Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa
Valem as mesmas considerações de sempre: o Brasil é (e sempre foi) um imenso latifúndio, onde a terra pertence a uns poucos privilegiados enquanto milhões de sem-terra vagam sem destino atrás daquilo que lhes seria um direito, ou seja, um pouco de chão para plantar, sobreviver e contribuir para o desenvolvimento nacional.
Agora, não dá para aceitar os exageros do MST, empenhado em desenvolver nova campanha de invasões de terras produtivas e de prédios urbanos, de fechamento de estradas e de perturbação da vida do cidadão comum.
Basta passar os olhos nos jornais dos últimos dias e até registrar que o Movimento dos Sem Terra vem tirando carona de situações as mais diversas. A vinda do presidente Bush e o Dia Internacional da Mulher servem de pretexto para a baderna que a todos intranqüiliza e, mais ainda, fornece aos donos da terra e do poder argumentos para botarem a pata sobre as instituições democráticas.
Um pouco de bom senso não faria falta aos dirigentes do MST, mesmo se compreendendo o estado de desespero em que se encontram as massas camponesas. Não se dirá que a simples negociação resolva o problema dos sem-terra, porque equivale à negociação da guilhotina com o pescoço. É natural que apelem para métodos pouco ortodoxos, como a invasão e ocupação de propriedades improdutivas. Mas perdem a razão quando depredam patrimônio público, interrompem o tráfego no interior do País e paralisam as atividades normais do País. Depois, o resultado são tiroteios e até massacres praticados por milícias particulares, polícias estaduais e sucedâneos.
Remando contra a maré
Celebrou-se quinta-feira o Dia Internacional da Mulher, entre sessões de homenagem no Congresso, nas escolas, associações de classe, com cadernos especiais nos jornais e até, no comércio, foram distribuídas flores para as mulheres consumidoras. Com todo o respeito, alguém já ouviu falar do Dia Internacional do Homem? O simples fato de se dedicar à mulher um dia por ano é sinal de discriminação contra ela.
Porque são da mulher os 365 dias do ano.
Um dia especial revela carinho para com mães, esposas, filhas e todas as mulheres, mas também revela o preconceito da sociedade contra a mulher, cuja presença e os direitos são ou deveriam ser os mesmos do homem. Temos o Dia do Índio, o Dia do Negro, o Dia do Gay, o Dia do Gato e muitos mais, para tentar diminuir a discriminação contra grupos específicos. Aqui para nós, continuamos tratando a mulher com desigualdade, com esse Dia Internacional da Mulher.
Frangos malandros
Todo governador tem não só o direito, mas a obrigação, de tratar os presidentes com cortesia, agrados e até um pouco de exagero. Afinal, do jeito que se encontra a nossa federação, simples peça de ficção, quem resolver bater de frente com o Planalto arrisca-se a sair corrido de seus palácios estaduais ou, no mínimo, a encerrar sua carreira política.
Convenhamos, porém, que o governador Sérgio Cabral passou dos limites, esta semana, quando acompanhou o presidente Lula ao estádio do Maracanã, para inspeção nas obras do Pan. Uma visita alegre, todos sorrindo, até elogiando as novas instalações do mais famoso campo de futebol do mundo, até a hora em que apareceu uma bola. O calor que fazia levou a comitiva a tirar gravata e paletó, mas surpreenderam-se todos quando governador e presidente tiraram os sapatos e foram bater bola. Coisa inusitada, mas teve pior.
Resolveram, Lula e Cabral, bater pênaltis. Na mesma hora o governador ofereceu-se para o sacrifício, ou seja, servir de goleiro. O presidente já completou 60, nunca foi e nem precisa ser craque, mas fora o chute que bateu na trave, ousou mais dois, daqueles que qualquer goleiro mirim pegaria com uma mão.
O que fez Cabral, para alegria dos papagaios de pirata que circundavam a grande área? Deixou passar dois frangos, sem mexer um dedo. Fez Lula feliz, mas, aqui para nós, precisava tanto para merecer as benesses do governo?
Diante da televisão, lá no Paraná, o governador Roberto Requião comentou com auxiliares: "Eu apóio o governo, estou com Lula e não abro, mas assim é demais. Teria defendido os dois pênaltis."
