.
Vocês todos já devem ter lido que o BC reduziu a taxa básica de juros em 0,25%. “Finalmente” chegamos aos 13,0%. Apesar da “redução”, permanecemos no topo do mundo. Temos os juros mais altos, e dentre os emergentes, a carga tributária mais alta também. E se você acha isto pouco leia a nota a seguir, publicada no Radar da Veja online:
“Teka demite funcionários
Segunda maior empresa do setor de cama, mesa e banho do Brasil, a Teka demitiu hoje 499 dos seus cerca de 6 000 funcionários e anunciou uma redução de 50% em seu volume de exportações. Os cortes foram em duas das cinco fábricas da companhia. A Teka afirma que as demissões são resultado das altas taxas de juros, do câmbio valorizado e da concorrência com os produtos chineses”.
Adicione ao cardápio acima, mais a questão cambial, e você tem aí a receita perfeita de como se pode, com o mundo andando a mil, travar o crescimento de um país preparado para crescer. O pior é ouvir algumas pessoas importantes de dentro do governo, como o ministro Furlan, da Indústria e Comércio, dar a seguinte declaração, publicada no Estadão online:
"O Brasil não é uma McLaren que atinge cem quilômetros por hora em três segundos". Com essa afirmação, o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio, Luiz Fernando Furlan, procurou nesta quarta-feira, 24, rebater o ceticismo de boa parte dos analistas do mercado com o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). "Como o nome do plano diz, ele tem o objetivo de acelerar o ritmo de crescimento", disse. "A expansão de 5% do PIB não virá de forma imediata, mas gradualmente."
O ministro que ficará "muito satisfeito" se a economia atingir um ritmo de crescimento de 4,5% até dezembro. "Em 2007, o Brasil entrará em sua rota de cruzeiro, com um crescimento em torno dos 5%."
Segundo o ministro, são vários os motivos para se ter uma expectativa otimista com a economia brasileira em 2007. "O PAC é maravilhoso e o setor agrícola vai ter um ano excelente", disse. "E no setor industrial, por exemplo, os sinais são de que o setor automotivo vai quebrar seu recorde de vendas para o mês de janeiro."
Em relação ao impacto do câmbio sobre as exportações, o ministro disse que o setor exportador "já se conformou" com a cotação do real. "O importante para os exportadores é a previsibilidade, para eles poderem planejar seus negócios sem surpresas", disse. "O real tem sido uma das moedas com menor volatilidade no mundo."
Pois então: o ministro acha que tá tudo bem. Então é de se perguntar, se tá tudo tão bem assim, ministro, por que os outros crescem mais do que o Brasil? Ora, quem anunciou como meta de crescimento 5% foi o próprio governo do qual o senhor faz parte. E a partir já de 2007. Ou acaso o ministro não ouviu ou não leu o discurso pós-segundo turno do seu chefe! E mais, o programa ou plano que o senhor endossa, é de aceleração do crescimento e não de crescimento gradual, será que o ministro deu-se conta disto ? E por que o país exportou em 2006 o equivalente a 2% do PIB em capital para o exterior, gerando emprego e renda lá fora ? Por que a indústria coureiro-calçadista interrompeu suas exportações de calçados, e já fechou mais de 70 unidades industriais com desemprego de mais de 30.000 trabalhadores ? Isto apenas para citar uma das cadeias economica afetadas pelo câmbio. Ora, faça-me senhor ministro Furlan, se é para entupir nossos ouvidos de besteirol, dê-se o respeito: mantenha-se calado.
