por Paulo G. M. de Moura, cientista político
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Com a entrega do quinto ministério ao PMDB, Lula acaba de comprar todo o partido que, um dia, já foi comandado pelo Dr. Ulysses Guimarães. Um feito inédito. Em se tratado de peemedebismo, nunca há garantia de que haverá entrega da mercadoria, mas, tudo indica que Lula conseguiu concretizar a compra no atacado, e que as eventuais dificuldades com deputados desgarrados da base governista ficará muito barata daqui para frente.
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A se confirmar essa constatação, o contribuinte brasileiro tem fortes razões para se preocupar.
A se confirmar essa constatação, o contribuinte brasileiro tem fortes razões para se preocupar.
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Por que? Porque a essência do projeto de governo de Lula para seu segundo mandato se resume aos eixos básicos a seguir:
Por que? Porque a essência do projeto de governo de Lula para seu segundo mandato se resume aos eixos básicos a seguir:
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a) Consolidar sua base parlamentar de modo a isolar a oposição, impedir a instalação de CPIs e sufocar as iniciativas de seus adversários;
a) Consolidar sua base parlamentar de modo a isolar a oposição, impedir a instalação de CPIs e sufocar as iniciativas de seus adversários;
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b) Não fazer nenhuma reforma estrutural capaz de contrariar interesses relevantes; mobilizar setores importantes da sociedade contra o governo e desestabilizar sua base no Congresso sob pressão das ruas;
b) Não fazer nenhuma reforma estrutural capaz de contrariar interesses relevantes; mobilizar setores importantes da sociedade contra o governo e desestabilizar sua base no Congresso sob pressão das ruas;
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c) Aumentar o gasto público com a distribuição de dinheiro para a clientela do bolsa-esmola e do Pro-Uni, e para financiar a volta do Estado aos investimentos em obras públicas de grande porte;
c) Aumentar o gasto público com a distribuição de dinheiro para a clientela do bolsa-esmola e do Pro-Uni, e para financiar a volta do Estado aos investimentos em obras públicas de grande porte;
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d) Aumentar a carga tributária para financiar os gastos com o item b);
d) Aumentar a carga tributária para financiar os gastos com o item b);
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e) Garantir todas as condições políticas para que a memória dos escândalos de 2005 morra no esquecimento, e para que Lula termine o segundo mandato em condições de voltar ao poder nos braços do povo, em 2010 ou 2014.
e) Garantir todas as condições políticas para que a memória dos escândalos de 2005 morra no esquecimento, e para que Lula termine o segundo mandato em condições de voltar ao poder nos braços do povo, em 2010 ou 2014.
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Está morta a cobra. Nada muito além disso se deve esperar do segundo governo de Lula, para desespero do jornalismo político, cuja pauta se resumirá ao reme-reme do enfadonho jogo político tradicional. Como, aliás, já está acontecendo.
Está morta a cobra. Nada muito além disso se deve esperar do segundo governo de Lula, para desespero do jornalismo político, cuja pauta se resumirá ao reme-reme do enfadonho jogo político tradicional. Como, aliás, já está acontecendo.
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Nada impede que o acaso gere alguma surpresa ou turbulências políticas, por vezes inevitáveis, mas se o governo não for obrigado por uma crise econômica internacional a tomar medidas que provoquem perdas de renda aos eleitores, não haverá como alterar esse quadro favorável a Lula que vai se constituindo.
Nada impede que o acaso gere alguma surpresa ou turbulências políticas, por vezes inevitáveis, mas se o governo não for obrigado por uma crise econômica internacional a tomar medidas que provoquem perdas de renda aos eleitores, não haverá como alterar esse quadro favorável a Lula que vai se constituindo.
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Sem uma mudança dessa natureza, ou sem um escândalo político de grandes proporções (talvez até com isso acontecendo), a oposição está mortinha-da-silva e sem nenhuma condição de protagonizar o jogo político, tal como a descoberta do mensalão lhe permitiu em 2005.
Sem uma mudança dessa natureza, ou sem um escândalo político de grandes proporções (talvez até com isso acontecendo), a oposição está mortinha-da-silva e sem nenhuma condição de protagonizar o jogo político, tal como a descoberta do mensalão lhe permitiu em 2005.
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Aliás, se não fosse o mensalão, já teria sido assim no primeiro mandato e a eleição de Lula no primeiro turno em 2006 teria sido o maior e mais tranqüilo passeio de um líder político sobre seus adversários que se teria visto na curta história democrática da nação. Agora, nem mais um escândalo será novidade.
