terça-feira, janeiro 09, 2007

Enquanto isso...

Petróleo em queda, o novo pesadelo de Sérgio Cabral
Ricardo Rego Monteiro
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Quando o cobertor da administração pública é curto, até mesmo aquilo que promete ser solução para as finanças estaduais torna-se um pesadelo. A queda dos preços do petróleo no mercado internacional é o mais novo fantasma a atormentar o novo secretário de Fazenda do Rio de Janeiro, Joaquim Levy. O ex-secretário do Tesouro Nacional anunciou ontem que a queda de quase US$ 30 dos preços do petróleo nos últimos meses contribuiu para reduzir em cerca de R$ 700 milhões a estimativa de receita do Estado para este ano. Ao todo, o secretário calcula um rombo de até R$ 1,4 bilhão nas despesas do governo, o que já dificulta o pagamento dos servidores públicos.
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Além de prever uma menor receita (R$ 700 milhões) com os royalties do petróleo - cuja arrecadação estava prevista em R$ 6,1 bilhões para este ano -, o secretário revelou que o aumento das despesas correntes também exigirão medidas para elevar a arrecadação de impostos. Pagos pelas empresas de petróleo a prefeituras e governos estaduais a título de compensação ambiental, os royalties são calculados a partir de estimativas como quantidade de óleo e gás produzida no local e preços do petróleo no mercado internacional. Ontem, o barril em queda acentuou uma tendência já sinalizada no ano passado, depois de alcançar quase US$ 80.
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Levy revelou, ainda, que, entre 2003 e o ano passado, as despesas cresceram 39%, ao saltar de R$ 23,11 bilhões para R$ 32,14 bilhões. Só com pessoal ativo e inativo, justificou, o gasto aumentou 25,4% no mesmo período, ao saltar de R$ 11,03 bilhões para R$ 13,3 bilhões.
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- Há receitas que no Orçamento estão mais altas do que talvez se realizem e as despesas de custeio que cresceram muito no último ano - justificou.

Embora a nova gestão ainda não tenha concluído a auditoria nas contas do governo, o secretário antecipou medidas que serão adotadas nos próximos meses. Uma delas, já decidida, é suspender neste ano a nova emissão de Fundo de Investimento de Direitos Creditórios (FDICs), também de R$ 700 milhões. Esses fundos, que visam antecipar receitas futuras, têm como garantia a receita calculada com royalties de petróleo.
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Enquanto isso...
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O álcool em alta, pesadelo do consumidor
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Apesar de alta, álcool ainda é mais vantajoso em 18 Estados e DF
Da FolhaNews
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Apesar da forte alta de preços, abastecer com álcool continua a ser mais vantajoso que usar a gasolina para os donos de carros bicombustíveis de 18 Estados e do Distrito Federal. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq-USP, o álcool é a melhor opção sempre que custar menos que 70% da gasolina.
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De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), na semana passada isso só não aconteceu em 8 Estados brasileiros: Amapá, Amazonas, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima e Sergipe. O Amapá, onde o litro do álcool custa em média 89% da gasolina, é o Estado em que é menos recomendável abastecer com o combustível a base de cana-de-açúcar.
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Já São Paulo é onde se ganha mais com o álcool. No Estado, o litro do álcool custa em média 1,321, ou apenas 55% do pago pela gasolina (R$ 2,402 na média). Na semana passada, o álcool subiu em média 2,65% para o consumidor brasileiro, passando de R$ 1,506 para R$ 1,546, segundo a ANP. No Estado de São Paulo, o litro avançou 5,5%, para R$ 1,321.
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Já nas usinas do Estado de São Paulo, o litro do álcool hidratado subiu 2,97% na semana passada, após ter avançado 4,6% nos sete dias anteriores, de acordo com o Cepea.
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Variação Dependendo do Estado, o preço do álcool no Brasil chega a variar 63%. Segundo a ANP, o litro mais barato é encontrado em São Paulo, onde sai em média por R$ 1,321. Já o valor mais caro foi encontrado no Amapá (2,154).
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A variação de preços máxima da gasolina, de 28%, foi encontrada entre os Estados do Piauí (R$ 2,291) e Mato Grosso (R$ 2,933). A pesquisadora do Cepea Marta Cristina Marjotta-Maistro explica que o preço do álcool apresenta variações bem maiores do que a gasolina devido aos diferentes custos de produção e comercialização de cada região.
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Ela lembrou que o principal Estado produtor brasileiro é São Paulo, onde foi registrado o menor preço médio por litro, porque o custo de produção é menor. Os Estados do Nordeste também produzem o combustível, mas a produtividade é menor devido ao clima.
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Já os Estados distantes das zonas produtoras têm que arcar com o custo de transporte do combustível. A produção de gasolina, por sua vez, está dividida principalmente entre as diversas refinarias que a Petrobras possui no país. Além disso, o local onde o petróleo é extraído não tem influência nos preços cobrados das refinarias.