quinta-feira, abril 19, 2007

Ações de longo prazo num governo de inteligência curta

Adelson Elias Vasconcellos

Pois é, não faltava mais nada em termos de montagem de governo, e agora Lula sapeca na nossa inteligência (claro bancado pelo bolso nosso cada dia mais ralo), uma Secretaria de Ações de Longo Prazo. Quero crer que Lula tenta neste segundo mandato reduzir a qualquer custo o índice de 10% de desemprego, a custo de muito emprego público. Tamanha estrutura de governo está a indicar uma enorme estrutura de poder. Ao custo do país.

Isto meus amigos representa dizer o seguinte: na ordem direta em que crescem as despesas correntes do governo, como se vê pela estrutura montada por Lula em ministérios inúteis e secretarias ridículas, estaremos longe do dia em que se pagará menos impostos neste país.

E nada disso resulta em melhoria de vida para o povo. Nada. Tudo apenas para acomodar aliados de última hora, companheirada de todas as horas, em espaços governamentais loteados com o específico fim de se acomodar um poder em lugar de um governo. Pela estrutura se imagina que se faz muito. Mas o que mais se faz é besteira pura com custos maiores para o país.

Já nem vou falar do provável ocupante do cargo. Mais inútil do que o cargo, será o ocupante a fazer de conta que desempenha um papel importante. Mais um a saciar-se nas gordas tetas federais. E cadê a oposição para combater esta palhaçada ? Ações de longo prazo é, em que sentido ? Econômico, político, social, religioso? Nada. Coisa de índio. Índio charlatão, cuja vaidade e arrogância está acima do interesse de uma política pública dedicada a nos tirar do atraso. Um presidente com tamanho grau de beligerância deveria ser impedido de conduzir carrinho de pipoca. Primeiro, porque a pipoca terá pouco sal, segundo porque vai custar mais caro, terceiro porque a embalagem bonita não conseguirá a porcaria que se esconde dentro dela.

E assim, de ação ridícula em ação imbecil, Lula vai levando seu segundo mandato para o ridículo cada vez mais insano. Cadê a reforma política tão alardeada ainda na campanha eleitoral ? E aqui, me permitam fazer um parênteses: Lula, tentando copiar o “bom” exemplo de Chavez, insistiu na necessidade de se produzir uma reforma política em que se permitisse ao Executivo convocar plebiscitos e consultas populares, ao que chamou de democracia participativa. Montado em cima de uma política assistencialista cretina, e contando com índices de aprovação acima do que merece, imaginava que este seria o caminho para a realização de seu projeto de poder. Esqueceu de combinar com o povo. E acredito que pelos resultados de recentes pesquisas, o povo deu um recado desencantador para Lula: ele quer a redução da maioridade penal (Lula é contra). Ele não quer a descriminalização do aborto (Lula é favor). Acho que, se sair uma reforma política, a questão do plebiscito ficará de fora. O povo brasileiro parece ser mais conservador do que imaginam as mentes “iluminadas” dos sábios petistas.

Voltemos. Claro que se sabe que para o país dar um salto em seu desenvolvimento, precisamos terminar um ciclo de reformas iniciadas com FHC, mas que Lula insiste em empurrar com a barriga, por absoluta incompetência de um lado, misturada com covardia de outro. E esta covardia é pela simples razão de que Lula não quer correr o risco político de promovê-las. Com tal atitude, Lula ficará ainda mais longe de ser aclamado como “estadista”, título que ele tanto persegue. Mas isto talvez agora nem conte mais. Ele, se for preciso, se autoproclama e pronto. Para tanto, eis a necessidade de contar com um bom Ministério da Propaganda, de um lado, e uma Secretaria de Ações de Longo Prazo, de outro.

Isto me deixa um pouco preocupado com o que pode vir depois de Lula: não será fácil desmontar este aparato principesco todo que Lula armou. Isto dará além de muita, mas muita dor de cabeça, um custo por demasiado oneroso. Repor o Estado brasileiro na normalidade será uma tarefa quase anormal. O gigantismo do Estado, os milhares de cargos inúteis e dispendiosos, a falta de políticas públicas na área de serviços, o empobrecimento dos serviços existentes, a mentalidade doentia com que a máquina conduz estes mesmos serviços, a política fascista espalhada de norte a sul por onde quer que a carruagem presidencial desfile, não é uma tarefa que vá depender unicamente do presidente. Vai depender e muito do apoio que este presidente receber da sociedade. Num país em que dois terços não têm acesso à informação qualificada, em que um terço é composto de analfabetos totais e informais, acreditem, convencer este povo a aceitar uma política de governo diferente, demandará num trabalho colossal.

Não por outra razão cada dia mais e mais jovens brasileiros estão arrumando suas malas e partindo para outros países. Grande maioria indo para Europa, Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia. Alguns ainda querem formar-se para irem melhor preparados. Outros nem isso querem esperar. Vão estudar e formar-se lá fora mesmo. Ou seja, estamos condenando o Brasil a perder sua capacidade de renovação. Ficaremos velhos não apenas em idade, mas em mentalidade e forças. E isto representa bem o significado deste imbecil ato de se criar uma secretaria para ações de longo prazo. Não é a secretaria em si, sua finalidade e o trabalho (haverá algum?) que fará para justificar sua existência. É a ideologia que se esconde por detrás desta imbecilidade.

Nossos jovens olham para dentro do país em que nasceram e vêem o quê ? Aquilo que se ouve mais nas ruas: no Brasil só ladrão vence. Como vamos retrucar a esta sabedoria ? Ouve-se diariamente nos noticiários escândalos tais e tais, presos tantos e quantos, e ninguém é julgado, condenado e cumpre pena, a não ser ladrão de pote de margarina. Bilhões são roubados, desviados e nada acontece. Políticos de todas as ignorâncias se auto-promovem a custo do erário. Cada qual defende mais e mais seu próprio quinhão e o povo que se dane e se contente com bolsa família. Os salários no país cada vez mais indecentes, indignos e imorais, e incapazes de proporcionar uma vida de qualidade a quem deles depende. Que alternativa resta para um jovem cheio de sonhos e dotado de muita energia para lutar na realização destes sonhos ?

E dentre os que ficam o que se vê ? Uma mortandade cada dia mais sem limites, o sub-emprego, o sub-salário, o submundo, a sub-decência, a sub-dignidade, a sub-cidadania. Uma vida cada mais sub em tudo, capitaneada por uma elite política (incluindo todos os do executivo, legislativo e judiciário) totalmente dissociada de sua real responsabilidade. Sendo assim, e a continuar o atual estado de coisas, logo mais seremos um país de submundo, governado por dementados. Em vez de sermos o país futuro, e antes que ele chegue, nos tornaremos um país sucateado. Totalmente depreciado. Olhem à sua volta e percebam o quanto estamos “involuindo”, o quanto estamos perdendo o controle, o quanto estamos nos tornando cada vez mais ridículos, medíocres e apatetados. País selvagem com povo selvagem e inculto. Seria interessante que nossas elites tomassem um pouco mais de cuidados: logo mais restarão apenas eles próprios para recolherem seu próprio lixo... O perigo é eles se confundirem com a própria imundície... Mas, neste caso, quem restará ou se importará para perceber e reparar o engano ?