Aliás, se não fosse o mensalão, já teria sido assim no primeiro mandato e a eleição de Lula no primeiro turno em 2006 teria sido o maior e mais tranqüilo passeio de um líder político sobre seus adversários que se teria visto na curta história democrática da nação. Agora, nem mais um escândalo será novidade.
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A sociedade está entorpecida e não quer saber de política. Fechou os olhos para a corrupção, ao dar de ombros achando-a inevitável, reelegendo Lula, avalizou o petismo no poder.
A sociedade está entorpecida e não quer saber de política. Fechou os olhos para a corrupção, ao dar de ombros achando-a inevitável, reelegendo Lula, avalizou o petismo no poder.
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Lula está legitimado para fazer o que quer. E pode, mesmo que a lei proíba, porque é isso que o povo sinalizou que quer.
Lula está legitimado para fazer o que quer. E pode, mesmo que a lei proíba, porque é isso que o povo sinalizou que quer.
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Os tucanos do PMDB entenderam o recado das urnas; fecharam o bico, dobraram a espinha e aderiram sem rodeios ao lulismo. Até o PT entendeu, baixou a crista e aceitou o PMDB com cinco ministérios e ocupando os milhares de cargos dos escalões inferiores do governo que vai perder. A compensação virá em malas pretas ou em caixas de camisa enviadas por Sedex, pelo eficiente serviço público dos Correios.
Os tucanos do PMDB entenderam o recado das urnas; fecharam o bico, dobraram a espinha e aderiram sem rodeios ao lulismo. Até o PT entendeu, baixou a crista e aceitou o PMDB com cinco ministérios e ocupando os milhares de cargos dos escalões inferiores do governo que vai perder. A compensação virá em malas pretas ou em caixas de camisa enviadas por Sedex, pelo eficiente serviço público dos Correios.
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A eventual vitória do governo na votação do veto de Lula à Emenda 3 à lei que criou a Super-Receita será o primeiro teste da fórmula. Na essência, a intenção do governo é meter a mão no bolso do contribuinte, da mesma forma que pretendia fazer com a MP 232, que foi derrotada sob ampla mobilização da sociedade e pressão sobre o parlamento. A única diferença, agora, é exatamente a ausência de reação das vítimas do assalto anunciado.
A eventual vitória do governo na votação do veto de Lula à Emenda 3 à lei que criou a Super-Receita será o primeiro teste da fórmula. Na essência, a intenção do governo é meter a mão no bolso do contribuinte, da mesma forma que pretendia fazer com a MP 232, que foi derrotada sob ampla mobilização da sociedade e pressão sobre o parlamento. A única diferença, agora, é exatamente a ausência de reação das vítimas do assalto anunciado.
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Lula terá, logo, sua oportunidade de avaliar se cinco ministérios são suficientes para comprar todo o PMDB. Vai testar também, se além de isolar e desidratar o PSDB e o PFL, conseguiu fazer o mesmo com a única parcela da sociedade brasileira que prefere viver em liberdade, sem a tutela autoritária e fiscalista do Estado patrimonialista, e que, por isso, não vota no PT de jeito nenhum.
Lula terá, logo, sua oportunidade de avaliar se cinco ministérios são suficientes para comprar todo o PMDB. Vai testar também, se além de isolar e desidratar o PSDB e o PFL, conseguiu fazer o mesmo com a única parcela da sociedade brasileira que prefere viver em liberdade, sem a tutela autoritária e fiscalista do Estado patrimonialista, e que, por isso, não vota no PT de jeito nenhum.
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Querem saber? Estou pessimista.
COMENTANDO A NOTICIA: O Paulo Moura escreveu este artigo antes de Lula vetar a Emenda 3. Tinha pois razão o Paulo Moura de estar pessimista. Por outro lado, ao escolher o caminho do projeto de lei, Lula uma vez mais sacaneou toda a classe média que constitui a grande maioria dos atingidos pela Lei que criou a Super-Receita.
No ano passado, ainda valendo o clima da campanha, Lula desistiu da MP 232 que encaminhava o assunto pelo mesmo rol da lei recentemente aprovada no congresso. Mas agora, ao vetar, não havia razões para Lula temer a pressão, pois já estava eleito.
