Fabio Grecchi, na Tribuna da Imprensa
As chuvas que vêm caindo desde o final do ano passado, sobretudo na Região Sudeste, não causam apenas transtornos para a população. Demonstram também que o avanço econômico pretendido por Lula para o segundo governo ou será feito por decreto ou na propaganda. Porque condições mesmo, o País não tem.
No interior de São Paulo, com estradas destruídas pelo excesso de volume dos córregos e rios, os produtores de leite não têm como escoar a produção. Ou jogam o produto fora ou empatam lucro e prejuízo para poder chegar com os latões aos entrepostos. No Norte Fluminense, as rodovias também estão em petição de miséria, o que obriga caminhoneiros a fazerem caminhos mais longos. Claro que este desvio acaba influindo no preço final do produto.
O investimento em infra-estrutura e logística feito pelo governo é vergonhoso. A malha ferroviária permanece subaproveitada, as estradas não resitiram às chuvas de verão - o que tornou a Operação Tapa-Buracos um desperdício de dinheiro -, os portos padecem de eficiência. Sem contar que não há locais de armazenamento em boas condições.
Esta combinação de efeitos da incompetência ameaça impactar diretamente as exportações. Ainda que o Brasil seja um vendedor de produtos de baixo valor agregado, as remessas para o exterior, sobretudo de grãos, não apresentaram níveis assutadores de redução por causa da tecnologia e da competência do produtor. Pelo menos no caso da soja, houve expressiva redução da área plantada devido ao desprezo com que o governo tratou os agricultores ano passado.
Quer dizer: cientes de que o Palácio do Planalto é bom de discurso e ruim de ação, diminuíram o espaço, dividindo-o com outras culturas. A tecnologia se encarregou do restante.
O pacote de estímulo à produção será divulgado dia 22. As medidas vão girar em torno de renúncias fiscais e alíquotas mais baixas. Sobre investimento, não se deve esperar muito. O governo continuará esperando que almas caridosas estejam dispostas a entrar no quarto escuro das Parcerias Público-Privadas.
Bola dividida
O governador Blairo Maggi (MT) foi sacado do PPS. Motivo: apoiou a reeleição do presidente Lula. Seu passe vem sendo disputado por PT e PMDB, com ligeira vantagem para o segundo.
Isto porque Maggi mostra-se, programaticamente, mais próximo dos peemedebistas. Mas ele poderia até indicar o próximo ministro da Agricultura - o governador é o maior produtor brasileiro de soja -, que seria o argumento dos petistas para conquistá-lo.
Pé-de-cabra
O deputado Tadeu Filipeli (PMDB-DF) é hoje o principal trator da candidatura de Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara. Espécie de coordenador informal, é ele que vem fazendo com que a bancada do partido esteja dividida em relação a quem apoiar.
Filipeli é muito ligado a Joaquim Roriz. O que se comenta é que se Chinaglia conseguir ser eleito, o ex-governador do Distrito Federal não ficará desamparado no segundo governo Lula.
Maravilha
Inclusive, os peemedebistas que gostariam de reeleger Aldo Rebelo perceberam que Chinaglia está jogando para valer. O líder do partido na Câmara, Wilson Santiago (PB), conseguiu mais de R$ 20 milhões em emendas para seu Estado. Detalhe: com os jamegões dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Tarso Genro (Relações Institucionais).
Os colegas de partido de Santiago não se conformam com a liberação de tanto dinheiro. Atribuem a benesse a um provável futuro dourado dentro do governo.
Remandiola
Coincidência ou não, tão logo o ex-ministro José Dirceu se manifestou a favor de um candidato de consenso da base governista, Tarso veio a público para dizer que os aliados podem disputar a Câmara com Aldo e Chinaglia. Bastaria, porém, que o candidato da terceira via fosse sepultado.
Semana passada, Tarso assegurou que até dia 20 alguém abre mão e a base vem unida. Já mudou o discurso. Percebeu que Chinaglia está forte e prepara o lugar de Aldo novamente no ministério.
De saída
O ex-deputado Romeu Queiroz pediu demissão do cargo de presidente do PTB de Minas. Alegou que, como não conseguiu retornar à Câmara dos Deputados, não se sentia à vontade para permanecer como presidente regional da sigla. O nome de seu sucessor só será anunciado no início de fevereiro, quando o ex-parlamentar volta de férias.
Se você não está ligando o nome à pessoa, Queiroz esteve envolvido no escândalo do Mensalão. Mas conseguiu - assim como alguns colegas - escapar da punição do Legislativo, não das urnas.
Abertura
Durante toda a campanha, o então candidato Sérgio Cabral pouco comentou as atitudes administrativas da então governadora Rosinha Matheus. Hoje faz da mídia sua parceira para mostrar como encontrou o Estado deixado por sua antecessora.
Por isso é que se irritou quando a direção do Hospital Carlos Chagas impediu que a reportagem do RJTV filmasse. Cabral, que estava sendo entrevistado ao vivo no estúdio, ficou bravo: "Por que o Carlos Chagas não foi aberto à imprensa? Vou saber o porquê. No nosso governo, hospital tem que estar aberto".
