a situação é parecida. De abril de 2003 a julho de 2006, perdemos 390 mil empregos, mas somente 19 mil deles foram para o exterior. Uma unidade da TUC (Trades Union Congress - Confederação de Sindicatos de Trabalhadores na Grã-Bretanha), criada há quatro anos para monitorar a transferência de empregos para o exterior, fechou porque há muito pouco a monitorar.
O impacto da transferência de empresas para outros países, que provoca tanta virulência por parte da esquerda americana, é ainda menor. O levantamento realizado pelo Departamento de Mão-de-Obra dos Estados Unidos sobre demissões em massa identificou a perda de 884 mil empregos em 2005, dos quais 12.030 foram para o exterior - dois terços deles para China e México. Na Grã-Bretanha, a situação é parecida. De abril de 2003 a julho de 2006, perdemos 390 mil empregos, mas somente 19 mil deles foram para o exterior. Uma unidade da TUC (Trades Union Congress - Confederação de Sindicatos de Trabalhadores na Grã-Bretanha), criada há quatro anos para monitorar a transferência de empregos para o exterior, fechou porque há muito pouco a monitorar.
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O motivo é simples. A manufatura representa apenas uma pequena parcela do valor de qualquer mercadoria - existe a invenção, o desenho, financiamento, marketing, transporte, armazenamento, publicidade - e mesmo os custos dos salários não são decisivos. Um trabalhador chinês pode ganhar 4% do salário de um trabalhador americano ou britânico, mas é apenas 4% tão produtivo. A firma de consultoria McKinsey, por exemplo, avalia que apenas um quarto dos engenheiros indianos e um décimo dos engenheiros chineses estão preparados para trabalhar em multinacionais. Num levantamento feito pela McKinsey da Califórnia, a poupança resultante da transferência de fábricas para a China variou de 13% no ramo têxtil a ínfimos 0,6% em empresas de alta tecnologia. Portanto, a mão-de-obra barata não é tudo.
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As empresas ocidentais ainda conseguem competir com empresas asiáticas que pagam baixos salários, como confirmou um estudo com 500 multinacionais realizado por Susan Berger, do Massachusetts Institute of Technology. Elas tendem a ser mais bem organizadas e encaixadas em redes institucionais melhores.Segundo conclui Peter Lindert, da Universidade da Califórnia, a globalização não prejudica a capacidade do mundo industrializado de manter seu status de bem-estar social. Ao contrário, o alto dispêndio social bem direcionado é bom para o crescimento. A riqueza gera riqueza, pois surgem novas formas de atividade econômica impulsionadas por uma conjunção de consumidores mais criteriosos, mais instruídos e abastados querendo novos serviços sofisticados que as empresas ocidentais estão mais capazes de fornecer por meio de novas tecnologias - embora precisem estar fisicamente próximas de seus mercados. Esta é a economia do conhecimento.
As empresas ocidentais ainda conseguem competir com empresas asiáticas que pagam baixos salários, como confirmou um estudo com 500 multinacionais realizado por Susan Berger, do Massachusetts Institute of Technology. Elas tendem a ser mais bem organizadas e encaixadas em redes institucionais melhores.Segundo conclui Peter Lindert, da Universidade da Califórnia, a globalização não prejudica a capacidade do mundo industrializado de manter seu status de bem-estar social. Ao contrário, o alto dispêndio social bem direcionado é bom para o crescimento. A riqueza gera riqueza, pois surgem novas formas de atividade econômica impulsionadas por uma conjunção de consumidores mais criteriosos, mais instruídos e abastados querendo novos serviços sofisticados que as empresas ocidentais estão mais capazes de fornecer por meio de novas tecnologias - embora precisem estar fisicamente próximas de seus mercados. Esta é a economia do conhecimento.
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Tanto a rede de instituições que a suportam quanto a necessidade de proximidade do mercado tornam as economias ocidentais menos vulneráveis à globalização. Os Estados Unidos são os líderes mundiais em tecnologia, marcas, universidades e patentes. Na Grã-Bretanha, o programa de economia do conhecimento da Work Foundation (Fundação do Trabalho), da qual sou diretor-presidente, descobriu que as exportações de serviços baseados no conhecimento triplicaram de 1995 a 2005, enquanto o emprego baseado no conhecimento teve uma elevação dos 30% em 1990 para 41% hoje em dia.
Tanto a rede de instituições que a suportam quanto a necessidade de proximidade do mercado tornam as economias ocidentais menos vulneráveis à globalização. Os Estados Unidos são os líderes mundiais em tecnologia, marcas, universidades e patentes. Na Grã-Bretanha, o programa de economia do conhecimento da Work Foundation (Fundação do Trabalho), da qual sou diretor-presidente, descobriu que as exportações de serviços baseados no conhecimento triplicaram de 1995 a 2005, enquanto o emprego baseado no conhecimento teve uma elevação dos 30% em 1990 para 41% hoje em dia.
