Reinaldo Azevedo
Há uma cascata muito influente em curso. Defende-se, em vez da TV estatal, que cheira mal já no nome, uma certa “TV pública”. Pública? Quem é o dono, cara pálida? Quem é o patrão? Quem é o chefe? Quem paga as contas? Você paga, amigo leitor. Você paga, e a esquerda se diverte no canal 69... O debate vem, como sempre, maquiado.
Há uma cascata muito influente em curso. Defende-se, em vez da TV estatal, que cheira mal já no nome, uma certa “TV pública”. Pública? Quem é o dono, cara pálida? Quem é o patrão? Quem é o chefe? Quem paga as contas? Você paga, amigo leitor. Você paga, e a esquerda se diverte no canal 69... O debate vem, como sempre, maquiado.
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Lula está com tudo engatilhado para criar a TV do Executivo. Vai custar, no papel, a bagatela de R$ 250 milhões em quatro anos. No papel. Sabemos como os orçamentos tendem a ser móveis nesses casos. Em obras públicas, não perde uma aposta quem multiplica os custos previstos por pelo menos dois. E acredite: a questão do dinheiro é a menos relevante.
Lula está com tudo engatilhado para criar a TV do Executivo. Vai custar, no papel, a bagatela de R$ 250 milhões em quatro anos. No papel. Sabemos como os orçamentos tendem a ser móveis nesses casos. Em obras públicas, não perde uma aposta quem multiplica os custos previstos por pelo menos dois. E acredite: a questão do dinheiro é a menos relevante.
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Com as exceções conhecidas e de sempre, que vivem sendo satanizadas pelos esquerdopatas, nenhum governo contou com um jornalismo tão complacente como Lula. Os petistas não precisam de uma mídia oficial porquanto oficial, hoje, já é boa parte do noticiário. É tal a intimidade do poder com o setor, que o fato de um filho do presidente ser dono de uma empresa que arrenda quase a totalidade do tempo de um canal de TV serve de emblema escancarado, a dispensar provas mais eloqüentes.
Com as exceções conhecidas e de sempre, que vivem sendo satanizadas pelos esquerdopatas, nenhum governo contou com um jornalismo tão complacente como Lula. Os petistas não precisam de uma mídia oficial porquanto oficial, hoje, já é boa parte do noticiário. É tal a intimidade do poder com o setor, que o fato de um filho do presidente ser dono de uma empresa que arrenda quase a totalidade do tempo de um canal de TV serve de emblema escancarado, a dispensar provas mais eloqüentes.
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Ainda assim, o PT insiste em ter a tal Rede Pública de TV. Por quê? Porque é para sempre, leitor amigo. Na prática, está se criando uma nova estatal, que será, como de hábito, aparelhada pelos partidos — ou partido — de esquerda, de modo que sua orientação, pouco importa o governo que assuma o poder, será sempre a mesma. É o que já acontece hoje com emissoras que pertencem a fundações ou a órgãos do Estado. Muda o governo, sim, mas não a orientação.
Ainda assim, o PT insiste em ter a tal Rede Pública de TV. Por quê? Porque é para sempre, leitor amigo. Na prática, está se criando uma nova estatal, que será, como de hábito, aparelhada pelos partidos — ou partido — de esquerda, de modo que sua orientação, pouco importa o governo que assuma o poder, será sempre a mesma. É o que já acontece hoje com emissoras que pertencem a fundações ou a órgãos do Estado. Muda o governo, sim, mas não a orientação.
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Quando se fala numa “rede pública” e não numa “rede estatal”, a intenção é justamente esta: impedir o governo de turno de interferir na programação. Esta obedecerá ao tal “interesse público”, definido por uma miríade de entidades que representam o que eles chamam a “sociedade civil”: sindicatos, centrais sindicais, ONGs, associações disso e daquilo. Fragmenta-se o comando para mantê-lo centralizado nas mãos de um partido político: o PT.
Quando se fala numa “rede pública” e não numa “rede estatal”, a intenção é justamente esta: impedir o governo de turno de interferir na programação. Esta obedecerá ao tal “interesse público”, definido por uma miríade de entidades que representam o que eles chamam a “sociedade civil”: sindicatos, centrais sindicais, ONGs, associações disso e daquilo. Fragmenta-se o comando para mantê-lo centralizado nas mãos de um partido político: o PT.
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Não há uma só emissora “não-privada” — creio que, com o termo, abarco a diversidade de seus regimes jurídicos — que não tenham sua programação determinada pela esquerda. Vejo pouco TV, e ninguém suporta fazer isso em minha companhia. Sou o impaciente do controle remoto. É a melhor maneira de tornar o meio útil à sua formação. Nada costuma exigir mais de um minuto de atenção mesmo. Por conta desse passeio, volta e meia estou lá: TV Câmara, TV Senado, TV Assembléia, TV Cultura, as tais TVs comunitárias... É petralhismo na maior parte do tempo. Às vezes, vem disfarçado em linguagem acadêmica. Na TV Câmara, já vi umas cinco ou seis vezes um certo MV Bill a dizer que é “contra o tráfico, mas não contra o traficante”. Já brinquei aqui: é o nosso Santo Agostinho: contra o pecado, mas não contra o pecador. Falava a alunos da Universidade de Brasília. Depois, todos se levantaram e cantaram um rap com ele — ou funk. Ou coisa pior. Sei lá eu.
