quinta-feira, abril 12, 2007

Imprensa não mostra coisas boas. Mas há?

Adelson Elias Vasconcellos

Pois bem, muitos conhecem bem minha opinião sobre Lula – o presidente, aquele que se considera acima do bem e do mal, porém, que absolutamente só governa para si mesmo. Nenhuma ação patrocinada por Lula teve a legítima intenção de beneficiar o povo brasileiro. Nenhuma. Tudo o que este ex-metalúrgico tem feito é com a segunda intenção de se proteger das malvadezas de seu governo de moleques e larápios, para escudado na covardia e na mistificação, permanecer no poder.

Lula se fez na bandidagem. Durante anos a fio o que este “brasileiro” mais soube fazer foi dizer não quando lhe foi pedido apoio, foi criticar tudo e todos com ou sem razão, plantar mentiras e dossiês caluniadores e falsos, destruir reputações e, sorrateiro, tentou minar todo e qualquer governo que encontrou pela frente.

Hoje, presidente, vem e critica a imprensa que usou e abusou durante todo este tempo para espalhar e plantar seu fel, sua maldade. Critica a imprensa que o critica, pela simples razão de que sua arrogância e prepotência, não aceita a critica, certa ou errada; não sabe conviver com o contraditório, no melhor estilo caudilhesco do bate e arrebento, não aceita opiniões contrárias acostumado que foi a bajulação. Não admite oposição, porque se considera um semi-deus.

Muito bem. Ele, na verdade, colhe a imprensa que ele mesmo semeou ao longo dos anos. De tanto falsear a verdade em relação aos que estavam no poder, acostumou boa parte da imprensa a só buscar a pantomina.

Lula voltou a criticar a imprensa nesta quinta-feira. O presidente disse que a mídia só divulga coisas ruins. Ele reclamou da generalização ao tratar dos casos de corrupção entre políticos ou falta de empenho de parlamentares para trabalhar. Pois quando parlamentares votam na surdina aumentos imorais de seus salários e privilégios já abusivos, quando o atual presidente da Câmara prometera ainda em campanha que não aumentaria estes mesmos vencimentos e privilégios além de anunciar aos quatro cantos que os trabalhos seriam de segunda à sexta-feira, e o vemos aprovar o enforcamento da segunda feira e a liberação de gastos sem comprovação, o senhor Lula espera o quê ? Que façamos de conta que nada aconteceu ? Acaso lembra o presidente de quem no final é que arca com o prejuízo ?
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Segundo Lula, o mesmo raciocínio é adotado pelos jornalistas ao falar dos crimes cometido pelos menores: “Quando um jovem comete um delito, uma coisa bárbara, isso aparece na imprensa durante 30 dias. E muitas vezes o jovem faz coisas boas e não aparece nem no rodapé do jornal. Nem é notícia. Eu quero dizer isso para ter uma conversa muito franca com vocês. Eu às vezes tenho a impressão que nós valorizamos o que não presta e desvalorizamos o que presta no país”, declarou.

Ora, o que a mídia faz é mostrar os fatos. Se eles não são coloridos como Lula desejaria, e qualquer um de nós também, nos compete simplesmente mudar esta realidade com trabalho e esforço, para podermos ver o colorido onde só vê o acinzentado. O fato é que Lula acha que por ser presidente, a mídia tenha obrigações de lhe agradar com notícia boas tão somente. Mas não tem. O fato de divulgar acentuadamente o crime bárbaro do menino João Hélio com tanta força e insistência, é porque o crime bárbaro vem se tornando prática comum do nosso dia-a-dia. E o que se tem é um governo que não toma decisões para, pelo menos, reduzir a criminalidade ao mínimo suportável, e punir de forma mais rigorosa estes mesmos crimes bárbaros. E não fosse pela pressão, os projetos dormiriam nas gavetas do Congresso por um bom número de anos, e o pau correndo solto e sacrificando as vidas de milhares de inocentes que são estúpida e brutalmente assassinados no país, sem que as autoridades tomem providências que nos garantam a segurança que é paga ao Estado com impostos escorchantes.
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Além disto, é preciso que se diga que, a sensação de impunidade que varre o país, e que de forma direta incentiva a violência se alastrar feito câncer incurável, com falência múltipla, deriva-se de uma elite política da qual Lula é hoje o representante máximo, onde não se vê o mesmo rigor de punição para os crimes de desvios de recursos públicos, malversação, corrupção ativa e passiva, evasão de divisas, formação de quadrilha, quebra de sigilo, escutas clandestinas, com que se pune o cidadão comum no furto de um simples pote de margarina no mercadinho da esquina. O que mais se vê é uma elite política dissociada da realidade do país. Um Judiciário inútil, paquidérmico, um estado desperdiçador, uma plêiade de deputados e senadores a transformarem o Congresso Nacional em um imenso balcão de negócios e negociatas desonestas, a se fartarem em privilégios indecorosos e imorais.
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Diante da inércia do governo federal, vemos o apagão aéreo arrastando-se há seis meses, e um boçal presidente da ANAC quando intimado a prestar esclarecimentos, ter o descaramento de negar a existência da crise. Vemos no país, repetir-se a epidemia de dengue, e neste ano já se contabilizam mais de 130 mil casos, sem que o governo federal tenha adotado medidas capazes de reduzir o sofrimento da população. Vemos um governo federal ainda tentar abafar todas as formas de investigações de falcatruas por ele cometidas, o mesmo governo hoje ocupado por pessoas que o que mais fizeram quando na oposição foi justamente investigar, mesmo sem critério algum, levantar falsas suspeitas, plantar mentiras e calúnias, destruir e destruir e destruir para que se criasse o clima do quanto pior melhor. O mesmo partido que denunciou as práticas do é dando que se recebe, a pratica hoje sem a menor cerimônia, e o que é pior: tenta cooptar partidos e parlamentares para se venderem de forma ordinária em troca do voto para aquilo que interessa ao executivo.

