terça-feira, março 13, 2007

Precisamos importar mais

Por Adriana Vandoni, Prosa & Política
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Entra mês, sai mês, vemos o resultado do balanço entre as nossas importações e exportações. Soja, minério de ferro, além de alguns produtos industrializados fazem com que nossa balança seja positiva. Dá até para pensarmos em importar mais.

A diversidade do nosso comércio internacional já requer novos desejos e sonhos para a nossa população. Aparelhos eletrônicos de última geração, perfumarias e alimentos importados já fazem parte do gosto do brasileiro, mas falta algo mais para temperar nosso cardápio.
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Esta semana a justiça norte-americana condenou Paulo Maluf, e ele agora já corre o risco de ser preso caso viaje a algum país que possua tratado de extradição com o governo americano, ou seja, está praticamente preso no Brasil. A justiça Italiana investiga um caso de corrupção de autoridades brasileiras, inclusive envolvendo o ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Mauro Marcelo, aquele que chamou os integrantes da CPI dos Correios de “bestas-feras”. Mauro Marcelo se tornou íntimo de Lula durante a campanha de 2002 quando recebeu a incumbência de evitar grampos. Sei! Ele está sendo acusado lá na Itália, de ter sido contratado aqui para um serviçinho básico: interceptação de comunicações telefônicas e telemáticas para a Telecom Itália.
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Será que também vão prender o Marcelo aqui no Brasil?

Esses dois casos são exemplos de um produto que carece em nosso gigante adormecido em berço esplêndido. Falta-nos Justiça, e se esse é um produto escasso nestas plagas, não custaria nada importar essa “especiaria”.
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Justiça seja feita a alguns membros do poder judiciário e ministério público, que tentam em vão trancafiar os delinqüentes do colarinho branco, mas que sempre dão com os burros n’água devido a essas leis que foram feitas para soltar, e não para prender bandidos com bolsos recheados.
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Mas como acreditar em um país onde seus “legisladores”, especialmente os membros da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania), responsável, entre outras atribuições, com assuntos relativos aos direitos e garantias fundamentais; aspectos constitucional, legal e jurídico; matérias relativas a direito constitucional, eleitoral, civil, penal, processual, notarial; e inclusive podendo substituir o Plenário em determinadas ocasiões, ter entre seus membros 21 envolvidos em problemas com a Justiça. Ah!, José Mentor, João Paulo Cunha são membros titulares e conhecidos por nós nos escândalos recentes. Junto a eles temos também ... tcham-tcham, Paulo Maluf, aquele do “Eu nego”, hehe, e, não podia deixar de estar presente para abrilhantar o time e honrar meu estado de Mato Grosso, o deputado Carlos Bezerra. Bem, mas este caso é especial, quando soube de Bezerra na CCJ dei um Ufa! Até arrepio só de imaginá-lo numa Comissão de Ciência de Tecnologia. Ele é acusado pelo Ministério Público, dentre várias cositas, a de tentativa de desvio de recursos do INSS. Quando presidia o órgão Bezerra fez uma concorrência para alugar 7 mil computadores por R$ 146 milhões. Segundo o MP, se fossem comprados 7 mil computadores novos sairia por R$ 52,4 milhões. É, deixa o homem na CCJ. Meno male.
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Mas, pois é, né? Maluf está preso no Brasil e o Brasil vai ter que agüentá-lo eternamente, sem direito a férias. É, devíamos importar Justiça, porque se essa moda pega, só vai faltar gradear o Brasil.