quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Oi Robespiere, oi Lenin!

Fausto Wolff , Jornal do Brasil

Aos leitores que continuam enviando e-mails pedindo que eu comente a tragédia que se abateu sobre João Hélio e sobre todo o Brasil, informo o seguinte. Trata-se de matéria muito delicada e de fundamental importância. Dependendo do que acontecer nos próximos dias, poderá mudar o panorama político brasileiro para melhor. Lembrem-se de que tanto a Revolução Francesa como a Russa nasceram do coração e do estômago do povo. Robespierre e Lenin apenas ensinaram o caminho das pedras. Por isso, estou me guardando para quando o carnaval passar. Preciso de uma página inteira (pois não quero dividir o ensaio) e isso a minha editoria só pode me dar no próximo sábado. Vocês não perdem por esperar.

Como hoje é domingo de carnaval e para não perder o hábito, pau na canalha. Pergunto-me, por exemplo, por que continuamos pagando impostos para sustentar corjas que, além de nos roubarem a esperança, nos ameaçam com o desemprego e a cadeia? No dia seguinte à tragédia de JH, nossos algozes só souberam fornecer estas manchetes: "Governadores pedem mais tempo de prisão para menor"; "Aumento de pena para menores"; "Governadores do Sudeste defendem prazo maior de internação em caso de crimes hediondos"; "Senado reabre a discussão da maioridade (18 para 16 anos)".

Se não fossemos prisioneiros de governos tacanhos, cruéis e gananciosos, as manchetes deveriam ser estas: "Governadores destinam mais verbas à educação"; "Aumento de vagas nas escolas públicas, em horário integral, para menores"; "Governadores do Sudeste defendem o aumento da carga horária no ensino público elementar"; "Senado reabre a discussão sobre o papel do ensino público no combate à exclusão social e no exercício da cidadania".

Em que praias, em que bailes, em que suítes, em que Mansões Palloci nosso verdugos estão festejando enquanto tramam a melhor forma de se beneficiar com a tragédia de JH? Precisamos estar atentos, preparados para a contra-ofensiva depois do carnaval.

Sobe a 31 o número de parlamentares assassinos indiretos. Falo de sete novos sanguessugas. Assassinos por quê? Digamos que havia dinheiro para comprar 10 ambulâncias para um hospital. Com a comissão dos deputados, só foi possível comprar cinco. Quantas pessoas morreram por falta dessas ambulâncias? Assassinos indiretos sim e deviam estar na cadeia, mas isso só acontecerá no dia em que Luiz Silva aprender português e ler um livro do princípio ao fim.

O Conto do Pacote recebeu 684 emendas. Passarão quatro anos antes que todas sejam examinadas. Até lá, Luiz Silva já terá terminado seu mandato e programa de governo: distribuir dinheiro aos ricos e cestas básicas aos miseráveis. Obstruir o trabalho parlamentar é crime que conduz a outros crimes.

A primeira frase coerente que ouço vinda de uma liderança do PT é de autoria de Jacques Wagner, novo governador da Bahia graças ao seu carisma e prestígio pessoal, pois teve de lutar contra ACM e carregar nas costas a pesadíssima banda corrupta do PT. Eis a frase: "O pecado é fingir que não erramos. O PT deixou de discutir idéias e virou partido de máquinas". Entendo que Wagner tenha levado quatro anos para dizer isso, caso contrário não se elegeria, mas vai ter de me permitir uma pergunta: E agora? Omissão também é crime indireto.

Das 684 emendas recebidas pelo Conto do Pacote de Luiz Silva e seus conselheiros, nenhuma diz respeito ao fim do nepotismo, ao fim do voto secreto, ao fim da imunidade parlamentar, ao fim das mordomias. Não sei porque isso não espanta a mim e nem a ninguém. Logo, logo o povo do Brasil inteiro se dará conta de que não chora só pelo menino JH, tragicamente assassinado. Chora, principalmente por si mesmo, e chorará muito mais quando compreender que é refém de malfeitores de luxo. Então poderão até amarrar os cinco sociopatas fabricados pelo poder a um caminhão e arrastá-los até que estejam definitivamente mortos e fingir que, com isso, todos os problemas do Brasil resolvidos. O povo, porém, estará observando a sangrenta bufonaria. Vocês já viram uma convulsão social ?