As chuvas que vêm caindo desde o final do ano passado, sobretudo na Região Sudeste, não causam apenas transtornos para a população. Demonstram também que o avanço econômico pretendido por Lula para o segundo governo ou será feito por decreto ou na propaganda. Porque condições mesmo, o País não tem.
No interior de São Paulo, com estradas destruídas pelo excesso de volume dos córregos e rios, os produtores de leite não têm como escoar a produção. Ou jogam o produto fora ou empatam lucro e prejuízo para poder chegar com os latões aos entrepostos. No Norte Fluminense, as rodovias também estão em petição de miséria, o que obriga caminhoneiros a fazerem caminhos mais longos. Claro que este desvio acaba influindo no preço final do produto.
O investimento em infra-estrutura e logística feito pelo governo é vergonhoso. A malha ferroviária permanece subaproveitada, as estradas não resitiram às chuvas de verão - o que tornou a Operação Tapa-Buracos um desperdício de dinheiro -, os portos padecem de eficiência. Sem contar que não há locais de armazenamento em boas condições.
Esta combinação de efeitos da incompetência ameaça impactar diretamente as exportações. Ainda que o Brasil seja um vendedor de produtos de baixo valor agregado, as remessas para o exterior, sobretudo de grãos, não apresentaram níveis assutadores de redução por causa da tecnologia e da competência do produtor. Pelo menos no caso da soja, houve expressiva redução da área plantada devido ao desprezo com que o governo tratou os agricultores ano passado.
Quer dizer: cientes de que o Palácio do Planalto é bom de discurso e ruim de ação, diminuíram o espaço, dividindo-o com outras culturas. A tecnologia se encarregou do restante.
O pacote de estímulo à produção será divulgado dia 22. As medidas vão girar em torno de renúncias fiscais e alíquotas mais baixas. Sobre investimento, não se deve esperar muito. O governo continuará esperando que almas caridosas estejam dispostas a entrar no quarto escuro das Parcerias Público-Privadas.
Bola dividida
O governador Blairo Maggi (MT) foi sacado do PPS. Motivo: apoiou a reeleição do presidente Lula. Seu passe vem sendo disputado por PT e PMDB, com ligeira vantagem para o segundo.
Isto porque Maggi mostra-se, programaticamente, mais próximo dos peemedebistas. Mas ele poderia até indicar o próximo ministro da Agricultura - o governador é o maior produtor brasileiro de soja -, que seria o argumento dos petistas para conquistá-lo.
Pé-de-cabra
O deputado Tadeu Filipeli (PMDB-DF) é hoje o principal trator da candidatura de Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara. Espécie de coordenador informal, é ele que vem fazendo com que a bancada do partido esteja dividida em relação a quem apoiar.
Filipeli é muito ligado a Joaquim Roriz. O que se comenta é que se Chinaglia conseguir ser eleito, o ex-governador do Distrito Federal não ficará desamparado no segundo governo Lula.
Maravilha
Inclusive, os peemedebistas que gostariam de reeleger Aldo Rebelo perceberam que Chinaglia está jogando para valer. O líder do partido na Câmara, Wilson Santiago (PB), conseguiu mais de R$ 20 milhões em emendas para seu Estado. Detalhe: com os jamegões dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Tarso Genro (Relações Institucionais).
Os colegas de partido de Santiago não se conformam com a liberação de tanto dinheiro. Atribuem a benesse a um provável futuro dourado dentro do governo.
Remandiola
Coincidência ou não, tão logo o ex-ministro José Dirceu se manifestou a favor de um candidato de consenso da base governista, Tarso veio a público para dizer que os aliados podem disputar a Câmara com Aldo e Chinaglia. Bastaria, porém, que o candidato da terceira via fosse sepultado.
Semana passada, Tarso assegurou que até dia 20 alguém abre mão e a base vem unida. Já mudou o discurso. Percebeu que Chinaglia está forte e prepara o lugar de Aldo novamente no ministério.
De saída
O ex-deputado Romeu Queiroz pediu demissão do cargo de presidente do PTB de Minas. Alegou que, como não conseguiu retornar à Câmara dos Deputados, não se sentia à vontade para permanecer como presidente regional da sigla. O nome de seu sucessor só será anunciado no início de fevereiro, quando o ex-parlamentar volta de férias.
Se você não está ligando o nome à pessoa, Queiroz esteve envolvido no escândalo do Mensalão. Mas conseguiu - assim como alguns colegas - escapar da punição do Legislativo, não das urnas.
Abertura
Durante toda a campanha, o então candidato Sérgio Cabral pouco comentou as atitudes administrativas da então governadora Rosinha Matheus. Hoje faz da mídia sua parceira para mostrar como encontrou o Estado deixado por sua antecessora.
Por isso é que se irritou quando a direção do Hospital Carlos Chagas impediu que a reportagem do RJTV filmasse. Cabral, que estava sendo entrevistado ao vivo no estúdio, ficou bravo: "Por que o Carlos Chagas não foi aberto à imprensa? Vou saber o porquê. No nosso governo, hospital tem que estar aberto".