quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Imperialismo tupinambá?

Pedro Doria,NoMínimo

George W. Bush vêm à América Latina agora em março. O passeio começa no dia 8, por São Paulo, na seqüência passa pelo Uruguai, pela Colômbia, daí Guatemala e, enfim, México. A passagem pela Guatemala explica-se, talvez, por conta da proximidade da Nicarágua que acaba de eleger Daniel Ortega. O Uruguai só pode ser provocação.

Com os argentinos.

Não bastassem os dois vizinhos estarem em pé de guerra, a Cisplatina não tem qualquer importância, a terra ao redor da cidade de Nuestra Señora del Buen Aire, tem.

Bush quer Lula inflado. O argumento da diplomacia norte-americana é que o Brasil precisa ocupar seu lugar natural de líder sul-americano, ainda mais quando um desvairado como Hugo Chávez está por cima. Chávez esquece, com facilidade, que deve muito a Lula. Entre outras coisas, seu cargo. Não fosse a intervenção brasileira deixando claro que intervenções na política interna venezuelana não seriam toleradas, os EUA poderiam ter se mexido um pouco mais quando do golpe. Não aconteceu, Chávez virou a mesa.

Mas não é apenas o Brasil que está incomodado com Hugo Chávez. Também o governo argentino acha que a instabilidade trazida para a região e as relações promíscuas com gente como Mahmoud Ahmadinejad trazem maus agouros, contaminam, derrubam a vizinhança toda, afastam negócios. Ainda assim, não é como Washington interpreta os sinais de Néstor Kirchner – e ele ganhou gelo.

A visita ao Brasil, seguida de uma ao Uruguai, é provocação pura. Para deixar evidente, mesmo.

Não que Kirchner ligue muito. É ano eleitoral e Bush não agrega nada. O Brasil é que fica numa posição delicada. O negócio à mesa é um negócio que interessa a tupinambá: venda de etanol para esfriar a Terra. (Ao menos para não jogar na superfície carbono que estava nas profundezas faz milênios.) O diabo é que, nestas horas, tupinambá às vezes se empolga e tenda praticar aquilo que, segundo o historiador Luiz Felipe de Alencastro em sue blog, não passa de uma espécie de sub-imperialismo brasileño.