Voltemos aos juros. Sem dúvida, 72 horas depois da festa de lançamento do PAC, esta redução é uma tormenta de água fria. Se já estava difícil de convencer sobre as “virtudes” do tal plano divinal, o “neo-espetáculo do crescimento”, imagine-se agora com o conservadorismo do Banco Central! A rigor, todo mundo chiou e como a decisão não foi unânime, nem o próprio Banco Central, pelos três votos contra, concorda com redução tão ínfima. Porém, de todas as críticas que se ouviu ao longo da noite, a mais esdrúxula foi a do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, que classificou de decepcionante a decisão do Copom. Que foi decpcionante, concordamos, mas a justificativa, leiam: "Dezenas de notas oficiais emitidas após as decisões do Copom jamais sensibilizaram os integrantes desse restrito comitê, surdo aos apelos dos trabalhadores e do setor produtivo por uma queda acelerada da taxa básica de juros", diz o sindicalista em nota.
"Nem mesmo o anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sinalização política do governo federal com vistas ao crescimento, retirou o manto da mesmice e da falta de coragem que obscurece a mente desses nobres cavalheiros. Chega de notas. Queremos mudanças. Os trabalhadores exigem participar ativamente das decisões em torno da política econômica. Pela ampliação e democratização do Conselho Monetário Nacional, já".
Apesar de curta, o que esta nota tem de inverdades e sandices, é um espanto. Esta democratização e ampliação do Conselho Monetário Nacional, se consumada na forma como imagina a CUT, teria o dom de acabar com a economia ! Só isto !!! Primeiro que taxas de juros podem ser um componente de política econômica, mas não é ela a definidora da própria política econômica. Aliás, esta besteira a CUT e demais centrais sindicais há muito tempo insistem na cantilena, demonstrando sua cegueira congênita em não saber separar uma coisa da outra. Não há, repito, relação de causa e efeito entre uma e outra. Juros básicos da economia é um ferramenta. Mas há outras, e é o conjunto das outras que fazem a diferença.
A taxa de juros, a depender da vontade pessoal dos integrantes do BC, seria a menor possível. Mas a questão é: pode ser menor do que é ? Vejam: o que baliza a taxa dos juros é a necessidade do governo em ir ao mercado financeiro tomar dinheiro para fechar suas contas. Quanto mais o governo gasta além do que arrecada, maior será esta necessidade, e assim, como no caso, o governo acaba por absorver 90% do crédito disponível no mercado. Para tomar o dinheiro com mais facilidade, o governo acaba por ter de oferecer um taxa de risco mais alta do que o zé da esquina pagaria por exemplo em condições normais de temperatura e pressão. Isto é o que faz o banco preferir emprestar para o governo e não para o zé da esquina, pela razão pura e simples de que o governo remunera melhor. Tal situação é perversa para o país por duas conseqüências funestas: de um lado, o governo acaba punindo o zé da esquina que, para o banco lhe emprestar, terá também que pagar uma taxa maluca, uma vez que a disponibilidade é pequena em comparação com a demanda. Segundo, ao elevar os juros para tomar empréstimos, o governo acaba punindo o zé esquina outra vez, uma vez que o dinheiro que ele toma na forma de impostos (abusivos, inclusive), será destinado para pagar aqueles juros. Tendo que priorizar o pagamento do principal e mais os juros, o governo acaba ficando sem dinheiro para investimentos em educação, saúde, segurança pública, habitação, saneamento e infra-estrutura, para os quais o zé da esquina, paga mas não leva. Como o zé da esquina é um bom cidadão, precisará pagar escola particular, plano de saúde particular, aposentadoria complementar, gastar com segurança, e trocar de carros mais vezes em razão do mau estado das estradas nacionais.
Portanto, o que trava o país, acaba sendo o próprio estado, perdulário, corrupto, desperdiçador. Política econômica é instrumento de políticas públicas, tanto quanto o são a saúde, a educação, a segurança, etc.
E aonde eu quero chegar ? É que se os juros são altos, e o BC reduz a conta-gotas, o culpado acaba sendo o próprio governo. Querem ver ? Aonde o PAC contemplou por exemplo a redução do gasto público ? Ora, se vai continuar gastando muito e mal o que já gasta, sem previsão ou meta de redução, se vai investir o tanto que anuncia, das duas uma: ou você aumenta a receita pelo lado da tributação, impensável no momento, ou acaba indo mais vezes ao mercado tomar dinheiro. E tornar esta captação fácil e atraente só se consegue pelo lado do juro. Claro que se sabe que no horizonte não há a menor perspectiva de surtos inflacionários, até porque o câmbio, hipervalorizado como se encontra, acaba se tornando um pé no freio.