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Para os países menos desenvolvidos, isso parece um círculo mágico no qual está cada vez mais difícil penetrar. Mesmo que a China não seja mais do que uma sub-prestadora de serviços para a economia de conhecimento do Ocidente, que chance há de escapar dessa chave de braço ocidental no processo? E, mesmo assim, o Ocidente está histericamente convencido de que é o perdedor - motivo para o colapso da rodada de negociações comerciais de Doha e da existência de não menos de 20 projetos de lei contra o comércio com a China no Congresso americano.
Para os países menos desenvolvidos, isso parece um círculo mágico no qual está cada vez mais difícil penetrar. Mesmo que a China não seja mais do que uma sub-prestadora de serviços para a economia de conhecimento do Ocidente, que chance há de escapar dessa chave de braço ocidental no processo? E, mesmo assim, o Ocidente está histericamente convencido de que é o perdedor - motivo para o colapso da rodada de negociações comerciais de Doha e da existência de não menos de 20 projetos de lei contra o comércio com a China no Congresso americano.
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O argumento é falso seja por que ângulo você olhar. O aumento da desigualdade não é provocado pela competição dos baixos salários que estão empurrando os salários para o fundo, nem pelos salários mais altos pagos aos mais capacitados. O que mudou foram os novos super-ricos. Ian Dew-Becker e Robert Gordon, da Northwestern University, mostram que, nos Estados Unidos, os rendimentos de uma parcela mínima calculada em 0,01% da população cresceram exorbitantemente, chegando a 497% entre 1979 e 2002. Esta é a principal causa da desigualdade americana.
O argumento é falso seja por que ângulo você olhar. O aumento da desigualdade não é provocado pela competição dos baixos salários que estão empurrando os salários para o fundo, nem pelos salários mais altos pagos aos mais capacitados. O que mudou foram os novos super-ricos. Ian Dew-Becker e Robert Gordon, da Northwestern University, mostram que, nos Estados Unidos, os rendimentos de uma parcela mínima calculada em 0,01% da população cresceram exorbitantemente, chegando a 497% entre 1979 e 2002. Esta é a principal causa da desigualdade americana.
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O mesmo ocorre na Grã-Bretanha - há 20 anos, um diretor-presidente médio das 100 empresas mais importantes publicadas no Financial Times ganhava 25 vezes o salário médio de um trabalhador. Hoje, é 120 vezes maior.
O mesmo ocorre na Grã-Bretanha - há 20 anos, um diretor-presidente médio das 100 empresas mais importantes publicadas no Financial Times ganhava 25 vezes o salário médio de um trabalhador. Hoje, é 120 vezes maior.
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A China não é a culpada. Desenvolveu-se na Grã-Bretanha e nos EUA uma cultura empresarial na qual o preço da ação é tudo e a finalidade de tudo. Sob governanças corporativas desesperadamente fracas e desatualizadas, os diretores-presidentes têm redigido seus próprios contratos de salários.
A China não é a culpada. Desenvolveu-se na Grã-Bretanha e nos EUA uma cultura empresarial na qual o preço da ação é tudo e a finalidade de tudo. Sob governanças corporativas desesperadamente fracas e desatualizadas, os diretores-presidentes têm redigido seus próprios contratos de salários.
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Para que o preços das ações fiquem mais altos, embarcaram no maior surto de aquisições do mundo. Em dinheiro vivo, o valor acumulado das transações nos EUA entre 1995 e 2005 foi superior a US$ 9 trilhões. Na Grã-Bretanha, nos últimos três anos, o valor das transações foi a não menos impressionante quantia de 500 bilhões de libras. Essa é a causa principal da perda de emprego e da diminuição do tamanho das empresas - geralmente, por ganhos de produtividade insignificantes.
Para que o preços das ações fiquem mais altos, embarcaram no maior surto de aquisições do mundo. Em dinheiro vivo, o valor acumulado das transações nos EUA entre 1995 e 2005 foi superior a US$ 9 trilhões. Na Grã-Bretanha, nos últimos três anos, o valor das transações foi a não menos impressionante quantia de 500 bilhões de libras. Essa é a causa principal da perda de emprego e da diminuição do tamanho das empresas - geralmente, por ganhos de produtividade insignificantes.
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Os fatores que se opõem a essa situação - regulamentação, um senso de propriedade de longo prazo, escrutínio da mídia, normas de concorrência, sindicatos patronais fortes e uma crença na igualdade - vêm sendo progressivamente enfraquecidos. O capitalismo ocidental está perdendo seu equilíbrio inerente, sua moralidade e, em última análise, sua legitimidade.
Os fatores que se opõem a essa situação - regulamentação, um senso de propriedade de longo prazo, escrutínio da mídia, normas de concorrência, sindicatos patronais fortes e uma crença na igualdade - vêm sendo progressivamente enfraquecidos. O capitalismo ocidental está perdendo seu equilíbrio inerente, sua moralidade e, em última análise, sua legitimidade.