Não há uma só emissora “não-privada” — creio que, com o termo, abarco a diversidade de seus regimes jurídicos — que não tenham sua programação determinada pela esquerda. Vejo pouco TV, e ninguém suporta fazer isso em minha companhia. Sou o impaciente do controle remoto. É a melhor maneira de tornar o meio útil à sua formação. Nada costuma exigir mais de um minuto de atenção mesmo. Por conta desse passeio, volta e meia estou lá: TV Câmara, TV Senado, TV Assembléia, TV Cultura, as tais TVs comunitárias... É petralhismo na maior parte do tempo. Às vezes, vem disfarçado em linguagem acadêmica. Na TV Câmara, já vi umas cinco ou seis vezes um certo MV Bill a dizer que é “contra o tráfico, mas não contra o traficante”. Já brinquei aqui: é o nosso Santo Agostinho: contra o pecado, mas não contra o pecador. Falava a alunos da Universidade de Brasília. Depois, todos se levantaram e cantaram um rap com ele — ou funk. Ou coisa pior. Sei lá eu.
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O único lado positivo disso tudo, até agora ao menos, é que ninguém vê essas porcarias. O dinheiro público alimenta o aparelho partidário e paga o salário de gente que não encontraria emprego em emissoras privadas — eles acham que é porque são muito bons para se vender ao capital, sabem cumé... —, mas o efeito prático da doutrinação é praticamente igual a zero, com uma exceção ou outra. Mais grave, no que diz respeito a este aspecto, é um outro dado: as próprias emissoras privadas contam com prosélitos de esquerda em seus quadros para fazer o trabalho de “conscientização”. Em suma: as emissoras “não-estatais” gastam o seu dinheiro, sim. No fim das contas, para nada.
O único lado positivo disso tudo, até agora ao menos, é que ninguém vê essas porcarias. O dinheiro público alimenta o aparelho partidário e paga o salário de gente que não encontraria emprego em emissoras privadas — eles acham que é porque são muito bons para se vender ao capital, sabem cumé... —, mas o efeito prático da doutrinação é praticamente igual a zero, com uma exceção ou outra. Mais grave, no que diz respeito a este aspecto, é um outro dado: as próprias emissoras privadas contam com prosélitos de esquerda em seus quadros para fazer o trabalho de “conscientização”. Em suma: as emissoras “não-estatais” gastam o seu dinheiro, sim. No fim das contas, para nada.
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Isso não significa, claro, que tenha de ser necessariamente assim. A depender do quanto o governo decida investir e das opções que faça, a tal TV do Executivo pode vir a ser uma fonte importante de doutrinação política. Em vez de consumir o dinheiro público para dar traço no Ipobe, a exemplo de suas irmãs, pode vir a descobrir o telespectador. Eu aposto que Lula discursando dá mais Ibope do que Renato Janine Ribeiro dando uma aula de ética... Pode render boas gargalhadas ao menos. Eu, por exemplo, sou fã de suas pausas enfáticas, quando percebo que há um feixe de idéias se formando, borbulhando, pronto para explodir. Revejam o momento do “ponto G da Rodada Doha”. Ele parou, hesitou um pouco, algo ia acontecer: “pum”!
Isso não significa, claro, que tenha de ser necessariamente assim. A depender do quanto o governo decida investir e das opções que faça, a tal TV do Executivo pode vir a ser uma fonte importante de doutrinação política. Em vez de consumir o dinheiro público para dar traço no Ipobe, a exemplo de suas irmãs, pode vir a descobrir o telespectador. Eu aposto que Lula discursando dá mais Ibope do que Renato Janine Ribeiro dando uma aula de ética... Pode render boas gargalhadas ao menos. Eu, por exemplo, sou fã de suas pausas enfáticas, quando percebo que há um feixe de idéias se formando, borbulhando, pronto para explodir. Revejam o momento do “ponto G da Rodada Doha”. Ele parou, hesitou um pouco, algo ia acontecer: “pum”!
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De todo modo, o que interessa é isto: criada uma estrovenga como essa, não se acaba com ela nunca mais. Continuará a ser um sorvedouro de dinheiro público, ainda que passe a ser sustentada pela verba das estatais. É dinheiro dos brazucas do mesmo jeito. Vai-se transformar num aparelho permanente do PT, enredada, vocês verão, numa trama legal em que governo nenhum, pouco importa a orientação, conseguirá mexer. Rede pública de TV, nesse caso, significa rede petista de TV. De público mesmo, só o dinheiro.
De todo modo, o que interessa é isto: criada uma estrovenga como essa, não se acaba com ela nunca mais. Continuará a ser um sorvedouro de dinheiro público, ainda que passe a ser sustentada pela verba das estatais. É dinheiro dos brazucas do mesmo jeito. Vai-se transformar num aparelho permanente do PT, enredada, vocês verão, numa trama legal em que governo nenhum, pouco importa a orientação, conseguirá mexer. Rede pública de TV, nesse caso, significa rede petista de TV. De público mesmo, só o dinheiro.