Portanto, o que está errada não é política econômica como muitos apressadinhos tentam insinuar. O que está errado, e que precisa ser mexido, e não há sinal do governo para tanto, é a própria política do governo. Ele acaba sendo indutor desta situação ridícula por que passa o país, de ver o mundo crescer muito bem para o lado do planeta que se queira olhar, enquanto nós, tão ricos e tão bem preparados (como nunca “dantez na história dezte paiz)”) agonizamos na rabeira do crescimento, exportando riqueza, emprego e renda para os outros.
O dia em que o governo Lula começar a se dar conta de seus próprios erros (o que parece improvável com a turma que o cerca), talvez além do diagnóstico correto, ele passe a ministrar o remédio certo na dosagem adequada. E, obrigatoriamente, o diagnóstico deverá centrar-se na questão fiscal, e nas demais reformas necessárias ao emagrecimento do próprio estado. Faminto por recursos, gastando mal, com desperdícios de toda a sorte e corrupção impune como o governo tem se portado nos últimos quatro anos, acreditem, não há milagre que nos salve.
Portanto, é preciso entender que o BC não é contra o Brasil: contra o Brasil é um pacote que deveria ser indutor do crescimento, mas que, rigorosamente, não corrige aquilo que precisa ser corrigido, nem tampouco destrava as amarras que cerceiam nosso crescimento. E, por conseguinte, não oferece alternativas para que o BC se sinta seguro em uma redução drástica dos juros básicos. Podemos até criticá-lo por falta de ousadia, excesso de conservadorismo, mas jamais de que esteja impedindo que o país cresça mais. Os juros, conforme aqui demonstrado, serão sempre consequência da política que o governo faz na administração, responsável ou não, de suas próprias finanças. Precisamos aprender a enxergar a doença pelo lado de suas causas, e tratá-las aí, e não ficarmos eternamente tratando apenas os sintomas, como temos temos feito há muito tempo.
“Teka demite funcionários
Segunda maior empresa do setor de cama, mesa e banho do Brasil, a Teka demitiu hoje 499 dos seus cerca de 6 000 funcionários e anunciou uma redução de 50% em seu volume de exportações. Os cortes foram em duas das cinco fábricas da companhia. A Teka afirma que as demissões são resultado das altas taxas de juros, do câmbio valorizado e da concorrência com os produtos chineses”.
Adicione ao cardápio acima, mais a questão cambial, e você tem aí a receita perfeita de como se pode, com o mundo andando a mil, travar o crescimento de um país preparado para crescer. O pior é ouvir algumas pessoas importantes de dentro do governo, como o ministro Furlan, da Indústria e Comércio, dar a seguinte declaração, publicada no Estadão online:
"O Brasil não é uma McLaren que atinge cem quilômetros por hora em três segundos". Com essa afirmação, o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio, Luiz Fernando Furlan, procurou nesta quarta-feira, 24, rebater o ceticismo de boa parte dos analistas do mercado com o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). "Como o nome do plano diz, ele tem o objetivo de acelerar o ritmo de crescimento", disse. "A expansão de 5% do PIB não virá de forma imediata, mas gradualmente."
O ministro que ficará "muito satisfeito" se a economia atingir um ritmo de crescimento de 4,5% até dezembro. "Em 2007, o Brasil entrará em sua rota de cruzeiro, com um crescimento em torno dos 5%."
Segundo o ministro, são vários os motivos para se ter uma expectativa otimista com a economia brasileira em 2007. "O PAC é maravilhoso e o setor agrícola vai ter um ano excelente", disse. "E no setor industrial, por exemplo, os sinais são de que o setor automotivo vai quebrar seu recorde de vendas para o mês de janeiro."
