domingo, fevereiro 11, 2007

O dólar barato é para muito tempo

Carlos Alberto Sardenberg, G1

Com o dólar a R$ 2,08, aumentam as pressões para que o Banco Central faça alguma coisa para impedir essa forte valorização do real. Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o BC “está bobeando”.

Ocorre, porém, que o BC tem pouco o que fazer além do que já faz. E no curtíssimo prazo, não há nada que possa valorizar o dólar assim de bate-pronto.

O problema é que há muito dólar entrando no país. E a maior parte das entradas é considerada benigna, digamos assim. O pessoal acha que o BC deveria conter de algum modo a entrada do tal capital especulativo, que viria para cá se aproveitar das altas taxas de juros. Mas essa é a menor parte.

Entram dólares por:

. exportações – continuam fortes e subindo. (E todo mundo acha isso muito bom)

. investimentos diretos de empresas estrangeiras em fábricas, comércio, serviços. (E todo mundo também acha bom).

. financiamentos tomados por empresas brasileiras no mercado externo para investir aqui, na economia real. (Todo mundo acha bom).

. financiamentos tomados por bancos aqui instalados para emprestar a seus clientes. (Também é coisa boa)

. dinheiro trazido por turistas. (também todo mundo quer).

. e, claro, capital financeiro que entra para se aproveitar dos juros elevados. (É a menor parte. Bloquear este cria ruído no mercado financeiro e não refresca em nada).

E se o BC comprar mais dólares e diminuir os juros mais rapidamente?

Funciona, mas não muito.

Observe os seguintes dados:

. de setembro de 2005 até aqui, a taxa básica de juros caiu de 19,75% para 13%. Nesse período, a cotação do dólar caiu de R$ 2,20 para os R$ 2,08 de hoje.
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. de setembro de 2005 até aqui, o BC comprou cerca de US$ 50 bilhões, levando as reservas para os US$ 92,3 bilhões de ontem.
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E o risco Brasil caiu de 372 pontos base em setembro de 2005 para os 180 pontos de hoje.
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Só tem um jeito de o dólar se valorizar: é o Brasil aumentar fortemente suas importações. Ou seja, precisamos gastar dólares.

Mas aí o pessoal da indústria acha ruim.

O Brasil não é para amadores.