Mas não se espere muito do tal projeto de lei (poderia ter sido por medida provisória, porém escolheu o pior caminho). Nas palavras de Guido Mantega justificando o veto presidencial, a questão ficará restrita à alçada da Secretaria de Receita Federal. Portanto, no entender do governo, a Justiça do Trabalho fica de fora. O que, de4finitivamente, é um absurdo. Duvido que a Receita Federal terá isenção para julgar coisa alguma no sentido de perceber serem os contratos de empresas com as PJs prestadoras de serviços legais ou não. O objetivo do governo, neste caso, fica claro: aplicar sobre a classe média mais uma bangornada tributária.
Resta a pressão sobre o Congresso para a derrubada do veto presidencial, única maneira de escapar à indecência, e claro, e mais esta facada no bolso de quem vem sustentando este bando de gigolôs. Por a depender do tal projeto de lei anotem: o tempo até o projeto ser redigido e enviado ao Congresso, depois a enrolação até que transite em todas as comissões, analisado e ser dado os pareceres. Depois vem a fase das emendas, até que finalmente entre em votações, ou melhor, na fila de votações. Não levará menos do que uns meses no mínimo. E até fica valendo a lei em vigor, sem a Emenda 3. Se é para usar as medidas provisória para qualquer pum atravessado, por que não usaram-na agora ? Claro, o interesse é ganharem tempo até a receita e seus “simpáticos” fiscais fazerem uma varredura nas PJs, multarem a rodo, decretarem o fechamento da sua maioria, o governo assim levar confusão a um mercado de trabalho que organizado funcionava. Portanto, a única alternativa agora será, como dissemos pressão para a derrubada do veto. E mais uma vez, dentro de seu projeto totalitário, o governo Lula elimina o trabalho e a necessidade de uma instituição, que é o Poder Judiciário. E este bebum quer chamar a porcaria de governo que faz de democrático !!! Só na China, meus amigos, só na China.
Querem saber? Estou pessimista.
COMENTANDO A NOTICIA: O Paulo Moura escreveu este artigo antes de Lula vetar a Emenda 3. Tinha pois razão o Paulo Moura de estar pessimista. Por outro lado, ao escolher o caminho do projeto de lei, Lula uma vez mais sacaneou toda a classe média que constitui a grande maioria dos atingidos pela Lei que criou a Super-Receita.
No ano passado, ainda valendo o clima da campanha, Lula desistiu da MP 232 que encaminhava o assunto pelo mesmo rol da lei recentemente aprovada no congresso. Mas agora, ao vetar, não havia razões para Lula temer a pressão, pois já estava eleito.
Mas não se espere muito do tal projeto de lei (poderia ter sido por medida provisória, porém escolheu o pior caminho). Nas palavras de Guido Mantega justificando o veto presidencial, a questão ficará restrita à alçada da Secretaria de Receita Federal. Portanto, no entender do governo, a Justiça do Trabalho fica de fora. O que, de4finitivamente, é um absurdo. Duvido que a Receita Federal terá isenção para julgar coisa alguma no sentido de perceber serem os contratos de empresas com as PJs prestadoras de serviços legais ou não. O objetivo do governo, neste caso, fica claro: aplicar sobre a classe média mais uma bangornada tributária.
Resta a pressão sobre o Congresso para a derrubada do veto presidencial, única maneira de escapar à indecência, e claro, e mais esta facada no bolso de quem vem sustentando este bando de gigolôs. Por a depender do tal projeto de lei anotem: o tempo até o projeto ser redigido e enviado ao Congresso, depois a enrolação até que transite em todas as comissões, analisado e ser dado os pareceres. Depois vem a fase das emendas, até que finalmente entre em votações, ou melhor, na fila de votações. Não levará menos do que uns meses no mínimo. E até fica valendo a lei em vigor, sem a Emenda 3. Se é para usar as medidas provisória para qualquer pum atravessado, por que não usaram-na agora ? Claro, o interesse é ganharem tempo até a receita e seus “simpáticos” fiscais fazerem uma varredura nas PJs, multarem a rodo, decretarem o fechamento da sua maioria, o governo assim levar confusão a um mercado de trabalho que organizado funcionava. Portanto, a única alternativa agora será, como dissemos pressão para a derrubada do veto. E mais uma vez, dentro de seu projeto totalitário, o governo Lula elimina o trabalho e a necessidade de uma instituição, que é o Poder Judiciário. E este bebum quer chamar a porcaria de governo que faz de democrático !!! Só na China, meus amigos, só na China.