terça-feira, janeiro 09, 2007

Discurso de Chávez anti-EEUU: aparências, nada mais.

Apesar de disputas, comércio EUA-Venezuela se fortalece
Greg Morsbach, BBC Brasil
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Se você acompanhou a troca acalorada de insultos entre a Venezuela e os Estados Unidos nos últimos 12 meses, poderia ser facilmente perdoado por assumir que a relação comercial entre os dois países é igualmente frágil.
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Mas nada poderia estar mais longe da verdade. Enquanto o presidente venezuelano, Hugo Chávez, lança ataque atrás de ataque contra a Casa Branca, e vice-versa, o comércio entre os dois países está na verdade se fortalecendo.
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Uma olhada rápida nos últimos dados diz tudo. Há apenas quatro anos, o total de importações e exportações entre a Venezuela e os Estados Unidos era de cerca de US$ 20 bilhões ao ano.
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Os últimos números divulgados pela câmara de comércio Venezuela-Estados Unidos (VenAmCham) mostram que o comércio bilateral mais que dobrou nos últimos quatro anos e soma hoje cerca de US$ 47 bilhões.
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“Apenas no último ano, o nível de importações e exportações entre os Estados Unidos e a Venezuela aumentou 15%”, disse o presidente da VenAmCham, Edmond Saade.
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Petróleo em alta
Quase a metade dos bens exportados pela Venezuela são destinados aos Estados Unidos, e nem mesmo as duras palavras dirigidas à Casa Branca pelo presidente Chávez mudaram isso.
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Uma observação mais próxima revela por que o comércio vem crescendo: os preços globais do petróleo aumentaram fortemente, e assim o valor dos carregamentos venezuelanos aos Estados Unidos agora se aproxima dos US$ 39 bilhões ao ano.
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A indústria do petróleo responde por 90% das exportações venezuelanas, explica Saade. O restante corresponde aos setores de têxteis e alimentos.
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Os Estados Unidos sempre foram tradicionalmente um dos maiores parceiros comerciais da Venezuela.
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“Temos mantido uma relação comercial estável com a Venezuela pelos últimos 200 anos”, disse à BBC um porta-voz do Departamento de Estado americano.
“Essa relação resistiu ao teste do tempo. Ela também agüentou algumas dificuldades que tivemos no passado.”
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Em relação ao comércio no outro sentido, quase um terço das importações venezuelanas são originárias dos Estados Unidos.

A economia do país sul-americano vem crescendo cerca de 9% ao ano, aumentando a demanda por bens de consumo como carros, roupas e produtos eletrônicos para níveis recordes.
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Reconhecimento
Há um claro reconhecimento pelas autoridades em Caracas de que mesmo que se mantenham o gelo da política bilateral e a atual retórica, o comércio entre a Venezuela e os Estados Unidos é indispensável.
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“No fim das contas, os Estados Unidos ainda são e têm sido nosso principal parceiro comercial”, disse à BBC Jorge Valero, vice-ministro da Venezuela para questões norte-americanas.
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“À parte de algumas de nossas diferenças políticas, sempre podemos contar com nossos parceiros americanos para fazer negócios conosco.”
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A Venezuela está buscando vender mais e mais petróleo para os mercados do sudeste asiático, particularmente para a China, com sua demanda voraz para matérias-primas e por energia para manter seu rápido crescimento econômico.
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Mas ainda é muito difícil de imaginar um dia no qual o presidente Hugo Chávez feche a torneira do suprimento de petróleo para os Estados Unidos.

Até o momento, não existe um substituto real para os Estados Unidos como consumidor de petróleo.
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Se a Venezuela quiser virar suas costas para os americanos no comércio de petróleo, pode precisar de mais uma década para ser capaz de fazê-lo.