Valem as mesmas considerações de sempre: o Brasil é (e sempre foi) um imenso latifúndio, onde a terra pertence a uns poucos privilegiados enquanto milhões de sem-terra vagam sem destino atrás daquilo que lhes seria um direito, ou seja, um pouco de chão para plantar, sobreviver e contribuir para o desenvolvimento nacional.
Agora, não dá para aceitar os exageros do MST, empenhado em desenvolver nova campanha de invasões de terras produtivas e de prédios urbanos, de fechamento de estradas e de perturbação da vida do cidadão comum.
Basta passar os olhos nos jornais dos últimos dias e até registrar que o Movimento dos Sem Terra vem tirando carona de situações as mais diversas. A vinda do presidente Bush e o Dia Internacional da Mulher servem de pretexto para a baderna que a todos intranqüiliza e, mais ainda, fornece aos donos da terra e do poder argumentos para botarem a pata sobre as instituições democráticas.
Um pouco de bom senso não faria falta aos dirigentes do MST, mesmo se compreendendo o estado de desespero em que se encontram as massas camponesas. Não se dirá que a simples negociação resolva o problema dos sem-terra, porque equivale à negociação da guilhotina com o pescoço. É natural que apelem para métodos pouco ortodoxos, como a invasão e ocupação de propriedades improdutivas. Mas perdem a razão quando depredam patrimônio público, interrompem o tráfego no interior do País e paralisam as atividades normais do País. Depois, o resultado são tiroteios e até massacres praticados por milícias particulares, polícias estaduais e sucedâneos.
Remando contra a maré
Celebrou-se quinta-feira o Dia Internacional da Mulher, entre sessões de homenagem no Congresso, nas escolas, associações de classe, com cadernos especiais nos jornais e até, no comércio, foram distribuídas flores para as mulheres consumidoras. Com todo o respeito, alguém já ouviu falar do Dia Internacional do Homem? O simples fato de se dedicar à mulher um dia por ano é sinal de discriminação contra ela.
Porque são da mulher os 365 dias do ano.
Um dia especial revela carinho para com mães, esposas, filhas e todas as mulheres, mas também revela o preconceito da sociedade contra a mulher, cuja presença e os direitos são ou deveriam ser os mesmos do homem. Temos o Dia do Índio, o Dia do Negro, o Dia do Gay, o Dia do Gato e muitos mais, para tentar diminuir a discriminação contra grupos específicos. Aqui para nós, continuamos tratando a mulher com desigualdade, com esse Dia Internacional da Mulher.
Frangos malandros
Todo governador tem não só o direito, mas a obrigação, de tratar os presidentes com cortesia, agrados e até um pouco de exagero. Afinal, do jeito que se encontra a nossa federação, simples peça de ficção, quem resolver bater de frente com o Planalto arrisca-se a sair corrido de seus palácios estaduais ou, no mínimo, a encerrar sua carreira política.
Convenhamos, porém, que o governador Sérgio Cabral passou dos limites, esta semana, quando acompanhou o presidente Lula ao estádio do Maracanã, para inspeção nas obras do Pan. Uma visita alegre, todos sorrindo, até elogiando as novas instalações do mais famoso campo de futebol do mundo, até a hora em que apareceu uma bola. O calor que fazia levou a comitiva a tirar gravata e paletó, mas surpreenderam-se todos quando governador e presidente tiraram os sapatos e foram bater bola. Coisa inusitada, mas teve pior.
Resolveram, Lula e Cabral, bater pênaltis. Na mesma hora o governador ofereceu-se para o sacrifício, ou seja, servir de goleiro. O presidente já completou 60, nunca foi e nem precisa ser craque, mas fora o chute que bateu na trave, ousou mais dois, daqueles que qualquer goleiro mirim pegaria com uma mão.
O que fez Cabral, para alegria dos papagaios de pirata que circundavam a grande área? Deixou passar dois frangos, sem mexer um dedo. Fez Lula feliz, mas, aqui para nós, precisava tanto para merecer as benesses do governo?
Diante da televisão, lá no Paraná, o governador Roberto Requião comentou com auxiliares: "Eu apóio o governo, estou com Lula e não abro, mas assim é demais. Teria defendido os dois pênaltis."