Diante deste descalabro fica, pois, muito difícil publicar-se apenas coisas boas. Fosse apenas isto que este governo fizesse, por certo, desejáramos apenas noticiar coisas boas. Mas qual, não há razões para escondermos debaixo do tapete as malvadezas cometidas por um governo que se caracteriza pela mentira e mistificação. Além da natural incompetência e falta de firmeza. Um governo covarde que joga apenas para aparentar.Aparentar que é bom, que é social, que governa para os pobres, que se preocupa com bem estar geral da população, quando na verdade suas ações demonstram justamente o contrário. É bom que Lula guarde bem isso: sua prática de falsear, não pode ser imposta com comportamento normal e corriqueiro a ser obedecido por toda a nação. Tem quem não goste de ser cínico, tem quem não goste de ser canalha, tem quem não goste de roubar, principalmente dinheiro público, tem quem na sua atividade profissional atua com ética e decência, e não com imoralidade, picaretagem, falta de vergonha na cara e molecagem como muitos dos ministros e auxiliares diretos do senhor Lula. Tem até, vejam vocês, pessoas que são gratas pelas boas coisas que recebem de terceiros. Quando foi que se ouviu de Lula uma palavra de agradecimento pelo trabalho recebido do governante que o antecedeu e que lhe entregou um Brasil muito melhor, mais arrumado e estabilizado política e economicamente ?
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Portanto, Lula não pode exigir de ninguém aquilo que ele próprio não concede. Se fala mal o tempo inteiro dos governantes anteriores, principalmente FHC, e na maior parte das vezes de forma injustificada e desleal, tanto quanto mentirosa, como gostaria ele de receber um tratamento diferente ? A imprensa até pode cometer abusos e os comete, mas sempre tem a grandeza de reconhecer seus erros e desculpar-se. Age o senhor Lula com o mesmo espírito ? Por certo que não. Hoje, ontem, na semana passada, há um mês atrás, ou até logo após a eleição ele que prometera não mais criticar os governantes anteriores, acaso cumpriu com a palavra ? E o que dizer dos muitos amigos que simplesmente abandonou e traiu por não atenderem seus interesses mesquinhos de manutenção do poder em suas mãos ? Que ele, então, fizesse um mea-culpa e tivesse a grandeza de se encontrar em erro. Que também tivesse a mesma grandeza para reconhecer que muito do sucesso de seu governo se deve ao trabalho que foi feito (e que ele apenas colheu os resultados), pelo governo do Fernando Henrique. Que descesse com humildade do palanque, sem arrogância ou empáfia, e se dispusesse a governar mais e melhor o país, preocupando-se e se atendo exclusivamente com os problemas atuais que afligem o nosso povo. Se fizesse isto, já estaria de bom tamanho. Mas como não se pode exigir de um perna de pau que jogue com um verdadeiro craque de bola, da mesma forma, não se pode exigir de um moleque ladino a grandeza de espírito que somente encontramos em homens de espírito público, e caráter de estadista. Dos pobres de espíritos o máximo que se pode esperar é que pelo menos sejam honestos . Fosse isto, e Lula teria o reconhecimento que nos cobra insistentemente. Aliás, já pelo fato de nos cobrar este “reconhecimento”, já se demonstra a pequenez do caráter do homem que apela para tão baixo nível.