Em relação ao impacto do câmbio sobre as exportações, o ministro disse que o setor exportador "já se conformou" com a cotação do real. "O importante para os exportadores é a previsibilidade, para eles poderem planejar seus negócios sem surpresas", disse. "O real tem sido uma das moedas com menor volatilidade no mundo."
Pois então: o ministro acha que tá tudo bem. Então é de se perguntar, se tá tudo tão bem assim, ministro, por que os outros crescem mais do que o Brasil? Ora, quem anunciou como meta de crescimento 5% foi o próprio governo do qual o senhor faz parte. E a partir já de 2007. Ou acaso o ministro não ouviu ou não leu o discurso pós-segundo turno do seu chefe! E mais, o programa ou plano que o senhor endossa, é de aceleração do crescimento e não de crescimento gradual, será que o ministro deu-se conta disto ? E por que o país exportou em 2006 o equivalente a 2% do PIB em capital para o exterior, gerando emprego e renda lá fora ? Por que a indústria coureiro-calçadista interrompeu suas exportações de calçados, e já fechou mais de 70 unidades industriais com desemprego de mais de 30.000 trabalhadores ? Isto apenas para citar uma das cadeias economica afetadas pelo câmbio. Ora, faça-me senhor ministro Furlan, se é para entupir nossos ouvidos de besteirol, dê-se o respeito: mantenha-se calado.
Voltemos aos juros. Sem dúvida, 72 horas depois da festa de lançamento do PAC, esta redução é uma tormenta de água fria. Se já estava difícil de convencer sobre as “virtudes” do tal plano divinal, o “neo-espetáculo do crescimento”, imagine-se agora com o conservadorismo do Banco Central! A rigor, todo mundo chiou e como a decisão não foi unânime, nem o próprio Banco Central, pelos três votos contra, concorda com redução tão ínfima. Porém, de todas as críticas que se ouviu ao longo da noite, a mais esdrúxula foi a do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, que classificou de decepcionante a decisão do Copom. Que foi decpcionante, concordamos, mas a justificativa, leiam: "Dezenas de notas oficiais emitidas após as decisões do Copom jamais sensibilizaram os integrantes desse restrito comitê, surdo aos apelos dos trabalhadores e do setor produtivo por uma queda acelerada da taxa básica de juros", diz o sindicalista em nota.
"Nem mesmo o anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sinalização política do governo federal com vistas ao crescimento, retirou o manto da mesmice e da falta de coragem que obscurece a mente desses nobres cavalheiros. Chega de notas. Queremos mudanças. Os trabalhadores exigem participar ativamente das decisões em torno da política econômica. Pela ampliação e democratização do Conselho Monetário Nacional, já".
Apesar de curta, o que esta nota tem de inverdades e sandices, é um espanto. Esta democratização e ampliação do Conselho Monetário Nacional, se consumada na forma como imagina a CUT, teria o dom de acabar com a economia ! Só isto !!! Primeiro que taxas de juros podem ser um componente de política econômica, mas não é ela a definidora da própria política econômica. Aliás, esta besteira a CUT e demais centrais sindicais há muito tempo insistem na cantilena, demonstrando sua cegueira congênita em não saber separar uma coisa da outra. Não há, repito, relação de causa e efeito entre uma e outra. Juros básicos da economia é um ferramenta. Mas há outras, e é o conjunto das outras que fazem a diferença.
