terça-feira, fevereiro 13, 2007

Maria Antonieta não disse, mas Ellen Gracie disse

Reinaldo Azevedo
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A coitada da Maria Antonieta nunca sugeriu que os pobres comessem brioches já que não tinham pão. Ela só estava sendo vítima do, como chamarei?, petismo avant la lettre. Os caras vivem disso. A difamação ainda é a mais poderosa arma da esquerda. Atribui-se, por exemplo, a FHC o famoso “esqueçam o que escrevi”, jamais pronunciado. Até porque não haveria razão: sua obra escrita é coerente com sua obra vivida. Quem lhe atribuiu a frase nunca dita não leu seus livros. A segunda arma poderosa da esquerda e a avassaladora ignorância — ainda que não seja a do difamador, ele conta com a colaboração do ouvinte. Mas já fugi. Volto. Maria Antonieta não falou dos brioches, mas Ellen Gracie, a presidente do STF, ah, esta, sim, está pedindo que o povo se entupa de pitéus e acepipes se lhe falta o pão nosso de cada dia do Estado de Direito.
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Voltou hoje à carga contra a diminuição da maioridade penal: “Geralmente se discute mudança a legislação quando há clima de comoção e emoção no país, e isso não é a melhor hora da discussão. A questão da criminalidade é bem mais ampla do que endurecimento de pena e dos regimes prisionais". Duas coisas:
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1) a sociedade tem todo o direito de cobrar solução quando o problema se torna mais agudo. Dona Gracie faz de conta que a “comoção” falseia a questão. É o contrário, minha senhora: ela só evidencia a gravidade do caso, tornando-se um emblema e uma síntese de um desconforto e de um medo permanentes da sociedade.
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2) O perigo da inação mora justamente neste “a questão é mais ampla”. É claro que é mais ampla. Sempre será. Ninguém está dizendo ou espera que apenas a diminuição da maioridade penal ponha um fim à violência.
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Ela ainda não estava satisfeita e avançou: “Dimensionar tudo isso no menor é uma atitude errada em relação a nossa infância que merece educação, oportunidade para que não caia no mundo do crime". Quem é que está “dimensionando tudo isso no menor”? Esses brasileiros cretinos, ministra, estão apenas tentando diminuir a impunidade no país.

Ademais, a ministra é paga para dizer "o que resolve", não é mesmo? Dizer o que "não resolve", convenhamos, é bem mais barato. Qualquer um pode fazê-lo.