Editorial do Jornal do Brasil
Completado o primeiro mês do ruidoso anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, sinais inquietantes sugerem que certos temores podem se confirmar em breve e atenuar as esperanças de um desenvolvimento mais rápido e próspero. O risco é a carpintaria destinada a fazer o país reencontrar o caminho do espetáculo do crescimento destruir-se numa demorada tramitação parlamentar. A ameaça está completa se o programa se paralisar diante da inércia da burocracia estatal.
Da primeira ameaça dão conta as impressionantes 684 emendas que propõem alterações no plano - 60% das quais vindas de partidos integrantes da base parlamentar de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sobre a burocracia, constata-se que esses primeiros 30 dias foram insuficientes permitir algum avanço considerável no andamento do programa. "Em termos objetivos não aconteceu nada, só apresentações", resumiu ao JB o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada, Luiz Fernando Santos Reis. "Espero que a burocracia estatal não emperre os projetos", confirmou o diretor de infra-estrutura do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, Carlos Zveilbil Neto.
São alertas a considerar caso o Palácio do Planalto deseje livrar-se do descompasso entre a concepção política - descrita, com pompa e circunstância, no anúncio de um mês atrás - e a carpintaria técnica do PAC. Ou Congresso e governo fazem a sua parte, cumprindo as respectivas etapas com rapidez, ou o setor privado não estará seguro para investir os R$ 200 bilhões esperados pelos autores do programa. (E sem os investidores privados, convém dizer, o país não seguirá adiante, uma vez que o Tesouro está praticamente exaurido). Mas chama a atenção, em especial, o volume de modificações sugeridas no Congresso às sete medidas provisórias que arquitetam o PAC. E o espantoso: PT e PMDB encabeçam o ranking de emendas.
Pouco antes do anúncio do programa, o presidente Lula disse uma frase lapidar em discurso - onde mais seria? - para prefeitos reunidos no Planalto: "Não quero que seja mais um daqueles programas que o governante vai à TV e anuncia, anuncia, anuncia e anuncia, e termina o mandato e vocês não vêem. Eu quero anunciar aquilo que a gente puder cumprir". Com tais palavras, Lula produziu uma curiosa descrição do que foi seu comportamento ao longo do primeiro mandato - uma sucessão de promessas anunciadas e descumpridas. Como se sabe, salvou-o a combinação entre uma equipe econômica virtuosa e uma política social bem-sucedida. Outros programas - do Primeiro Emprego às ações de combate à criminalidade - não vieram.
A cada dia a sua agonia, ensinava o apóstolo Paulo. Por ora, importa dizer que os imbróglios que atormentarão o fins desejados não se resumem ao PAC em si. Ou melhor, avançam sobre o que o PAC não tem. Tem faltado à agenda governamental a convicção definitiva de que os fatores que contêm o crescimento do país têm a sua origem, todos, no setor público. Se a carga tributária é uma das maiores do planeta, se os marcos regulatórios são pouco favoráveis aos negócios, se as reformas tributária e trabalhista não andam e se a reforma da Previdência não passa das intenções de alguns integrantes do governo - se tudo isso há é porque temos um Estado de tamanho exagerado, que consome as energias do setor privado, e uma máquina estatal ineficiente.
Ainda assim, os projetos do PAC ajudarão a aquecer a economia. Mas precisam sair do papel. Resta torcer que os próximos aniversários possam desabonar prognósticos mais pessimistas.
Completado o primeiro mês do ruidoso anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, sinais inquietantes sugerem que certos temores podem se confirmar em breve e atenuar as esperanças de um desenvolvimento mais rápido e próspero. O risco é a carpintaria destinada a fazer o país reencontrar o caminho do espetáculo do crescimento destruir-se numa demorada tramitação parlamentar. A ameaça está completa se o programa se paralisar diante da inércia da burocracia estatal.
Da primeira ameaça dão conta as impressionantes 684 emendas que propõem alterações no plano - 60% das quais vindas de partidos integrantes da base parlamentar de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sobre a burocracia, constata-se que esses primeiros 30 dias foram insuficientes permitir algum avanço considerável no andamento do programa. "Em termos objetivos não aconteceu nada, só apresentações", resumiu ao JB o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada, Luiz Fernando Santos Reis. "Espero que a burocracia estatal não emperre os projetos", confirmou o diretor de infra-estrutura do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, Carlos Zveilbil Neto.
São alertas a considerar caso o Palácio do Planalto deseje livrar-se do descompasso entre a concepção política - descrita, com pompa e circunstância, no anúncio de um mês atrás - e a carpintaria técnica do PAC. Ou Congresso e governo fazem a sua parte, cumprindo as respectivas etapas com rapidez, ou o setor privado não estará seguro para investir os R$ 200 bilhões esperados pelos autores do programa. (E sem os investidores privados, convém dizer, o país não seguirá adiante, uma vez que o Tesouro está praticamente exaurido). Mas chama a atenção, em especial, o volume de modificações sugeridas no Congresso às sete medidas provisórias que arquitetam o PAC. E o espantoso: PT e PMDB encabeçam o ranking de emendas.
Pouco antes do anúncio do programa, o presidente Lula disse uma frase lapidar em discurso - onde mais seria? - para prefeitos reunidos no Planalto: "Não quero que seja mais um daqueles programas que o governante vai à TV e anuncia, anuncia, anuncia e anuncia, e termina o mandato e vocês não vêem. Eu quero anunciar aquilo que a gente puder cumprir". Com tais palavras, Lula produziu uma curiosa descrição do que foi seu comportamento ao longo do primeiro mandato - uma sucessão de promessas anunciadas e descumpridas. Como se sabe, salvou-o a combinação entre uma equipe econômica virtuosa e uma política social bem-sucedida. Outros programas - do Primeiro Emprego às ações de combate à criminalidade - não vieram.
A cada dia a sua agonia, ensinava o apóstolo Paulo. Por ora, importa dizer que os imbróglios que atormentarão o fins desejados não se resumem ao PAC em si. Ou melhor, avançam sobre o que o PAC não tem. Tem faltado à agenda governamental a convicção definitiva de que os fatores que contêm o crescimento do país têm a sua origem, todos, no setor público. Se a carga tributária é uma das maiores do planeta, se os marcos regulatórios são pouco favoráveis aos negócios, se as reformas tributária e trabalhista não andam e se a reforma da Previdência não passa das intenções de alguns integrantes do governo - se tudo isso há é porque temos um Estado de tamanho exagerado, que consome as energias do setor privado, e uma máquina estatal ineficiente.
Ainda assim, os projetos do PAC ajudarão a aquecer a economia. Mas precisam sair do papel. Resta torcer que os próximos aniversários possam desabonar prognósticos mais pessimistas.