A taxa de juros, a depender da vontade pessoal dos integrantes do BC, seria a menor possível. Mas a questão é: pode ser menor do que é ? Vejam: o que baliza a taxa dos juros é a necessidade do governo em ir ao mercado financeiro tomar dinheiro para fechar suas contas. Quanto mais o governo gasta além do que arrecada, maior será esta necessidade, e assim, como no caso, o governo acaba por absorver 90% do crédito disponível no mercado. Para tomar o dinheiro com mais facilidade, o governo acaba por ter de oferecer um taxa de risco mais alta do que o zé da esquina pagaria por exemplo em condições normais de temperatura e pressão. Isto é o que faz o banco preferir emprestar para o governo e não para o zé da esquina, pela razão pura e simples de que o governo remunera melhor. Tal situação é perversa para o país por duas conseqüências funestas: de um lado, o governo acaba punindo o zé da esquina que, para o banco lhe emprestar, terá também que pagar uma taxa maluca, uma vez que a disponibilidade é pequena em comparação com a demanda. Segundo, ao elevar os juros para tomar empréstimos, o governo acaba punindo o zé esquina outra vez, uma vez que o dinheiro que ele toma na forma de impostos (abusivos, inclusive), será destinado para pagar aqueles juros. Tendo que priorizar o pagamento do principal e mais os juros, o governo acaba ficando sem dinheiro para investimentos em educação, saúde, segurança pública, habitação, saneamento e infra-estrutura, para os quais o zé da esquina, paga mas não leva. Como o zé da esquina é um bom cidadão, precisará pagar escola particular, plano de saúde particular, aposentadoria complementar, gastar com segurança, e trocar de carros mais vezes em razão do mau estado das estradas nacionais.
Portanto, o que trava o país, acaba sendo o próprio estado, perdulário, corrupto, desperdiçador. Política econômica é instrumento de políticas públicas, tanto quanto o são a saúde, a educação, a segurança, etc.
E aonde eu quero chegar ? É que se os juros são altos, e o BC reduz a conta-gotas, o culpado acaba sendo o próprio governo. Querem ver ? Aonde o PAC contemplou por exemplo a redução do gasto público ? Ora, se vai continuar gastando muito e mal o que já gasta, sem previsão ou meta de redução, se vai investir o tanto que anuncia, das duas uma: ou você aumenta a receita pelo lado da tributação, impensável no momento, ou acaba indo mais vezes ao mercado tomar dinheiro. E tornar esta captação fácil e atraente só se consegue pelo lado do juro. Claro que se sabe que no horizonte não há a menor perspectiva de surtos inflacionários, até porque o câmbio, hipervalorizado como se encontra, acaba se tornando um pé no freio.
Portanto, o que está errada não é política econômica como muitos apressadinhos tentam insinuar. O que está errado, e que precisa ser mexido, e não há sinal do governo para tanto, é a própria política do governo. Ele acaba sendo indutor desta situação ridícula por que passa o país, de ver o mundo crescer muito bem para o lado do planeta que se queira olhar, enquanto nós, tão ricos e tão bem preparados (como nunca “dantez na história dezte paiz)”) agonizamos na rabeira do crescimento, exportando riqueza, emprego e renda para os outros.
O dia em que o governo Lula começar a se dar conta de seus próprios erros (o que parece improvável com a turma que o cerca), talvez além do diagnóstico correto, ele passe a ministrar o remédio certo na dosagem adequada. E, obrigatoriamente, o diagnóstico deverá centrar-se na questão fiscal, e nas demais reformas necessárias ao emagrecimento do próprio estado. Faminto por recursos, gastando mal, com desperdícios de toda a sorte e corrupção impune como o governo tem se portado nos últimos quatro anos, acreditem, não há milagre que nos salve.
Portanto, é preciso entender que o BC não é contra o Brasil: contra o Brasil é um pacote que deveria ser indutor do crescimento, mas que, rigorosamente, não corrige aquilo que precisa ser corrigido, nem tampouco destrava as amarras que cerceiam nosso crescimento. E, por conseguinte, não oferece alternativas para que o BC se sinta seguro em uma redução drástica dos juros básicos. Podemos até criticá-lo por falta de ousadia, excesso de conservadorismo, mas jamais de que esteja impedindo que o país cresça mais. Os juros, conforme aqui demonstrado, serão sempre consequência da política que o governo faz na administração, responsável ou não, de suas próprias finanças. Precisamos aprender a enxergar a doença pelo lado de suas causas, e tratá-las aí, e não ficarmos eternamente tratando apenas os sintomas, como temos temos feito há muito tempo.