quinta-feira, março 08, 2007

Ala de Genro retoma ataques a setores do PT e ao BC

Petistas que lançaram em fevereiro o manifesto Mensagem ao Partido retomam, no anteprojeto de sua tese para o 3º Congresso Nacional do PT, o tom crítico a setores do partido e fazem ataques ao Banco Central. Embora não volte a falar em "corrupção ética e programática", como na primeira versão da Mensagem ao Partido, lançada em janeiro, o grupo - do qual faz parte o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro - acusa setores do PT de "práticas e condutas incompatíveis com a ética republicana" e critica a impunidade dos "mensaleiros".

Já a gestão de Henrique Meirelles no BC é classificada de "anti-republicana" e ligada ao grande capital financeiro. "Se não aceitamos em geral a máxima de que o número de votos conferido a um político acusado de corrupção o anistia dos erros cometidos, não podemos aplicar este preceito dentro do PT", diz o documento, que condena a "conivência, a desresponsabilização, a condescendência", em menção velada aos envolvidos em escândalos. Com forte peso de militantes gaúchos, mineiros e nordestinos, o grupo retoma a tese da "despaulistização" da direção petista. Também critica a prática da antiga direção, de se reunir antes das instâncias oficiais para decidir as questões e depois impor as resoluções ao restante da legenda. O alvo é o Campo Majoritário, grupo de tendências moderadas que dirigiu a legenda de 1995 a 2005.

"Reconhecendo-se a importância da contribuição de São Paulo na construção do PT, é imprescindível hoje o compartilhamento mais nacional das tarefas de direção do partido", afirma o documento. "A nova realidade política e regional do partido exige que seja superada a visão de um campo majoritário que impõe às instâncias nacionais as decisões tomadas a priori e em grupo."

O documento, embora não mencione Meirelles, é cáustico com sua gestão. "O maior entrave hoje à construção de uma economia do setor público é o caráter historicamente anti-republicano da gestão do Banco Central (...)", ataca o texto. "Este caráter anti-republicano, acentuado nos anos do neoliberalismo, se revela hoje ainda na financeirização de sua gestão, isto é, na sua relação íntima com o capital financeiro, na escolha de seus quadros, em seus procedimentos, em suas fontes de informação, em suas políticas e metas."

A ala que produziu o documento tem o apoio dos governadores Ana Júlia Carepa (Pará), Wellington Dias (Piauí) e Marcelo Déda (Sergipe) e de pelo menos um importante grupo de esquerda, a Democracia Socialista. O governador da Bahia, Jaques Wagner, inicialmente flertou com o grupo, mas se afastou por causa dos problemas causados pela versão de janeiro do manifesto.

COMENTANDO A NOTICIA: Qualquer coisa que o PT pretenda fazer só terá sentido verdadeiro, se souber ter a grandeza de mirar-se no espelho. E reconhecer-se pelos erros e crimes que praticou e ainda vem praticando. Enquanto não agir com esta honestidade, nada do que produza fará sentido algum. Aliás, há algumas semana atrás ao fazer uma crítica ao partido, um petista postou um comentário bem interessante: dizia que não deveríamos nos intrometer em assuntos internos do PT. Concordaria com o grandíssimo defensor da grande causa não fossem dois detalhes: o primeiro, o dinheiro com que o partido se mantém também é público. E o dinheiro com que o partido faz sua divulgação também é público. Portanto, sendo dinheiro público, quer queiram ou não, devem prestar contas. Gostem ou não, pouco importa. É de lei. Assim, sendo um partido político que utiliza verba pública para sua manutenção, e sendo uma entidade política, suas ações de um modo ou de outra acabam espirrando na sociedades as conseqüências. E no poder, foram os políticos do partido que protagonizaram as ações mais nefastas a que já assistiu fazer em único governo republicano.