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Nessas horas, a desimportância do Brasil no mundo é uma dádiva. Ninguém registrou que o Estado-Maior de Lula foi todo denunciado por esquemas maiores e menores de desvio de dinheiro público para o partido e o grupo político do presidente. Para o mundo, Lula continua sendo o bibelô da miséria. O Brasil não pode jogar essa chance fora.
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À espera de George Bush, Lula rosnou contra a barreira tarifária imposta pelos Estados Unidos ao álcool brasileiro. Ocorre que o rosnado de Lula é um miado para Bush. Com um pouco de esperteza, o Brasil desistiria dessa tola tentativa terceiro-mundista de falar grosso com os americanos. Lula, fale fino com Bush.
À espera de George Bush, Lula rosnou contra a barreira tarifária imposta pelos Estados Unidos ao álcool brasileiro. Ocorre que o rosnado de Lula é um miado para Bush. Com um pouco de esperteza, o Brasil desistiria dessa tola tentativa terceiro-mundista de falar grosso com os americanos. Lula, fale fino com Bush.
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Essa conversa de cooperação tecnológica para a produção de etanol funciona bem para encher página de revista brasileira. Os Estados Unidos produzem álcool combustível a partir do milho, e não vão dar moleza para a entrada do álcool brasileiro tirado da cana-de-açúcar. Se quiserem mesmo abrir espaço para o etanol de biomassa em sua matriz energética, eles inventam a tecnologia, importam a matéria-prima e fim de papo. Esse sonho brazuca de empreendimento binacional, só com o Paraguai (e olhe lá).
Essa conversa de cooperação tecnológica para a produção de etanol funciona bem para encher página de revista brasileira. Os Estados Unidos produzem álcool combustível a partir do milho, e não vão dar moleza para a entrada do álcool brasileiro tirado da cana-de-açúcar. Se quiserem mesmo abrir espaço para o etanol de biomassa em sua matriz energética, eles inventam a tecnologia, importam a matéria-prima e fim de papo. Esse sonho brazuca de empreendimento binacional, só com o Paraguai (e olhe lá).
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Se um raio de sensatez caísse sobre o Palácio do Planalto, o Brasil pararia com essa infantilidade de querer falar de igual para igual com os Estados Unidos, de querer disputar seus direitos na OMC, aquele teatrinho onde ganha tudo e não leva nada.
Se um raio de sensatez caísse sobre o Palácio do Planalto, o Brasil pararia com essa infantilidade de querer falar de igual para igual com os Estados Unidos, de querer disputar seus direitos na OMC, aquele teatrinho onde ganha tudo e não leva nada.
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O que o Brasil tem de concreto para negociar com a cúpula do mundo? Além das mulatas, o país tem uma coisa chamada floresta amazônica. É aquela região continental cheia de cipó e mosquito, símbolo meio confuso de orgulho e de atraso, que motiva brados patéticos de soberania ante o tabu da invasão estrangeira.
O que o Brasil tem de concreto para negociar com a cúpula do mundo? Além das mulatas, o país tem uma coisa chamada floresta amazônica. É aquela região continental cheia de cipó e mosquito, símbolo meio confuso de orgulho e de atraso, que motiva brados patéticos de soberania ante o tabu da invasão estrangeira.
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O chato é que na prática os estrangeiros invadem assim mesmo, comprando terras com testas de ferro, escondidos atrás de ONGs ou na base da simples pirataria. Eis a proposta: institucionalizar a invasão.
O chato é que na prática os estrangeiros invadem assim mesmo, comprando terras com testas de ferro, escondidos atrás de ONGs ou na base da simples pirataria. Eis a proposta: institucionalizar a invasão.
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Como se sabe, a capacidade brasileira de prospectar o tesouro microscópio da Amazônia é pífia. O governo bate recordes de criação de parques, grita que está criando a maior área protegida do mundo, leva diplomas da Unesco e todas essas fanfarronices da eco-burocracia internacional – e a tal da biodiversidade fica lá, como um monumento ao fantasma da soberania.
Como se sabe, a capacidade brasileira de prospectar o tesouro microscópio da Amazônia é pífia. O governo bate recordes de criação de parques, grita que está criando a maior área protegida do mundo, leva diplomas da Unesco e todas essas fanfarronices da eco-burocracia internacional – e a tal da biodiversidade fica lá, como um monumento ao fantasma da soberania.
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Lula devia convidar Bush para uma parceria na Amazônia. À luz do dia. Sem pirataria nem paranóia.
Lula devia convidar Bush para uma parceria na Amazônia. À luz do dia. Sem pirataria nem paranóia.
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O Brasil entraria com a riqueza genética, os Estados Unidos com a tecnologia e os bilhões de dólares necessários para esse tipo de pesquisa e o desenvolvimento dos produtos. Patentes compartilhadas, direitos pré-definidos em acordos bilaterais devidamente chancelados pelos Congressos dos dois países. Nada dessa laranjada diplomática de cartas de intenções estratosféricas. Contrato para valer.
O Brasil entraria com a riqueza genética, os Estados Unidos com a tecnologia e os bilhões de dólares necessários para esse tipo de pesquisa e o desenvolvimento dos produtos. Patentes compartilhadas, direitos pré-definidos em acordos bilaterais devidamente chancelados pelos Congressos dos dois países. Nada dessa laranjada diplomática de cartas de intenções estratosféricas. Contrato para valer.
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Lula poderia incluir as garantias que bem entendesse, inclusive contrapartida de conhecimento científico, além da financeira. De quebra, poderia negociar um mega-acordo de geração de créditos de carbono da floresta para os EUA, que investiriam em grandes planos de reflorestamento tropical e poderiam continuar poluindo à vontade lá no Norte. Uma lavagem de reputação muito mais eficiente do que posar de bonzinho ao lado dos pobres.
Lula poderia incluir as garantias que bem entendesse, inclusive contrapartida de conhecimento científico, além da financeira. De quebra, poderia negociar um mega-acordo de geração de créditos de carbono da floresta para os EUA, que investiriam em grandes planos de reflorestamento tropical e poderiam continuar poluindo à vontade lá no Norte. Uma lavagem de reputação muito mais eficiente do que posar de bonzinho ao lado dos pobres.
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Os olhos de Bush iam brilhar. E o Brasil sairia dessa diplomacia do faz-de-conta para a realidade da troca de interesses, única língua universalmente compreendida. Possivelmente passasse a ganhar de fato algumas paradas na OMC.
Os olhos de Bush iam brilhar. E o Brasil sairia dessa diplomacia do faz-de-conta para a realidade da troca de interesses, única língua universalmente compreendida. Possivelmente passasse a ganhar de fato algumas paradas na OMC.
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E talvez até, de sobremesa, emplacasse o etanol no mercado americano.
E talvez até, de sobremesa, emplacasse o etanol no mercado americano.